Foram criados quase um milhão de milionários em 2025. Portugal tem riqueza média de 195.761 dólares
A riqueza média de Portugal atingiu os 195.761 dólares em 2025, de acordo com os dados divulgados pelo UBS Wealth Report. Isto coloca o território luso na 26ª posição do documento elaborado pelo banco suíço. A lista é liderada pela Suíça com 910.382 dólares, seguindo-se os Estados Unidos (696.277 dólares) e o Luxemburgo (654.732 dólares.
O relatório mediu também a riqueza mediana. Nesta tabela lidera o Luxemburgo com 394.005 dólares, seguindo-se a Bélgica e a Austrália com 277.166 dólares e 210.783 dólares. Portugal surge na 26ª posição com 76.978 dólares. Nesta métrica Portugal fica à frente dos Estados Unidos que possuem 68.998 dólares.
“No final de 2025, a riqueza média por adulto em termos nominais variava entre cerca de 43 mil dólares na América Latina e mais de 664 mil dólares na América do Norte. No ano passado, assinalámos a existência de uma divisão entre a América do Norte e a Oceânia, de um lado da marca do meio milhão de dólares americanos, e o resto das regiões do mundo, do outro. Esta divisão mantém-se firme, especialmente se considerarmos os Estados Unidos e a Austrália individualmente. A riqueza média por adulto nos Estados Unidos aproxima-se dos 700 mil dólares, enquanto na Austrália ultrapassou a barreira dos 600 mil dólares. O valor na Europa Ocidental corresponde a menos de metade do nível dos Estados Unidos, enquanto todas as outras regiões estão muito abaixo dos 100 mil dólares”, refere o banco suíço.
Riqueza aumentou 10% em 2025
O UBS Wealth Report que em 2025 a riqueza pessoal aumentar mais de 10%, o ritmo mais rápido dos últimos anos. Foram criados quase um milhão de milionário num ano.
“2025 foi um ano extraordinário para a riqueza global, com a riqueza pessoal a aumentar mais de 10%, o ritmo mais rápido dos últimos anos”, começa por referir o UBS.
Esta subida na riqueza global por impulsionada por factores como “mercados financeiros fortes e por um aumento notável de activos não financeiros, sinalizando uma ampla melhoria dos padrões de vida”. Mas estes ganhos foram desiguais, assinala a instituição bancária suíça. “Enquanto a riqueza média aumentou notavelmente, a riqueza mediana diminuiu na maioria dos mercados, evidenciando uma crescente divisão entre os mais ricos e a população em geral”, indicam os dados.
Voltou-se a verificar um aumento no número de milionários (em dólares), tendo-se atingido níveis recorde em todos os mercados que monitorizámos.
Número de multimilionários cresce 13%
O número de pessoas com uma riqueza superior a mil milhões de dólares aumentou em 2025. O UBS salientou que foram contabilizados 3.302 multimilionários, mais 383 face a 2024.
“Mais de mil destes residem nos Estados Unidos, 562 na China continental e 211 na Índia. A Alemanha e a Rússia vêm logo a seguir, com 193 e 122, respetivamente, sendo os últimos países com uma população de multimilionários
acima de cem”, refere o relatório.
A grande maioria possui ativos avaliados em menos de 50 mil milhões de dólares americanos. “Contabilizámos 18 indivíduos com riqueza entre 50 e 100 mil milhões de dólares americanos e outros 19 com ativos acima de 100 mil milhões de dólares americanos, 15 dos quais estão baseados nos Estados Unidos”, diz o banco suíço.
“Em média, a riqueza dos bilionários aumentou cerca de 25% em 2026 face a 2025. No entanto, este número esconde diferenças substanciais entre países. Por exemplo, na Coreia do Sul e na Hungria, a riqueza colectiva dos multimilionários mais do que duplicou no ano passado, enquanto no Chile aumentou quase 80%. Na República Checa e no México, o aumento foi de quase 60%, no Brasil e na Grécia, de mais de 50%”, diz o relatório.
“Estes saltos, por mais extraordinários que possam parecer, precisam de ser contextualizados com o forte crescimento do número de multimilionários, e não como um caso de multimilionários já existentes a enriquecerem. De facto, a Coreia do Sul passou de 31 multimilionários em dólares para 52, mesmo que este aumento de quase 68% seja ainda insignificante quando comparado com o aumento de 139% da riqueza dos multimilionários no país. A Hungria, por outro lado, passou de quatro para oito multimilionários, o que por si só explica uma duplicação dos seus activos colectivos, mesmo que a riqueza de cada bilionário existente tivesse estagnado”, acrescenta o mesmo documento.
No caso do Chile o número de multimilionários não se alterou, e na República Checa aumentou em apenas duas pessoas, pelo que parece ter ocorrido uma “forte expansão” da riqueza dos multimilionários existentes. “Em seis mercados, o número de multimilionários desceu, diminuindo de 25 para 22 na Tailândia e de 19 para 16 na Arábia Saudita, além de quatro casos em que a redução se limita a um único indivíduo”, assinala.
Mais de 15% da população possui património entre 100 mil dólares e um milhão de dólares
O UBS Wealth Report revela que pouco mais de 15% da população adulta mundial possui um património líquido entre 100 mil dólares e um milhão de dólares.
“A parcela dos que possuem entre 10.000 e 100.000 dólares é quase igual à dos que possuem menos de 10.000 dólares, ou seja, pouco mais de 41%. O património líquido acima de 1 milhão de dólares é detido por 1,5% da população mundial”, refere o relatório.
O UBS adianta que em apenas seis casos da amostra de 56 países, as pessoas com património líquido acima de 100.000 dólares representam mais de 60% da população adulta. “No Luxemburgo, esta percentagem ultrapassa os 70%, enquanto na Austrália e na Bélgica está muito próxima disso. Os outros são Hong Kong, Dinamarca e Nova Zelândia. Em mais 12 nações, mais de metade da população adulta possui um património líquido acima dos 100.000 dólares, como em França, com pouco menos de 60%, na Noruega, com 56%, em Itália, com pouco mais de 52%, bem como no Japão e na Coreia do Sul com pouco mais de 51%. No conjunto da Europa Ocidental, a parcela com património acima de 100.000 dólares representa também mais de metade da população, ou seja, 53%”, adianta.
“A densidade de adultos na faixa de riqueza abaixo de um milhão de dólares americanos apresenta algumas semelhanças com a densidade daqueles acima de um milhão de dólares, mas existem algumas diferenças notáveis. Mais uma vez, as pequenas economias prósperas lideram o ranking. Os Estados Unidos, em quarto lugar na densidade de milionários, estão fora dos dez primeiros nesta faixa de riqueza”, diz o relatório.
Estados Unidos dominam nos novos milionários
O relatório salienta que quase um milhão de novos milionários foram criados em 2025, sendo que os Estados Unidos representam “quase metade” deste crescimento, com mais de 1.200 novos milionários a surgirem todos os dias. “A Europa de Leste liderou o crescimento percentual, enquanto a Ásia-Pacífico e a Europa Ocidental também registaram aumentos significativos”, assinala a instituição suíça.
Em termos absolutos, os Estados Unidos criaram mais de 440 mil novos milionários em 2025, um aumento de 1,9% face a 2024. “O Reino Unido registou mais de 43 mil novos milionários em dólares no ano passado, enquanto a França, a Espanha, o Japão e a Índia ainda viram mais de 30 mil pessoas adicionadas a este grupo”, refere o documento.
“O número de milionários em dólares americanos no mundo tem vindo a aumentar há anos e 2025 não foi exceção: estimamos que a população mundial de milionários tenha crescido 1,5%. Isto pode não parecer muito, mas corresponde a quase um milhão de novos milionários criados em 2025, ou mais de 2.680 por dia”, reforça o relatório.
As taxas de crescimento mais elevadas de milionários em dólares americanos estão na Europa de Leste, “liderada pela Lituânia com um aumento de 8% em relação ao ano anterior, seguida pela Turquia, Letónia e Hungria, todas com uma taxa de crescimento acima dos 5%”. O relatório assinala que nenhum país da amostra de 56 mercados terminou o ano de 2025 com menos milionários do que tinha no início.
O UBS assinala também que a pirâmide global da riqueza está a sofrer uma transformação, com a faixa de riqueza mais baixa a diminuir e mais pessoas migrando para faixas de riqueza mais elevadas.
“Em 2025, 1,5% dos adultos da nossa amostra possuem mais de um milhão de dólares, enquanto a parcela dos que têm menos de 10 mil dólares. Notavelmente, as gamas de riqueza intermédias estão a expandir-se, refletindo uma promoção constante de indivíduos na escala de riqueza”, diz o relatório.
“Semelhante às nossas conclusões em edições anteriores deste relatório, mais de 40% dos milionários em dólares do mundo vivem nos Estados Unidos, totalizando mais de 23,6 milhões de pessoas dos cerca de 57,5 milhões de milionários da nossa amostra. A Europa Ocidental alberga pouco menos de 15 milhões de milionários em dólares, ou 25% do total. Um número quase idêntico de milionários reside na região Ásia-Pacífico, liderada pela China continental com mais de 5,3 milhões e seguida pelo Japão com cerca de 3 milhões”, indica o UBS Wealth Report.
A América do Norte concentra a maior parte dos milionários em dólares americanos no mundo, principalmente devido aos Estados Unidos. “A combinação da América do Norte com a Grande China resulta em mais de 56% da população mundial de milionários, enquanto a América do Norte e a Europa Ocidental, em conjunto, albergam mais de 70% dos milionários do mundo. A Grande China e o Sudeste Asiático concentram mais de um quinto do total mundial”, diz o relatório.
A Alemanha, o Reino Unido e a França surgem no quarto, quinto e sexto lugar do ranking, bem como as últimas entradas acima dos dois milhões de milionários em dólares. “Austrália, Coreia do Sul, Holanda, Itália e Espanha vêm logo a seguir com números entre um e dois milhões”, assinala o documento.
“A Suíça e a Índia albergam um número quase idêntico de milionários em dólares, aproximadamente 944.000, um pouco abaixo do grupo de Espanha. Alguns países do nosso ranking ostentam um elevado número de milionários, apesar da sua pequena dimensão. Taiwan alberga mais de 770.000 destes indivíduos e Hong Kong, quase 630.000. O Brasil alberga a maior concentração de milionários em dólares da América Latina, com aproximadamente 386.000 pessoas, seguido pelo México com cerca de 333.000”, elenca o ranking.
Europa e Médio Oriente com crescimento mais forte
Os dados dizem ainda que a Europa e o Médio Oriente apresentaram o crescimento da riqueza “mais forte” em 2025, com a riqueza regional a aumentar quase 18%. “A Europa Ocidental, em particular, registou um crescimento de quase 17%, enquanto a Europa Oriental teve um aumento de 28%. Esta força regional aumentou a participação da Europa, Médio Oriente e África (EMEA) na riqueza global, mesmo com a queda da participação da Ásia-Pacífico”, diz o relatório.
“O crescimento da riqueza na Ásia-Pacífico abranda, mas as oportunidades mantêm-se. Embora o crescimento da riqueza na Ásia-Pacífico tenha ficado atrás de outras regiões, com pouco mais de 5,9% em 2025, a região continua a ser uma potência para indivíduos com elevado património líquido, especialmente na Grande China e no Sudeste Asiático. O ritmo mais lento reflecte os efeitos cambiais e a dinâmica do mercado, mas a tendência a longo prazo continua positiva”, explica a instituição bancária.
O relatório acrescenta que o “notável crescimento” da riqueza na Europa e no Médio Oriente em 2025 levou a um ligeiro aumento da participação desta região na riqueza global, elevando-a de pouco menos de 25% em 2024 para mais de 26% em 2025.
“Este ganho ocorre quase inteiramente à custa da Ásia-Pacífico, que vê a sua quota cair de quase 36% em 2024 para os 32,8% em 2025. A quota da riqueza das Américas manteve-se estável em cerca de 40%”, diz o documento.
“O notável crescimento da riqueza na Europa e no Médio Oriente em 2025 levou a um ligeiro aumento da participação desta região na riqueza global. Muitos mercados desta região, por estarem indexados ou ligados ao dólar norte-americano, não beneficiaram do efeito lisonjeiro de ver as suas moedas valorizarem da mesma forma que o euro”, acrescenta o banco.
No caso dos Estados Unidos expandiram ainda mais a sua participação na riqueza global desde 2024. “Agora, o país detém 35,7% da riqueza pessoal encontrada na nossa amostra. A Europa Ocidental surge logo a seguir, com pouco menos de 22%. Impulsionada pela sua grande população, a Grande China ocupa o lugar seguinte, com 18,5%, um pouco menos do que no ano passado. Assim, apenas dois mercados – os Estados Unidos e a Grande China – continuam a albergar, em conjunto, mais de metade da riqueza pessoal mundial que monitorizamos, medida em dólares americanos, como foi noticiado pela primeira vez na edição do ano passado deste relatório”, refere o UBS.
Os mercados emergentes representavam pouco mais de 8% da riqueza global no ano 2000. “Desde então, a sua quota aumentou progressivamente até atingir um pico de quase 29% em 2022. No entanto, a partir de 2023, esta quota voltou a diminuir, caindo para pouco mais de 26% no final de 2025. À medida que os mercados emergentes amadurecem, as suas taxas de crescimento estabilizam naturalmente, alinhando-se com as dos mercados desenvolvidos”, diz o relatório.
O relatório diz ainda que a dívida das famílias voltou a aumentar em 2025, depois de ter diminuído em 2024. “Na verdade, cresceu ao ritmo mais acelerado desde 2017. Ou seja, após um raro episódio de desalavancagem, a dívida das famílias voltou a normalizar. A riqueza financeira, a riqueza não financeira e a dívida aumentaram em 2025 em relação a 2024. A riqueza não financeira cresceu pela primeira vez desde 2023”, acrescenta o banco.
Riqueza da Coreia do Sul cresceu mais de 50% desde 2020
O UBS analisou também a evolução da riqueza desde o início da década, ou seja desde 2020, medida em termos reais, e em moeda local. A Coreia do Sul viu a sua riqueza média real por adulto aumentar mais de 55%, ficando à frente da Rússia (37%), da Croácia (29%) e da Noruega (27%). “Nove nações viram a sua riqueza aumentar mais de 20% nesse período, outras oito mais de 15% e oito mais de 10%”, refere.
“Em 15 casos, a riqueza média por adulto desceu, por vezes moderadamente, como no Brasil (-3,13%) e em França (-4,52%), por vezes mais drasticamente, como na Holanda (-14,36%) e no Reino Unido (-23,2%). Num único caso, praticamente nada mudou: em Itália, esta métrica tem-se mantido praticamente estável desde 2020”, assinala o documento.
“Em termos de mediana, o cenário é menos optimista, sem dúvida fortemente influenciado pelo crescimento bastante negativo previsto para 2025, uma vez que menos de metade dos países da nossa amostra goza de maior riqueza per capita do que no início da década. O Japão lidera o ranking com um crescimento acumulado acima dos 50% desde 2020, seguido pelos Emirados Árabes Unidos com mais de 40%. No Chipre, Tailândia e Índia, a riqueza mediana aumentou cerca de 20% nesse período e na Coreia do Sul, mais de 12%. Por outro lado, contabilizamos 20 mercados nos quais esta medida de riqueza caiu mais de 10%”, diz o UBS.
Suécia lidera no peso dos ativos financeiros
O relatório refere que a grande maioria da riqueza por adulto na Suécia, Israel e Taiwan consiste em activos financeiros, com valores de 83,6%, 82,1% e 80,8%. “Nos Estados Unidos, os activos financeiros representam ainda quase 79% da riqueza pessoal, no Brasil pouco mais de 73%, em Hong Kong pouco menos de 70% e na Suíça cerca de 65%. Singapura é o último país da nossa amostra onde os activos financeiros representam mais de 60% do total, limite que os Emirados Árabes Unidos (EAU) e a Arábia Saudita quase atingem. A China continental e a Itália estão posicionadas cerca da marca de 50%”, diz o documento.
“No extremo oposto da escala, encontramos um valor abaixo do 20% na Turquia, abaixo dos 26% na Índia, pouco acima dos 31% na Espanha e próximo dos 44% na Alemanha. Verificámos também grandes variações no nível de endividamento, desde há mais de um quarto da riqueza bruta na Noruega, 23% no Brasil e aproximadamente 20% na Suíça e no Reino Unido, até valores tão baixos como 5,2% no México, cerca de 6% na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, pouco menos de 7,5% em Hong Kong e pouco menos de 9% na Itália. Nos Estados Unidos, na Alemanha e na China continental, a dívida representa aproximadamente 10 a 11% da riqueza bruta pessoal”, adianta a instituição bancária.
No caso de Portugal 37% da riqueza resulta de ativos financeiros e a dívida tem um peso de 11,4%.
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