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Projeto português em Sines quer ser alternativa à China

Projeto português em Sines quer ser alternativa à China

Um projeto português em Sines tem o objetivo de refinar um mineral crítico para contornar as restrições que a China tem imposto.
A ACM – Alchemy & Critical Metals já reservou um terreno em Sines para um projeto na fileira de baterias. O acordo foi fechado com a aicep Global Parques (AGP) para um terreno de 131 mil m2 na ZILS – Zona Industrial e Logística de Sines com direito de superfície de 30 anos.
O objetivo é produzir 10 mil toneladas de antimónio metálico por ano, com 7.500 toneladas que correspondem a produção primária e 2.500 toneladas com origem em reciclagem.
Este metal está na lista de matérias-primas críticas da União Europeia, no âmbito do Critical Raw Materials Act.
Este é um metal essencial para setores como a energia, a indústria tecnológica, os semicondutores, a mobilidade e a defesa, com a produção e refinação a estar concentrada na China, que tem colocado limites à sua exportação.
A China é o principal produtor mundial de antimónio com 40 mil toneladas em 2025, seguida da Rússia com 32 mil toneladas e do Tajiquistão com 22 mil. Em termos de reservas, a China volta a dominar com 830 mil toneladas, seguida da Rússia com 350 mil e da Bolívia com 310 mil, segundo dados do governo norte-americano.
Em termos de preço, o antimónio valeu 25 dólares por libra em 2025, o dobro do registado em 2024. A China tem colocado restrições às exportações do antimónio.
A China tem imposto restrições à exportação nos últimos anos, o que tem colocado sob pressão as cadeias de abastecimento europeias, com tensões nos mercados internacionais e disparo nos preços.
O projeto tem previsto entrar em operação em 2030 e prevê criar 150 postos de trabalho diretos altamente qualificados e 300 postos de trabalho indiretos, associados à cadeia de valor, logística, serviços e fornecedores, com impacto relevante na dinamização económica da região, de acordo com o comunicado divulgado.
Questionada pelo JE, a ACM reconhece que será um “investimento industrial de elevada dimensão e relevância estratégica para o desenvolvimento da cadeia de valor europeia de matérias-primas críticas”, mas não revela valores, pois “nesta fase, o montante total de investimento encontra-se ainda em processo de consolidação, sendo que o respetivo valor será confirmado no âmbito da decisão final de investimento, etapa para a qual o projeto avança agora”.
Em termos de financiamento, os promotores do projeto destacam que a “a estruturação do financiamento está em curso e a sua configuração final será fixada no âmbito da decisão final de investimento”.
“O antimónio é uma matéria-prima crítica com aplicação em diversos setores como a defesa, os semicondutores, a energia, entre outros. A produção da refinaria destina-se principalmente ao mercado industrial europeu, no quadro dos objetivos de processamento interno de matérias-primas críticas definidos pela União Europeia”, segundo a companhia.
Desde 2024 que a China anunciou restrições às exportações. Este é um metal usado em 200 tipos de munições militares. Os preços dispararam então 2.600% com as vendas ao exterior a colapsarem. Mas esta foi apenas uma de várias restrições à venda de minerais críticos, com a China a impor restrições à venda de vários minerais críticos e terras raras.
A empresa foi criada em fevereiro deste ano, contando com dois sócios. Isidro de Brito e João Joaquim Diniz. Questionada se vão entrar mais acionistas e de que nacionalidade, a empresa respondeu que a “ACM foi fundada por dois sócios portugueses e o projeto prevê a entrada de novos investidores no âmbito da estruturação de capital em curso, privilegiando-se uma base acionista de matriz portuguesa, de forma a manter o centro de decisão em Portugal e a assegurar que a influência estratégica sobre um ativo de relevância crítica permanece no âmbito da soberania nacional”.
Sobre o licenciamento do projeto e a sua componente ambiental, este “integra o plano de trabalhos em curso”.
Um dos objetivos da empresa é que seja reconhecido como Projeto de Potencial Interesse Nacional (PIN), estando em “curso a candidatura” com a missão de refletir a “relevância estratégica para o país e para a cadeia de valor europeia de matérias-primas críticas”.
Vai ser em Sines que vai ficar instalada uma fábrica de baterias dos chineses da CALB, um projeto de dois mil milhões de euros. Questionado se os dois projetos estão relacionados, de forma formal ou na perspetiva de a ACM se tornar fornecedora da CALB, os promotores dizem que o projeto é “autónomo e desenvolve-se de forma independente”.
“Naturalmente, a ACM está aberta a sinergias e parcerias que possam gerar valor mútuo no quadro do ecossistema industrial da região – desde logo com o Porto de Sines e em articulação com as três Agendas Mobilizadoras do PRR de forte ancoragem industrial e logística em Sines: Sines Green Hydrogen Valley, Agenda Moving2Neutrality e Agenda NEXUS, nas quais o projeto da ACM, encontra maior afinidade”, respondem.
Sobre se já tinham fechado acordos para venda de produto e quais os mercados e os setores preferidos, a ACM sublinha que a “estratégia comercial e os acordos de aquisição (offtake) integram a fase de estruturação em curso”.
E onde comprar a matéria-prima para a refinar? “O abastecimento assentará numa base diversificada de fornecimento, a partir de vários países, que serão anunciados oportunamente. Esta estratégia está alinhada com o objetivo do projeto de reforçar a autonomia e a resiliência das cadeias europeias de matérias-primas críticas”.
Este projeto nasceu da “constatação de uma vulnerabilidade estratégica europeia: a refinação de antimónio está fortemente concentrada em poucos mercados, e as recentes restrições à exportação expuseram a fragilidade das cadeias de abastecimento. A ACM foi criada para responder a essa lacuna, criando capacidade própria de refinação em solo europeu, com Portugal e a ZILS – Sines como localização de referência”, de acordo com a ACM.
Já a Aicep Global Parques destaca que este projeto representa uma “oportunidade de afirmação enquanto localização de referência para a transformação de matérias-primas críticas, contribuindo para os objetivos europeus de processamento interno destes materiais até 2030”.
Sublinha as “condições logísticas e energéticas da ZILS, em Sines, e da proximidade e acesso direto ao Porto de Sines, bem como de ligações ferroviárias e rodoviárias estruturantes e infraestruturas energéticas de grande capacidade, a unidade reúne fatores determinantes para a sua competitividade e eficiência operacional, podendo posicionar Portugal como um dos principais intervenientes na cadeia de valor europeia do antimónio”.

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