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Emprego nos EUA perde força e iene em mínimos desde 1986. O peso da demografia?

Emprego nos EUA perde força e iene em mínimos desde 1986. O peso da demografia?

Esta semana, o relatório do emprego nos EUA evidenciou menos força do que a descida da taxa de desemprego sugere. A taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2%, mas esta melhoria não resultou da forte criação de emprego. Foram criados apenas 49 mil postos de trabalho não agrícolas, um número que, isoladamente, não justificaria uma descida da taxa de desemprego. Ou seja, a queda do desemprego foi explicada pela descida da taxa de participação no mercado de trabalho, que recuou três décimas, de 61,8% para 61,5%, regressando aos valores da primavera de 2020, durante a fase mais grave da pandemia de covid-19.
Há cada vez menos pessoas a entrar ou a permanecer na força de trabalho, reduzindo ’artificialmente’ a taxa de desemprego. Até que ponto a valorização das bolsas e o efeito riqueza nos EUA estão a afastar algumas pessoas do mercado de trabalho? Contudo, o efeito riqueza não será provavelmente a única explicação. O envelhecimento da população, as reformas antecipadas, a menor entrada de imigrantes e, sobretudo, a substituição de trabalhadores por inteligência artificial também podem explicar a queda da taxa de participação.
Assim, uma criação de emprego mais fraca e a queda da taxa de participação no trabalho, revelam menor dinamismo da economia americana. Ao mesmo tempo, a diminuição da força laboral pode manter pressões salariais e inflacionistas, dificultando a tarefa da Reserva Federal.
Esta semana também fica marcada pela renovação de mínimos do iene japonês face à moeda norte-americana, aproximando-se dos 163 ienes por dólar, o nível mais baixo desde 1986. Esta desvalorização não é explicada apenas pelo diferencial de taxas de juro entre os EUA e o Japão, mas também em parte pela evolução demográfica do Japão.
O Japão é um caso paradigmático na compreensão da relação entre demografia, inflação, taxas de juro e taxa de câmbio. Nas últimas décadas, a economia japonesa tem sido sobretudo influenciada pela evolução da estrutura etária da população e pela implosão da bolha imobiliária e financeira do início da década de 1990.
Desde finais da década de 1970, o crescimento da população nipónica começou a desacelerar gradualmente e, em 2010, o Japão atingiu o seu máximo histórico, com 128 milhões de habitantes, entrando desde então em declínio populacional. Em apenas quinze anos, o país perdeu cinco milhões de habitantes, enquanto a esperança média de vida continuou a aumentar, atualmente entre as mais elevadas do mundo, nos 85 anos em 2025.
Para compreender a evolução da inflação em função da estrutura demográfica, a população pode ser dividida em três partes. A primeira corresponde à infância e juventude, período em que os indivíduos consomem, mas ainda não produzem, uma fase, por isso, potencialmente inflacionista. A segunda é a fase ativa, entre os 20 e os 65 anos, durante a qual as pessoas trabalham, produzem, poupam e sustentam o crescimento económico, uma fase desinflacionista ou mesmo deflacionista.
Finalmente, a terceira fase corresponde à velhice, momento em que as pessoas deixam de produzir, mas continuam a consumir, principalmente cuidados de saúde, medicamentos, cuidados continuados e lares, regressando, assim, as pressões inflacionistas. No Japão, esta última fase tem um peso cada vez maior e poderá ditar um aumento estrutural da inflação, sobretudo num país tradicionalmente avesso à imigração.
Durante grande parte das últimas três décadas, o Japão enfrentou baixa inflação ou mesmo deflação. Este fenómeno foi, em parte, ditado pela desalavancagem dos balanços das famílias, empresas e bancos após o colapso da bolha imobiliária. Contudo, esta fase parece estar a acabar. Os preços do imobiliário recuperaram e regressaram a máximos históricos, enquanto o Nikkei 225 continua a renovar recordes.
Paralelamente, o peso da população idosa continua a aumentar. Assim, a inflação reapareceu no Japão e poderá ser mais elevada nos próximos anos. Caso esta tendência se consolide, o Banco do Japão poderá ser obrigado a acelerar a subida das taxas de juro para conter as pressões inflacionistas. Embora taxas de juro mais elevadas possam travar a desvalorização do iene, o envelhecimento da população limita o crescimento económico, podendo simultaneamente contribuir para uma inflação mais elevada e para a continuação da depreciação da moeda japonesa.

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