Prémios Nobel da Economia e líderes de empresas tecnologicas alertam para os riscos da IA
“A IA poderá tornar-se radicalmente mais poderosa ao longo da próxima década”, escreveram os investigadores numa declaração divulgada esta segunda-feira, acrescentando que a tecnologia “poderá trazer riscos, incluindo o deslocamento em grande escala de trabalhadores, bem como oportunidades, como ganhos significativos nos padrões de vida”.
A declaração, intitulada “We Must Act Now” [“Temos de Agir Já””, em tradução livre], foi assinada por quase 200 pessoas, incluindo 15 laureados com o Prémio Nobel e os economistas-chefes de dois dos principais laboratórios de IA, o OpenAI e a Anthropic. Entre os outros signatários de destaque encontram-se Jack Clark, cofundador da Anthropic; Eric Schmidt, antigo diretor-executivo da Google; e Vinod Khosla, um destacado investidor de capital de risco, de acordo com o “The New York Times”.
Vários líderes da indústria tecnológica têm vindo a alertar que, à medida que a IA se tornar mais poderosa, poderá rapidamente assumir uma grande parte do trabalho humano, conduzindo a um desemprego generalizado.
Por sua vez, alguns economistas têm sido mais cepticos e salientam que as tecnológicas tendem a ocorrer de forma mais gradual do que é previsto pelos defensores da indústria tecnológica, mas outros têm uma ideia diferente, e mostram-se preocupados com o facto de a IA estar a disseminar-se pela economia de forma mais rápida e mais abrangente do que tecnologias anteriores, e consideram que a sua profissão está a desvalorizar os riscos.
Efeitos maiores do que da Revolução Industrial
De acordo com o “The New York Times”, a declaração divulgada esta segunda-feira alerta que os efeitos da IA poderão ser “maiores do que os da Revolução Industrial, mas desenrolando-se num período de tempo incomparavelmente mais curto”.
De forma significativa, a lista de signatários inclui algumas pessoas que, no passado, se destacaram pelo seu ceticismo em relação à IA, entre elas Daron Acemoglu e Simon Johnson, professores no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que receberam o Prémio Nobel da Economia em 2024. “Tem havido uma mudança notável na profissão”, afirmou ao “The New York Times”, Erik Brynjolfsson, economista da Universidade de Stanford que ajudou a organizar a declaração. Disse que o seu objetivo era levar economistas e decisores políticos a encararem com maior seriedade o potencial disruptivo da IA. “Continuo a ver um grande fosso, um grande desfasamento, e estou um pouco preocupado com o facto de não estarmos preparados para o tsunami que aí vem”, afirmou.
Muitos economistas, incluindo Erik Brynjolfsson, afirmam acreditar que a IA acabará por ser benéfica, tornando os trabalhadores mais produtivos e elevando os padrões de vida. Apontam exemplos históricos de tecnologias — incluindo a energia a vapor e o computador pessoal — que eliminaram algumas categorias de empregos, mas acabaram por criar muitas mais.Contudo, mesmo que a IA siga o mesmo padrão a longo prazo, poderá ser altamente disruptiva no curto prazo, podendo substituir milhões de trabalhadores qualificados de escritório. Os economistas têm alertado que o sistema de subsídio de desemprego e outros programas de proteção social não estão preparados para lidar com um afluxo dessa dimensão.
“Se olharmos para o que os robôs fizeram no setor industrial, se a IA fizer algo equivalente num período de tempo mais curto, isso será verdadeiramente disruptivo e terá um custo muito elevado para os meios de subsistência das pessoas”, afirmou Daron Acemoglu, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Daron Acemoglu disse que continua cético quanto à possibilidade de a IA se revelar tão revolucionária, e tão rapidamente, como muitos em Silicon Valley preveem. No entanto, afirmou que os avanços recentes o deixaram mais preocupado com a possibilidade de perdas significativas de empregos. Tem defendido que os laboratórios de IA desenvolvam ferramentas que complementem o trabalho humano, em vez de procurarem substituí-lo.
A declaração apela a economistas, decisores políticos e líderes da indústria para que “ajam já para compreender a economia da IA transformadora” e para que implementem políticas que “orientem a IA numa direção que complemente os seres humanos e beneficie a sociedade”. No entanto, não inclui quaisquer recomendações concretas de políticas públicas.
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