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Confiança e estabilidade para investir em Angola

Confiança e estabilidade para investir em Angola

Os agentes financeiros demonstram vontade de investir em Angola, país que tem vindo a aplicar um conjunto de medidas no seu sistema financeiro para transmitir confiança aos investidores estrangeiros.
“Não basta haver apenas um sentimento positivo de negócios em Angola. Tem de haver um processo de confiança entre os principais intervenientes, que são os bancos e o regulador, e que neste momento é positivo”, afirmou Eline Feijão, administradora executiva do Banco Atlântico Europa, durante o painel “Capital e confiança: os motores do investimento entre Angola e Portugal”.
A responsável salientou que a confiança é algo que se perde rapidamente e é muito difícil de conquistar, mas destacou o trabalho desenvolvido não só pelos bancos angolanos, como por todo o sistema financeiro, que tem reforçado a credibilidade do país junto da comunidade internacional.
“Este retorno da confiança internacional não foi apenas pelo espírito de negócio e pelo que há de melhor em Angola. Existe uma base muito sustentável no sistema financeiro, que começou pela necessidade de os bancos refazerem os seus processos e regulamentos internos, algo essencial para entrar ou reentrar no mercado internacional”, afirmou.
Segundo Eline Feijão, os bancos angolanos alcançaram uma equivalência de processos com a banca portuguesa e europeia, embora reconheça que continuam a existir desafios.
“Há trabalho a fazer para todos, até porque os desafios do sistema financeiro estão sempre a mudar”, disse.
Sobre a entrada de bancos estrangeiros em Angola, considerou que a concorrência é positiva, apesar dos desafios que acarreta, pois incentiva a banca angolana a não ficar isolada na sua aposta no país.
“A determinada altura parecia que estávamos a ver algo que ninguém via. Mesmo em Portugal, não falo só a nível internacional. A nossa maior preocupação enquanto banco é manter este apoio aos negócios em Angola e ao sistema financeiro, procurando soluções que permitam também uma partilha de risco”, afirmou, acrescentando que em Angola existem muitas oportunidades, mas também riscos que exigem essa partilha.
O administrador executivo do Banco Millennium Atlântico, Sidney Magalhães, considerou que a banca angolana está a progredir rumo a uma maior estabilidade, embora sublinhe que esse processo ainda não está concluído.
O responsável destacou a melhoria dos indicadores do sistema financeiro, referindo que a taxa de referência do Banco Nacional de Angola (BNA) desceu de 70% para 15,7%, enquanto o país se aproxima de uma inflação de um dígito, estimada em 8,6%.
Na sua perspetiva, estes indicadores demonstram que Angola está a consolidar a estabilidade necessária para cumprir os objetivos definidos para 2030.
Apesar destes progressos, Sidney Magalhães alertou para os desafios estruturais da economia angolana, em particular a forte dependência do setor petrolífero.
Embora o petróleo represente atualmente cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), continua a ser responsável por aproximadamente 60% das receitas fiscais e 90% das exportações, mantendo uma elevada exposição das contas públicas à evolução deste setor.
Os investidores internacionais demonstram também um interesse crescente pelo mercado angolano, sobretudo nas áreas das infraestruturas, saúde, educação e turismo.
“Como país em desenvolvimento, são setores que saltam logo à vista”, afirmou Emanuela Vunge, managing partner da Prime Advogados, da rede internacional VdA Legal Partners.
A advogada explicou que uma das principais preocupações dos investidores passa por compreender o acesso ao mercado e identificar os principais intervenientes. Nesse contexto, salientou que o trabalho jurídico vai além da assessoria técnica, sendo também fundamental para conhecer o país, os agentes públicos e privados, identificar riscos e antecipar potenciais litígios.
O presidente executivo da Fortaleza Seguros, Carlos Firme, defendeu que o setor segurador angolano ainda se encontra numa fase inicial de desenvolvimento, mas tem potencial para desempenhar um papel decisivo no crescimento económico do país, tanto na proteção de pessoas e património como enquanto investidor institucional.
O peso do setor segurador em Angola representa atualmente menos de 1% do PIB, bastante abaixo dos cerca de 3% a 5% registados em economias com níveis de desenvolvimento semelhantes e dos mais de 10% observados em países desenvolvidos.
Carlos Firme salientou que as seguradoras desempenham um duplo papel na economia: asseguram riscos associados a pessoas, património e responsabilidades e, simultaneamente, atuam como investidores institucionais, aplicando reservas financeiras em investimentos de médio e longo prazo.
Em conjunto com os fundos de pensões, acrescentou, o setor pode contribuir para financiar o desenvolvimento económico através de investimentos com horizontes temporais mais alargados. O responsável recordou ainda que o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou, em abril, um crescimento da África Subsariana superior ao dos restantes mercados emergentes.

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