O que esperar da temporada 2026-27 do Teatro São Luiz
A direção artística do S. Luiz Teatro Municipal está nas mãos de Miguel Loureiro, que promete “desafiar convenções e cruzar fronteiras artísticas, num plano de criação organizado em múltiplas categorias”.
Traduzindo em números, a temporada 2026-2027, reúne mais de 100 propostas, entre momentos musicais (55), teatro (26), dança (8) e ópera (2).
“No coração desta vasta e eclética programação, o São Luiz elege uma mão cheia de grandes momentos que servem de bússola para o que aí vem”, abrindo a rentrée com jazz, na segunda edição do Picadeiro Fest2026, que reúne um “programa abrangente, em que se cruzam várias perspetivas e correntes da música atual, numa curadoria do músico João Pereira”, salienta Miguel Loureiro.
E ainda não esgotámos os ‘números’. Dezasseis projetos nas áreas do pensamento e da literatura, quatro intervenções no espaço público, uma performance e uma instalação constam também da próxima temporada do S. Luiz, em Lisboa.
Em setembro, no Largo do Picadeiro e nas salas Bernardo Sassetti e Mário Viegas, o público terá espetáculos com As Batucadeiras das Olaias, o saxofonista Albert Cirera e o baterista Ramon Prats e os DUOT (Catalunha), que se juntam ao quarteto de cordas português ZARM Ensemble, num sexteto em que improvisarão em diálogo, sem hierarquias nem papéis fixos, lê-se na programação da nova temporada do São Luiz.
O quarteto de Gonçalo Marques, Norberto Lobo, com “Solo”, e o trio luso-americano Rhizome, com Daniel Levin (violoncelo), Hernâni Faustino (contrabaixo) e Rodrigo Pinheiro (piano), figuram também no programa do Picadeiro Fest2026.
A 5 de outubro, o ponte de partida é um poema de Kim Chi-ha (1941 – 2022) – poeta, dramaturgo e ativista político sul-coreano, reconhecido como o principal “poeta da resistência” contra a ditadura militar na Coreia do Sul durante as décadas de 1970 e 1980. O ponto de chegada? “Forward is not the only way”. Uma criação que estabelece um diálogo vibrante com a música de compositores fundamentais, como J. S. Bach, Kurtág, Takemitsu, Hosokawa e Messiaen, e que reúne o ator João Grosso, bailarinos e performers de várias gerações, e a Orquestra de Câmara Portuguesa.
A programação de teatro inaugura no dia 16 de setembro, na sala Luis Miguel Cintra, com a peça “O pai”, de August Stindberg, numa encenação de Gonçalo Waddington, que estará em cena até dia 27. Ainda nas artes cénicas, destaque para “Caminho do céu”, de Juan Mayorga, numa criação de Rita Cabaço, em cena na sala Mário Viegas, de 30 de setembro a 11 de outubro. “Mal na Raiz”, que parte do mito de Antígona, com dramaturgia e encenação de Guilherme Gomes, de 14 a 18 de outubro, na sala Bernardo Sassetti. E uma estreia nacional: “Under the Shape of a Tree I Sat and Wept”, projeto teatral que reúne artistas da Europa e de África, da autoria de Jeton Neziraj. A encenação é de Blerta Neziraj e a dramaturgia de Greg Homann, e sobe ao palco da sala Luis Miguel Cintra, de 23 a 25 de outubro.
“Em silêncio”, um texto e encenação de Teresa Sobral, nos dias 24, 25, 30 e 31 de outubro e 01 de novembro, na sala Mário Viegas, tem por base documentos e testemunhos de pessoas que viveram os 48 anos de ditadura em Portugal, convidando o público a fazer uma “viagem imersiva” na época. Raúl Brandão e a obra “As ilhas desconhecidas” estarão em cena, de 10 a 20 de dezembro, de Sara Gonçalves, entre muitas outras propostas teatrais.
No plano internacional, o coreógrafo britânico Akram Khan regressará a Lisboa com a mais recente produção da sua companhia, “Thira: Night of Rememering”, de 5 a 7 de fevereiro de 2027, num espetáculo que junta “bailarinas de Bharatanatyam e de dança contemporânea numa colaboração criativa que cruza culturas e perspetivas híbridas”, informa a programação do S. Luiz.
Do programa completo do S. Luiz constam ainda atuações da Orquestra de Câmara Portuguesa (05 de outubro), de Cristina Clara (03 novembro), Surma (19 novembro), Miguel Araújo (25 novembro), Orquestra Sinfónica Juvenil (27 de novembro), Banda da Armada (29 de novembro), do pianista e compositor holandês Joep Beving (26 de janeiro) e dos Três Tristes Tigres (no dia seguinte), entre outros.
“Oresteia de Ésquilo”, com tradução e dramaturgia de José Pedro Serra e encenação de Bruno Bravo, numa coprodução do S. Luiz com a companhia Primeiros Sintomas (fevereiro/março), a performance “Ki.Ne.Ma.Tik”, pela Karnart (abril) e a ópera “Diálogos das Carmelitas”, de Francis Poulenc, interpretada pela Orquestra Académica Metropolitana (abril) são outras propostas da nova temporada.
O encerramento, em junho/julho de 2027, faz-se com a estreia de “Para uma Breve História do Fogo”, de André e. Teodósio e José Maria Vieira Mendes, pelo Teatro Praga, que conta com o ator Miguel Guilherme no elenco.
Na vertente da acessibilidade, o S. Luiz anunciou que foram dados “novos passos” nesse sentido, como o convite feito ao músico, ator e fotógrafo cego Aliu Sane Baio, para consultor de Acessibilidade no Teatro São Luiz, para poder melhorar a oferta ao público “com deficiência, necessidades específicas ou mobilidade condicionada”. Aqui se enquadra, também, o trabalho conjunto com o Teatro Variedades-Capitólio, numa parceria com o projeto VEM. “Com a ajuda de guias formados, o projeto ‘dá o braço’ a quem precisa de um acompanhamento seguro para ir ao teatro e desfrutar da cultura com total autonomia”, explica o S. Luiz. Esta é uma “solução ideal para pessoas seniores, com deficiência visual ou mobilidade condicionada que desejam continuar a frequentar salas de espetáculo com maior segurança e dignidade, num serviço gratuito em que o transporte fica a cargo do espetador”, esclarece o teatro.
Consulte aqui a programação completa.
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