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Como os CEOs conciliam os treinos com a carga de trabalho

Como os CEOs conciliam os treinos com a carga de trabalho

O treino das 5 da manhã tornou-se um ritual para muitos presidentes de empresas — ou pelo menos é o que afirmam.Os líderes empresariais costumam promover a sua rotina de exercício físico como parte essencial da agenda diária, tão importante quanto qualquer reunião de negócios. O exercício é encarado como forma de desenvolver resistência e disciplina, melhorar a função cognitiva, recuperar energias e reduzir o stress. Um estudo chegou mesmo a encontrar uma ligação positiva entre a condição física dos CEOs e o valor das suas empresas .Mas até que ponto é fácil conciliar os treinos com a carga de trabalho? Executivos de topo contam ao Financial Times como o fazem.
Seis dias por semana no ginásio
Roland Busch, diretor executivo da Siemens, leva os treinos muito a sério e quer deixar uma coisa bem clara: não falta ao dia dedicado ao treino de pernas. O treino matinal do executivo é uma componente fixa da sua rotina, mesmo quando está em viagem e, segundo ele, tem “a mesma importância que qualquer reunião de negócios”. Físico de formação, que lidera o grupo alemão de indústria e infraestruturas desde 2021, Busch começa o dia às 6h com uma combinação de musculação e exercícios de alta intensidade. A rotina do diretor de 61 anos está organizada em três dias — peito e abdómen, costas e pernas, e abdómen e core — que se sucedem em ciclo. O regime permite que cada grupo muscular tenha tempo para recuperar, possibilitando que Busch mantenha a rotina sem se esgotar.
“Vejo uma ligação direta entre a minha condição física e o meu desempenho profissional. A disciplina e a energia que ganho com os treinos são cruciais para gerir uma agenda exigente”, afirma.
Enquanto diretor executivo, Busch impulsionou a transição da Siemens de um conglomerado complexo para uma operação mais enxuta e orientada pela tecnologia. Integrou a inteligência artificial à indústria e também à sua rotina de exercício, partilhando uma banda desenhada gerada por IA que retrata os seus treinos no LinkedIn para motivar outras pessoas.
Artes marciais para gerir conflitos
Sayeh Ghanbari, responsável pela consultoria da EY, já conquistou várias medalhas no Campeonato Britânico de Kung Fu. Treina em sessões de mais de duas horas, três vezes por semana, e atingiu o grau de faixa preta sénior. É também professora assistente, uma distinção conquistada após enfrentar cinco homens numa luta de boxe sem luvas. Ghanbari deixa claro que precisa de reservar tempo na sua vida profissional para a paixão pelas artes marciais e afirma que as duas são “sinérgicas”. “Fundamentalmente, o kung fu é uma arte de aperfeiçoamento contínuo, é um domínio que nunca se completa, por isso é preciso estar sempre a aperfeiçoar. Apercebi-me de que o treino de kung fu me estava a ajudar no trabalho.”
Costuma dizer aos colegas que precisa de sair do escritório para ir a uma aula “e, se for necessário, posso voltar a usar o computador portátil depois”. Durante as viagens, participa em aulas pelo Skype, por vezes “com fusos horários bem diferentes… essa é a disciplina”.
Ghanbari afirma que a prática a ajudou a lidar com conflitos. “No kung fu, bloqueia-se um soco direto com um bloqueio circular, para não enfrentar a força com o mesmo tipo de força. Com o tempo, aprende-se que, quando surge um conflito, não se enfrenta diretamente, mas encontra-se uma forma de o contornar.”
Clareza mental e o alívio das pressões do trabalho
Duas manhãs por semana, Kevin O’Brien, diretor executivo da Gammon Construction, empresa pertencente à Jardine Matheson e à Balfour Beatty, pode ser visto a correr pela Bowen Road, uma das rotas de corrida mais planas e com vistas mais belas da Ilha de Hong Kong.
Como diretor executivo de construção responsável pelo Terminal 2 do aeroporto de Hong Kong e por um projeto de desenvolvimento económico nos Novos Territórios, começa a trabalhar cedo e acorda ainda mais cedo para chegar à pista antes das reuniões.
“A construção civil é um setor que começa cedo, por isso acordo às 6h ou até mais cedo.” O segredo para encaixar exercício numa rotina agitada é simples: “Faça [isso] imediatamente.”
O’Brien não era um corredor sério até completar 40 anos, quando “começou a pensar muito mais sobre como cuidar da minha saúde física”. Atualmente corre em média três vezes por semana, incluindo duas corridas matinais de cerca de 10 km e um percurso mais longo ao longo da margem do porto ao fim de semana. Em viagens de trabalho, leva sempre sapatilhas de corrida para explorar a cidade que visita.
Os maiores benefícios são, para ele, a clareza mental e o alívio das pressões do trabalho e da vida pessoal. Este ano, a sua primeira maratona completa foi a Standard Chartered Race de Hong Kong, em janeiro. Em criança, nos anos 1980, recorda com carinho de ter sido voluntário na distribuição de garrafas de água aos corredores da Maratona de Londres — no próximo ano, espera participar na prova.
Três provas de triatlo por ano 
Numa quinta-feira à noite recente, Becky Worthington, diretora financeira cessante do Canary Wharf Group, estava a caminho de uma aula de skiffing ( remo em barco de madeira). No fim de semana seguinte, participou em dois triatlos no sábado e no domingo e num revezamento de natação na segunda-feira. “Este é um fim de semana atípico”, afirma, embora admita ser uma “praticante assídua de exercício físico” que se exercita todos os dias.
A diretora cresceu a correr e a dançar e ingressou no University Officers’ Training Corps, uma unidade da reserva do Exército Britânico.
Fez o seu primeiro triatlo aos 40 anos e hoje, com 54, compete em três provas por ano. Mantém a rotina ao longo de todo o ano: chega ao ginásio às 7h da manhã, antes que qualquer compromisso de trabalho “fuja ao controlo”, e pratica entre 45 minutos a uma hora de ciclismo, corrida, natação e musculação. Ao fim de semana, corre ao ar livre e nada num rio.
Durante as corridas, Worthington notou uma diferença entre os competidores masculinos e femininos. Quando uma mulher “te dá um pontapé sem querer, levanta a cabeça da água, diz ‘ah, desculpe’ e continua”, afirma. “[Mas um homem] usa-te como alavanca para acelerar. Empurra-te para baixo e para dentro da água, para se distanciar mais rapidamente.”
Deixará o cargo a 31 de dezembro e planeia passar a reforma a praticar esqui alpino e esqui de fundo nos Alpes franceses e a velejar no Mediterrâneo.
Yoga para construir resiliência
Durante uma viagem de negócios a Mumbai, Christoph Jurecka, diretor executivo da Munich Re, encontrou-se a praticar yoga após o trabalho com colegas a poucos metros do escritório local da empresa. Para o CEO da maior resseguradora do mundo, foi uma oportunidade memorável de praticar no berço do yoga — e o capítulo mais recente de uma paixão que começou há mais de uma década.
Para Jurecka, o yoga e os seguros têm um propósito semelhante: construir resiliência. Os seguros ajudam a sociedade a absorver choques e a recuperar de contratempos, ao passo que o yoga fortalece o corpo e a mente para lidar melhor com os desafios.
Atualmente, prefere o Ashtanga Yoga, um estilo fisicamente exigente que enfatiza a sincronização da postura, da respiração e da concentração. A intensidade é parte do que o atrai. “Mantém-me em forma física e mentalmente”, afirma. “Ao mesmo tempo, aprende-se a testar os limites do que é possível.”
Em casa, Jurecka costuma começar o dia no seu tapete de yoga e prefere sessões suficientemente intensas para deixar pouco espaço para pensar no dia que se inicia. “Após uma prática exigente, posso começar o dia a sentir-me equilibrado.”
A flexibilidade do yoga é também ideal para viagens. Leva um tapete nas viagens de negócios e de lazer, o que lhe permite praticar em praticamente qualquer lugar.
Treino com pesos
Para o CEO de uma empresa cujo público-alvo principal são entusiastas do ginásio que consomem o máximo de proteína possível, James McMaster, diretor executivo da Huel, tem uma rotina surpreendentemente variada. “Conciliar o exercício físico com a função de CEO e pai de filhos pequenos pode ser difícil. Mas gosto de planear bastante”, afirma.
Treina de acordo com as “zonas” de frequência cardíaca, que indicam o esforço do coração e o que o organismo queima como combustível. A sua zona ideal é a zona 2, a mais eficaz para desenvolver resistência e queimar gordura.
McMaster treina com pesos três a quatro manhãs por semana e, por vezes, encaixa uma sessão “num intervalo aleatório, tipo às 15h”. Duas vezes por semana faz uma sauna de 20 minutos. E às segundas-feiras à noite, junta-se aos colegas da Huel para um jogo de futebol.
Tem uma bicicleta estática na garagem e uma mochila com peso no carro, para treinos improvisados de marcha com carga. “Coloco a mochila quando estou a passear com o cão ou com as crianças… Praticamente duplica a queima de calorias em comparação com uma caminhada normal, proporciona algum exercício na zona 2 e fortalece o abdómen, as costas e as pernas — tudo isto enquanto se faz algo que já se faria de qualquer maneira.”
“O exercício ajuda-me a clarear a mente”, afirma McMaster. “Sinto-me mais no controlo e mais positivo quando estou bem fisicamente. E creio que consigo ser mais produtivo.”
Reuniões a caminhar
Após alguns anos como diretor executivo do grupo britânico de comunicação Freuds, Arlo Brady notou um ligeiro indício de barriga na sua estrutura física esguia, que sempre lhe servira na perfeição nas roupas que usava na universidade.
“Antes dos 45, acho que era bastante resiliente mentalmente e imagino que o meu metabolismo funcionava a um nível diferente, e não creio que eu necessariamente me apercebesse de que este papel me estava a afetar”, afirma. “É muito estimulante, mas é extremamente intenso.”
Brady, de 48 anos, detesta ginásio. Em vez disso, começou a aproveitar as noites de semana em casa para levantar pesos e fazer treinos de 6 km em remo ergométrico. Manteve também o gosto por velejar, andar de bicicleta, jogar padel e remar no Tamisa, em Oxford. Para atingir a meta de 10 000 passos por dia, comprou um Labradoodle australiano e passou a organizar reuniões a caminhar.
Após alguns anos com estas mudanças de estilo de vida, Brady lesionou o joelho num acidente de esqui em Itália e sofreu, em seguida, uma embolia pulmonar durante a viagem de regresso a casa, pela Suíça. Está agora focado em exercícios de reabilitação, estimulação elétrica muscular, sono e hidratação. “Vou ter de me recuperar aos poucos.”
Treino regular para novas ideias 
Joanne Crevoiserat, diretora executiva da Tapestry, empresa de moda sediada em Nova Iorque, dona das marcas Coach, Kate Spade e Stuart Weitzman, fez uma promessa a si própria durante a pandemia: correria todos os dias. Cumpriu a promessa durante anos, correndo por vezes apenas uma milha para manter a sequência. Quando as viagens de trabalho recomeçaram — o que significava voos noturnos que impossibilitavam o esforço das 6h da manhã — a sequência acabou por ser interrompida.
Ainda assim, tenta sair a correr na maioria das manhãs e, quando viaja a trabalho, procura hotéis com bons ginásios. “Tem de ser cedo [geralmente às 6h da manhã] porque é impossível encontrar tempo mais tarde.”
A executiva afirma que mesmo “30 a 45 minutos dão-me energia renovada e espaço para pensar, analisar desafios e, muitas vezes, descobrir novas ideias”.
Inclui treino de força nos seus exercícios duas a três vezes por semana com um personal trainer com quem se encontra habitualmente de forma virtual, “porque geralmente estamos em cidades diferentes”.

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