Gestoras de ativos enfrentam pressão para crescer além da subida dos mercados, diz BCG
A indústria global de gestão de ativos entrou numa nova fase em que o crescimento dependerá cada vez menos da valorização dos mercados financeiros e mais da capacidade de captar novos clientes, reforçar a distribuição e incorporar tecnologias como a inteligência artificial (IA) e a tokenização, segundo um estudo divulgado esta segunda-feira pela Boston Consulting Group (BCG).
Os ativos sob gestão globais aumentaram 11% em 2025, para um máximo de 147 biliões de dólares, mas mais de 80% do crescimento bruto das receitas do setor foi impulsionado pela valorização dos mercados, evidenciando a dependência de fatores externos, refere o relatório “Global Asset Management Report 2026”.
Apesar de os ativos sob gestão terem quase triplicado desde 2010, a rentabilidade do setor manteve-se praticamente estável, uma vez que o aumento dos custos superou o crescimento das receitas. Segundo a consultora, a pressão resulta da compressão das comissões, do crescimento dos fundos passivos e ETF e do aumento do investimento em tecnologia.
A BCG considera que a inteligência artificial poderá desempenhar um papel central nesta transformação, estimando uma redução dos custos operacionais entre 25% e 35% nos próximos três a cinco anos. A tecnologia poderá também multiplicar a capacidade de análise e de cobertura de clientes, embora a maioria das gestoras ainda esteja numa fase inicial da adoção, limitada a projetos-piloto.
O relatório destaca ainda que a distribuição ganha importância face ao desempenho dos produtos, numa altura em que vários elementos da gestão de ativos tendem a tornar-se mais padronizados. Segundo a consultora, a vantagem competitiva passará crescentemente pela capacidade das gestoras de assegurar presença nos canais onde os investidores tomam decisões e alocam capital.
Num segundo estudo, dedicado aos ativos digitais, a BCG afirma que a tokenização deverá transformar a infraestrutura dos mercados financeiros, desde a liquidação à custódia e distribuição de ativos. A consultora estima que os ativos reais tokenizados possam atingir 14 biliões de dólares até 2030 e cerca de 55 biliões de dólares em 2035, podendo representar aproximadamente 16% dos ativos globais investíveis no cenário mais otimista.
Na Europa, a BCG considera que o envelhecimento demográfico e a necessidade de reforçar os sistemas de pensões capitalizados poderão favorecer o crescimento da indústria. O estudo acrescenta que quase metade dos investidores globais pretende aumentar a diversificação geográfica das carteiras, sendo a Europa o principal destino identificado, criando oportunidades para gestoras com forte capacidade de distribuição na região.
No conjunto, os estudos concluem que o crescimento futuro da gestão de ativos dependerá da capacidade das gestoras para captar novos fluxos, adaptar os seus modelos operativos e integrar tecnologias como a inteligência artificial, mais do que da evolução dos mercados financeiros.
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