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Presidente do Bundesbank admite que inflação deve permanecer acima do objetivo

Presidente do Bundesbank admite que inflação deve permanecer acima do objetivo

Apesar da estabilização da cotação do barril de petróleo após o memorando de entendimento entre norte-americanos e iranianos, o risco de a inflação permanecer acima do objetivo na zona euro é real e considerável, reconheceu o líder do banco central alemão.
Em declarações à CNBC à margem do Fórum do Banco Central Europeu (BCE) que se realiza esta semana em Sintra, Joachim Nagel admitiu que a probabilidade de o indicador de preços continuar elevado existe, mesmo com o acordo preliminar entre os EUA e Irão que trouxe maior estabilidade e previsibilidade ao mercado energético.
“O choque energético […] continua no sistema, pelo que suspeito que a inflação continue significativamente acima do objetivo”, afirmou o presidente do Bundesbank à cadeia norte-americana.
Recorde-se que o índice de preços no consumidor (IPC) está a subir há quatro leituras consecutivas na zona euro, tendo chegado a 3,2% em maio, o valor mais alto desde setembro de 2023. A título comparativo, janeiro arrancou com uma inflação de 1,7%.
Também o indicador subjacente subiu até 2,6%, ou seja, bem acima do objetivo de 2% definido pelo BCE para o médio prazo. Isolando a componente energética, esta passou de leituras homólogas negativas até fevereiro para uma subida de 10,8% nos últimos dois meses.
Os comentários de Nagel surgem após o BCE ter subido taxas na mais recente reunião de política monetária, em junho, pela primeira vez desde 2023, precisamente à boleia da pressão acrescida nos preços decorrente do choque energético criado pela decisão norte-americana e israelita de bombardear o Irão.
O presidente do Bundesbank defendeu a decisão, falando numa “situação muito opaca” que irá requerer maior definição e clareza. Ainda assim, o presidente do banco central alemão não abriu o jogo quanto ao que se pode esperar no futuro próximo quanto aos juros diretores para a moeda única.
Nagel alinha assim com as declarações da presidente do BCE, Christine Lagarde, que argumentou no jantar de receção aos convidados do Fórum esta segunda-feira que foi acertado optar por subir taxas em junho.
O mercado antecipa pelo menos mais uma subida de 25 pontos base (pb) até final do ano, o que colocaria a taxa terminal deste ano em 2,5%, de acordo com os dados da LSEG citados pela CNBC.

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