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Jefferies mantém recomendação de compra para o BCP e vê potencial de valorização de 16% antes dos resultados

Jefferies mantém recomendação de compra para o BCP e vê potencial de valorização de 16% antes dos resultados

O Jefferies reiterou a recomendação de “Buy” para o BCP e manteve o preço-alvo de 1,24 euros por ação, o mais elevado entre as casas de investimento que acompanham o banco, o que representa um potencial de valorização de cerca de 16% face à cotação atual.
Numa nota de antecipação dos resultados do segundo trimestre, que serão divulgados a 29 de julho, o banco de investimento considera que a tese de investimento permanece intacta, sustentada pelo crescimento rentável da atividade em Portugal e na Polónia.
Os analistas estimam que o BCP apresente um lucro atribuível de 249 milhões de euros no segundo trimestre, um valor cerca de 8% abaixo do consenso de mercado. A diferença explica-se sobretudo por uma estimativa mais elevada para os encargos obrigatórios pagos em Portugal, nomeadamente a contribuição para o setor bancário e para o Fundo de Resolução, que o Jefferies calcula em cerca de 45 milhões de euros, acima dos 18 milhões considerados pelo consenso.
Ao nível da atividade, o Jefferies antecipa uma evolução favorável da margem financeira, apoiada pelo forte crescimento do crédito e dos depósitos em Portugal e pela dinâmica do mercado polaco. A casa de investimento prevê que a margem financeira do grupo aumente 2% face ao trimestre anterior e 5% em termos homólogos, com Portugal a registar um crescimento de 3% em cadeia e de 11% em relação ao mesmo período do ano passado.
Em termos de capital, o Jefferies espera que o rácio CET1 permaneça estável no segundo trimestre, após a evolução mais fraca registada no arranque do ano, antecipando uma melhoria na segunda metade de 2026. Entre os fatores positivos identificados estão o impacto de operações de transferência significativa de risco (SRT) e uma redução da dedução relacionada com interesses minoritários na subsidiária polaca.
A nota aborda ainda a especulação em torno da participação da chinesa Fosun no capital do BCP. Segundo notícias recentes da imprensa portuguesa, a seguradora belga Ageas poderá adquirir uma participação de 5% da posição de 20% detida pela Fosun. Embora nenhuma das empresas tenha confirmado essa possibilidade, o Jefferies considera que uma eventual redução da participação da Fosun seria positiva a médio prazo, sobretudo se conduzisse à entrada de um acionista estratégico de longo prazo e eliminasse um fator de pressão recorrente sobre a ação.
Apesar da forte valorização registada nos últimos anos, o Jefferies considera que as ações do BCP continuam atrativas. O banco salienta que o BCP negoceia em linha com o setor bancário europeu, apesar de apresentar uma rendibilidade dos capitais próprios tangíveis (RoTE) superior em mais de dois pontos percentuais e um crescimento esperado dos lucros por ação praticamente duas vezes superior ao da média dos bancos europeus entre 2025 e 2028.
O Jefferies mantém, assim, uma das perspetivas mais otimistas para o banco português, sustentando que as estimativas de lucros para 2028 permanecem cerca de 7% acima do consenso do mercado.

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