Portugal vai à final do Mundial, mas não traz a Taça dos EUA
No princípio era o polvo. Chamava-se Paul, morava no Sea Life Centre, em Oberhausen (Alemanha), e fez furor na forma como, em 2010 (em pleno Mundial da África do Sul), teve uma taxa de acerto de 100% nos resultados dos jogos da Alemanha e como previu que seria a seleção espanhola a conquistar o título.
A técnica envolvia mexilhões e recipientes de plástico que estavam devidamente decorados com as bandeiras das seleções. Terminada a gloriosa era dos cefalópodes videntes de resultados desportivos, a Alemanha partiu para especialistas de carne e osso e um economista tem vindo a destacar-se nesse papel com recurso a variáveis que parecem não estar relacionadas.
Na véspera do início do Mundial, foram muitas as previsões de economistas e entidades financeiras que colocaram cá fora o seu vaticínio a partir de modelos matemáticos de grande complexidade.
Se o Goldman Sachs e o Bank of America dão Espanha e França como as seleções que deverão erguer a pequena mas imponente taça da FIFA, Joachim Klement, economista no banco de investimento Panmure Liberum (sediado em Londres), tem um veredito mais arrojado. Seria só mais uma previsão se Joachim Klement não tivesse acertado nos vencedores dos três últimos Mundiais de futebol: Alemanha (2014), França (2018) e Argentina (2022).
Segundo a última previsão de Klement, Portugal vai chegar à final do Mundial mas o campeão será outro e a acontecer, será o primeiro Campeonato do Mundo para… os Países Baixos. O modelo utilizado por Klement engloba cinco variáveis e “explica” 55% das possibilidades isto porque 45% é pura e simples sorte. Assim, sem rodeios.
A equação foi desenvolvida em 2002 e abrange o PIB per capita, uma boa base de recrutamento, temperaturas médias, ranking da FIFA e a vantagem do anfitrião do Mundial. No PIB per capita, a teoria diz que países mais saudáveis financeiramente conseguem investir em academias de futebol, campos de treino e no desenvolvimento de talento local. No entanto, Klement dá nota de que países com rendimentos acima de 53 mil euros per capita deparam-se muitas vezes com jovens que preferem os jogos de vídeo a atividades físicas como a prática de futebol. Há ainda o fator relativo a uma abrangente base de recrutamento que ajuda para chegar ao sucesso mas apenas em países onde o futebol é o desporto dominante (Klement dá o exemplo dos EUA onde residem 350 milhões de pessoas mas onde o futebol tem a forte concorrência de outros desportos).
O modelo económico diz ainda que uma temperatura média de 14ºC é ideal para a prática do futebol (e isso arrasta uma série de fatores) e que o ranking da FIFA ajuda a perceber o desenvolvimento do desporto-rei em cada país. Por fim, a
vantagem de ser anfitrião que, neste Mundial, pode sair gorada: o economista alemão destaca que um Campeonato do Mundo com três anfitriões tem menos capacidade de gerar uma mobilização massiva junto de uma seleção que organize o Mundial sozinha.
Previsões para todos os gostos
Num Mundial onde não há um favorito natural e em que nenhum dos anfitriões (EUA, Canadá e México) parecem ter condições de surpreender as seleções favoritas, os principais bancos de investimento a nível global analisam as equipas e só são coerentes num aspeto: todos discordam da previsão arrojada de Joachim Klement para o desfecho desta prova. O Goldman Sachs diz que é a Espanha de Lamine Yamal a grande favorita (26% de hipóteses de ganhar); o Bank of America e o Natixis apostam na França de Kylian Mbappe e depois temos o UniCredit que está absolutamente sozinho numa previsão ousada: o bicampeonato mundial da Argentina com Lionel Messi a liderar.
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