Mina de lítio de Boticas com capacidade para fornecer sete milhões de baterias para carros elétricos
A mina de Boticas, distrito de Vila Real, tem capacidade para fornecer sete milhões de baterias para carros elétricos ao longo da sua vida útil inicial, 14 anos. A empresa mantém a intenção de arrancar com a produção em 2028.
A estimativa foi revelada esta quarta-feira pela Savannah Resources que anunciou a conclusão do Estudo Definitivo de Viabilidade (conhecido pela sigla em inglês DFS), considerando um dos “marcos mais relevantes no processo de desenvolvimento” de um projeto mineiro, colocando-o numa “posição privilegiada” para avançar para as próxima etapas, incluindo a obtenção de financiamento.
“O estudo confirma uma vida útil inicial de 14 anos para o projeto, suportada por uma Reserva
Provável JORC inicial de 20 milhões de toneladas de minério. Durante este período prevê-se a
produção de aproximadamente 2,56 milhões de toneladas de concentrado de espodumena,
matéria-prima suficiente para mais de 7 milhões de baterias para veículos elétricos”, segundo a mineira britânica.
A conclusão do estudo “representa a validação técnica, económica, ambiental e operacional do projeto aos olhos de investidores, bancos e parceiros comerciais, fornecendo um nível de detalhe sem precedentes sobre os custos de construção, operação e produção ao longo da vida útil da mina e da sua fábrica. Este trabalho permite agora à empresa avançar formalmente com processos de
financiamento junto de instituições bancárias e financeiras internacionais, bem como finalizar
acordos comerciais com clientes estratégicos e preparar o início de construção da fábrica, estrada e restantes infraestruturas previstas”.
A companhia destaca que o projeto Lítio do Barroso está entre os “projetos mais promissores da Europa, posicionando-o para ser o 2º de larga escala a operar na Europa, no seguimento do projeto Keliber na Finlândia, que já iniciou produção”.
A Savannah revela que o estudo estima que o projeto vai contribuir com 720 milhões de euros em impostos, taxas e royalties para Portugal.
Em termos de postos de trabalho, serão criados 500 postos diretos na mina, fábrica e escritórios, com mais de mil indiretos e induzidos.
Em termos de custos, os resultados “demonstram igualmente uma forte competitividade a nível internacional: os custos operacionais previstos” colocam o projeto no segundo quartil da curva global de custos da indústria, o que “equivale a dizer que é mais competitivo do que mais de 50% dos projetos hoje em operação no mundo inteiro”.
A empresa também destaca os “benefícios” para a região do Barroso com mais de 10 memorandos de entendimento assinados e outros acordos de cooperação com entidades locais, abrangendo áreas sociais, culturais, educativas e económicas, com a futura Fundação Savannah a permitir “desenvolver ainda mais iniciativas de interesse comunitário e reforçar o apoio ao desenvolvimento regional de longo prazo”.
A mineira também sublinha que o projeto está assente nos “nos mais elevados padrões
ambientais da indústria mineira moderna. O plano de exploração foi desenvolvido para cumprir ou
superar os requisitos legais portugueses e europeus, bem como as melhores práticas
internacionais do setor. Entre as principais características destacam-se a utilização de um sistema de armazenamento de rejeitados a seco (“Dry Stack”), eliminando a necessidade de barragem convencional para o efeito, ou a implementação de um sistema autónomo de abastecimento e reciclagem de água, reduzindo em mais de 70% o seu consumo na operação”.
O projeto foi classificado pela União Europeia como Projeto Estratégico, “refletindo o papel fundamental que poderá desempenhar na segurança de abastecimento de matérias-primas essenciais para a transição energética. Em Portugal, o projeto verificou igualmente mais um importante sinal de empenho institucional através da assinatura, com a AICEP, de um contrato de investimento que prevê apoio financeiro até €110 milhões, sujeito à concretização dos investimentos previstos”.
“Estamos muito satisfeitos por publicar os principais resultados do Estudo Definitivo de Viabilidade da primeira fase de produção do Projeto. Este é mais um marco muito importante para o desenvolvimento do Projeto Lítio do Barroso e o culminar de muitos anos de um trabalho realizado pela nossa equipa e por alguns dos mais experientes consultores internacionais do setor. O Projeto, agora submetido aos rigorosos critérios técnicos exigidos por um estudo desta natureza,volta a demonstrar o seu potencial para gerar retornos económicos relevantes. Os custos
operacionais previstos colocam o nosso Projeto ao nível — ou à frente — de alguns dos maiores e
mais reputados projetos de espodumena do mundo, na Austrália, Américas e China”, segundo Emanuel Proença, presidente da Savannah.
“Mais importante ainda, o retorno económico será alcançado em paralelo com fortes benefícios
socioeconómicos para a região. Entusiasmam-nos sobretudo as muitas centenas de postos de
trabalho permanentes que trarão de volta à região pessoas em idade ativa e respetivas famílias,
ajudando a inverter o acentuado declínio demográfico registado nas últimas décadas na região.
O Projeto trará também novas infraestruturas, incluindo uma estrada que melhora muito a
conectividade da região com o resto do país, criando oportunidades para as pessoas e para o tecido empresarial local. É caso raro uma empresa financiar e fazer, em nome do Estado, uma estrada para uso de todos”, acrescenta.
“Como português, partilho com a nossa equipa local um sentimento de orgulho por contribuir para melhorar uma região que o merece. O DFS proporciona-nos agora uma base sólida para avançarmos para a próxima fase de desenvolvimento do Projeto. Servirá de apoio aos trabalhos que estamos a desenvolver nas áreas de financiamento do Projeto, no cumprimento das obrigações associadas aos contratos com o Estado português, no avanço das negociações comerciais em curso, no desenvolvimento da engenharia de detalhe (Front-End Engineering Design) para a obra e na encomenda de equipamentos que chegarão para início da construção em 2027”, concluiu.
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