OPEP: e se o Iraque seguir os Emirados e abandonar o cartel?
A OPEP – Organização dos Países Produtores de Petróleo poderá estar mais perto da desintegração do que se pensa. Depois da saída dos Emirados Árabes Unidos (UAE) da organização, já durante o conflito no Médio Oriente, os olhos viram-se agora para o Iraque.
Uma notícia avançada em exclusivo pela Reuters e Bloomberg, as duas principais agências de noticias financeiras do mundo, tendo na base a mesma fonte – uma mensagem de texto do porta-voz do Ministério do Petróleo iraquiano, Salim Al-Rikabi, segundo o qual “será preciso tomar uma decisão sobre permanecer ou retirar caso o cartel não aumente a produção”, levanta a questão sobre a solidez do compromisso do Iraque com a organização que ajudou a fundar.
Formalmente constituída em Bagdad, capital iraquiana, em 1960, liderada pelo maior produtor, a Arábia Saudita, a OPEP tem como objetivo controlar a produção e o fornecimento de petróleo bruto de forma a sustentar os preços.
Juntos, Iraque e UAE produzem 8 milhões de barris, o mesmo que a Arábia Saudita.
Sem estes dois países, a OPEP perderia 27% de sua produção, o que diminuiria significativamente a sua capacidade de controlar um mercado cada vez mais competitivo desde a introdução do petróleo de xisto nos EUA, em 2014.
A mensagem noticiada por Reuters e Bloomberg também foi entendida como podendo tratar-se de uma tática para pressionar no sentido de uma meta mais ambiciosa, numa altura em que os produtores do Golfo Pérsico voltam a impulsionar a produção que se manteve em banho maria durante a guerra entre os Estados Unidos e o Irão.
Na verdade, lembram analistas, o Iraque sempre se opôs aos tetos impostos na produção pela OPEP+ , aliança fundada em 2016, entre os principais membros da OPEP e países como a Rússia.
Segundo o jornal da Arábia Saudita, Al Arabia, as autoridades iraquianas estimam que a produção iraquiana retorne aos níveis anteriores à guerra entre os EUA e o Irão no período de “um a dois meses”.
A guerra e o bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz pararam os carregamentos, obrigando a cortes na produção dos países produtores, incluindo o Iraque, que antes da guerra, no final de fevereiro, exportava cerca de 3,5 milhões de barris de petróleo por dia, a maior parte pelo estreito.
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