Exames nacionais: inquérito parlamentar é “cada vez mais inevitável”, diz PS
Depois de ter sido noticiado que o Ministro da Educação, o Secretário de Estado e o pessoal dos respetivos gabinetes tiveram acesso ao espaço em que estão concentradas as provas de exames nacionais, o PS criticou, ao Jornal Económico”, todo o processo e afirmou que está “irremediavelmente comprometida a confiança na fiabilidade” dos exames. Antes de falar com o JE, conforme já tinha sido dito na sede do partido, o PS defendeu que um inquérito parlamentar é “cada vez mais inevitável”
O dirigente do PS, André Moz Caldas, considerou que, este ano, todo o processo em torno dos exames foi “caótico”.
Para os socialistas “Está irremediavelmente comprometida a confiança na fiabilidade do processo e caso se confirmem estas recentes notícias de que houve pessoas não habilitadas para contactar com as provas de exames que o fizeram nos últimos dias”.
“No início colocava-se a questão de saber se o processo ia ser concluído na data prevista, mas já estamos para além disso. Neste momento existem dúvidas se os professores dedicaram o tempo e ponderação necessária, se o processo não foi feito à pressa”, afirmou André Moz Caldas.
O PS espera o processo consiga “chegar ao seu termo”. “Que os estudantes e as famílias não veja o fim da conclusão dos estudos e o acesso ao ensino superior prejudicado, que os professores consigam manter alguma paz no encerramento deste ano letivo”
“É preciso verificar com profundidade as causas deste problema e avaliar a estratégia que o Governo foi desenvolvendo”, disse André Moz Caldas, recordando que o ministro da Educação vai prestar declarações no Parlamento a 17 de julho, dia da divulgação dos resultados dos mais de 300 mil exames do secundário.
O PCP avançou com um debate de urgência potestativo para 17 de julho, exigindo que Fernando Alexandre preste esclarecimentos no Parlamento. Segundo os comunistas, o debate visa “assegurar que nenhum estudante é prejudicado neste processo caótico de avaliação dos exames nacionais, cujos responsáveis são o ministério e o Governo”.
Também o Chega tinha anunciado que iria insistir na realização de um debate de urgência no dia 17. Anteriomente o pedido tinha sido indeferido pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco.
Já o primeiro-ministro, Luís Montenegro, reforçou a sua confiança em Fernando Alexandre. O chefe de Governo afirmou que os membros do seu Executivo “estão no Governo para resolver problemas, não é para se queixarem dos problemas”.
“Mas estaria em causa alguma vez a confiança que eu tenho nos ministros? isso não é uma questão”, acrescentou Montenegro.
No sábado, professores foram convocados à última hora para corrigir exames nacionais. Um caso a que a SIC teve acesso, um professor de Português que inicialmente não estava convocado para classificar exames, acabou por ser chamado à última hora para corrigir perto de 200 questões da disciplina de Português.
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