Mercado de bens pessoais de luxo vai crescer até 4% em 2026
Segundo o estudo “Luxury Goods Worldwide Market Study” da Bain & Company e da Altagamma, o mercado dos bens pessoais de luxo – vestuário, calçado, joalharia, relojoaria, óculos, fragrâncias e cosméticos – deverá crescer entre 2% e 4%, totalizando entre 365 mil milhões de euros e 373 mil milhões de euros.
As Américas lideram o crescimento, impulsionadas sobretudo pelos EUA, onde o consumo de luxo aumenta nas categorias de vestuário, joalharia e relojoaria e, em menor grau, de beleza. No primeiro trimestre, as marcas de luxo norte-americanas registaram um crescimento homólogo entre 10% e 15%, sem considerar o efeito cambial. O estudo destaca ainda que os consumidores com menos de 35 anos e os agregados familiares da classe média alta são os principais motores deste crescimento.
Na China, a recuperação prossegue de forma gradual, com as vendas online de produtos de luxo a crescerem entre 25% e 35% no primeiro trimestre e com maior procura por vestuário face à marroquinaria. No Japão, por sua vez, o abrandamento do turismo, particularmente proveniente da China, continua a condicionar o mercado.
Já a Europa permanece como a região mais frágil. Em fevereiro, as despesas dos turistas internacionais caíram cerca de 20%, penalizadas pela redução dos visitantes oriundos do Médio Oriente, cuja base de consumidores de luxo diminuiu entre 15% e 25% no início de 2026. Ainda assim, o estudo assinala sinais de melhoria no segundo trimestre, com os dados de maio a evidenciarem uma aceleração das compras realizadas por turistas norte-americanos, chineses e do Médio Oriente face a abril.
O estudo assinala que cerca de metade dos consumidores de luxo já utiliza a IA no processo de compra e quase todos pretendem continuar a fazê-lo. Aproximadamente 25% dos consumidores recorre à IA para a descoberta de marcas e produtos e dois em cada três utilizam-na para comparação de produtos.
“O mercado do luxo está a estabilizar, mas isto não é um regresso ao ritmo anterior, é o surgimento de um novo. Os consumidores não estão a afastar-se do luxo. Estão a avançar para uma nova relação com ele – uma relação definida pelo significado e não apenas pelo produto. As marcas que sairão vencedoras serão aquelas que conseguirem reinventar continuamente a sua relevância e estabelecer uma ligação tanto com os consumidores como com os ecossistemas orientados pela IA”, afirma Claudia D’Arpizio, sócia sénior da Bain & Company, líder global da área de moda e luxo da empresa e autora principal do estudo.
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