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Ciberataques são o principal risco para gestores em Portugal

Ciberataques são o principal risco para gestores em Portugal

A geopolítica e a inteligência artificial (IA) ganharam relevância na agenda de riscos dos gestores, enquanto os ciberataques continuam a ser a principal preocupação em Portugal, segundo um estudo da Willis, empresa da WTW, divulgado esta terça-feira.
De acordo com o inquérito sobre seguros de responsabilidade civil de administradores e gestores (Directors & Officers Liability), realizado em parceria com a sociedade de advogados Reed Smith LLP, 63% dos gestores portugueses consideram os riscos geopolíticos “muito importantes” ou “extremamente importantes”, acima da média global de 59%.
Já a inteligência artificial foi identificada como um dos riscos emergentes com maior crescimento face a 2025. Em Portugal, 67% dos participantes classificam a IA como um risco muito ou extremamente importante para os gestores, enquanto a nível mundial essa percentagem se situa nos 56%, mais cinco pontos percentuais do que no ano anterior.
Entre as principais preocupações dos decisores portugueses relacionadas com a IA destacam-se os erros e a desinformação gerados por esta tecnologia (63%), a má governação e o uso não controlado das ferramentas de IA (43%) e os riscos de incumprimento regulatório e ético (37%). Globalmente, apenas 55% dos inquiridos consideram que os membros dos conselhos de administração possuem as competências necessárias para supervisionar eficazmente a implementação desta tecnologia.
No caso português, os riscos tecnológicos e financeiros dominam as preocupações dos gestores. Os ciberataques lideram o ‘ranking’, apontados por 90% dos participantes, seguidos da perda de dados (83%) e da insolvência ou dificuldades financeiras das organizações (77%). A concorrência e práticas anticoncorrenciais, os litígios com terceiros, os processos criminais e a fraude por engenharia social são igualmente referidos por 73% dos inquiridos.
À escala global, o estudo conclui ainda que a saúde e segurança continuam entre os principais riscos em setores como a indústria, transportes e energia, enquanto as alterações climáticas deixaram de integrar o grupo dos sete principais riscos na maioria das regiões. A diversidade, equidade e inclusão também perderam peso na agenda global de riscos, sendo consideradas muito ou extremamente importantes por 52% dos inquiridos, face a 59% em 2025.
O estudo revela ainda que, apesar da crescente exposição a riscos operacionais, apenas 34% dos inquiridos consideram a resiliência operacional uma das cinco áreas que exigem maior atenção por parte dos órgãos de gestão.
Segundo André Paraíso Vicente, responsável da área FINEX da Willis em Portugal, os resultados mostram que “os gestores portugueses estão particularmente atentos aos riscos tecnológicos”, refletindo “a crescente digitalização das organizações” e uma maior consciência do impacto financeiro, operacional e reputacional dos incidentes cibernéticos. Acrescenta que a maior relevância atribuída aos riscos geopolíticos e à inteligência artificial demonstra uma atenção crescente dos órgãos de gestão a riscos emergentes que podem afetar a resiliência e a competitividade das empresas.
O estudo baseou-se em respostas de 975 decisores seniores de organizações dos setores dos serviços, financeiro e segurador, saúde, indústria, energia e ‘utilities’, transportes e retalho, de empresas com diferentes dimensões de faturação.

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