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Trump acusa China de interferência nas eleições de 2020 e pede reforma do sistema eleitoral dos EUA

Trump acusa China de interferência nas eleições de 2020 e pede reforma do sistema eleitoral dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou, no seu discurso desta quinta-feira, a China de ter tentado interferir nas eleições presidenciais de 2020 e afirmou que existem “vulnerabilidades chocantes” no sistema eleitoral norte-americano, num discurso transmitido em horário nobre a partir da Casa Branca, a pouco mais de três meses das eleições intercalares de novembro.
Trump afirmou que o governo americano sabe há muito tempo que adversários estrangeiros, incluindo a Coreia do Norte, a Rússia, a China e o Irã, conhecem as vulnerabilidades do sistema e têm capacidade para afetar a estrutura de votação.
Numa intervenção de cerca de 30 minutos, Trump disse ter “desclassificado centenas de documentos dos serviços de informações” que, segundo afirmou, demonstram que Pequim procurou favorecer o então candidato democrata Joe Biden nas eleições que o republicano perdeu.
O presidente alegou que a China obteve ilegalmente dados de cerca de 220 milhões de eleitores norte-americanos, incluindo informação pessoal, e afirmou que ficheiros eleitorais de 18 estados foram “comprados, roubados ou pirateados” por agentes chineses. Acusou ainda responsáveis que, alegadamente, identificaram essas situações de não terem informado o Governo nem o Congresso.
Entre as alegações, Trump afirmou que documentos anteriormente classificados revelam planos relacionados com a falsificação de boletins de voto, o acesso indevido a bases de dados de eleitores e outras atividades que atribuiu à China e a outros países, como a Venezuela. Referiu ainda que parte da documentação teria sido ocultada pela anterior administração de Barack Obama.
Donald Trump falou em novos documentos que foram retirados de arquivos esquecidos, em documentos de recenseamento de eleitores falsificados, pagamentos com cartões-presente para fraudes. Apontou que encontraram documentos que Barack Obama terá atirado para sacos para queimar, de forma a escondê-los do seu sucessor. Diz que foram encontradas cédulas falsas impressas pela China para uma fraude eleitoral na Venezuela.
A declaração foi feita por Donald Trump durante um discurso televisionado sobre segurança eleitoral e a integridade do voto nos Estados Unidos. Trump afirmou que a sua administração descobriu um grande número destes sacos e exigiu investigações por parte de agências como o Departamento de Justiça, o FBI e a CIA para apurar responsabilidades.
Trump não apresentou até agora provas de que a China tenha utilizado esses dados para alterar sistemas de votação ou modificar os resultados eleitorais.
Os democratas acusaram Trump de tentar lançar dúvidas sobre a integridade das eleições intercalares de novembro, que irão determinar o controlo do Congresso durante o restante mandato presidencial.
A Casa Branca publicou, após o discurso, um conjunto de documentos desclassificados, vários deles com extensas partes censuradas. Embora incluam referências a alegadas operações de influência estrangeira e preocupações manifestadas por responsáveis da área da segurança, os documentos não demonstram que tenha existido manipulação dos resultados das eleições presidenciais de 2020.
Especialistas em administração eleitoral salientam também que parte significativa dos dados constantes dos registos eleitorais é pública ou pode ser obtida legalmente em vários estados norte-americanos, pelo que o acesso a essas bases de dados, por si só, não constitui prova de interferência eleitoral.
As declarações do presidente norte-americano contrariam as avaliações anteriormente divulgadas pela comunidade de informações dos EUA. Um relatório publicado em 2021 pelo Conselho Nacional de Informações concluiu, com elevado grau de confiança, que a China não interferiu nas eleições presidenciais de 2020, afirmando que Pequim ponderou realizar operações de influência, mas decidiu não avançar por considerar que os riscos superavam os potenciais benefícios.
No final do primeiro mandato de Trump, uma avaliação apresentada pelo então diretor da Inteligência Nacional, John Ratcliffe, atualmente diretor da CIA, concluiu igualmente que não existiam indícios de que qualquer potência estrangeira tivesse alterado qualquer aspeto técnico do processo de votação.
A Embaixada da China em Washington rejeitou as acusações. Em declarações à Reuters, afirmou que Pequim “nunca interferiu nem interferirá nas eleições presidenciais” dos Estados Unidos.
A situação torna-se ainda mais delicada devido à visita prevista do Presidente chinês, Xi Jinping, a Washington no final de setembro. Trump e Xi mantêm uma relação sensível, considerada determinante para o futuro da geopolítica mundial. Apesar de se ter concentrado na China no seu discurso, Trump não criticou nem fez qualquer aviso ao presidente chinês, Xi Jinping, que sempre elogiou.
Os democratas acusaram Trump de tentar lançar dúvidas sobre a integridade das eleições intercalares de novembro, que irão determinar o controlo do Congresso durante o restante mandato presidencial. O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou nas redes sociais que “na América, são os eleitores que escolhem os seus líderes, e não o contrário”, acrescentando que o partido irá lutar para garantir que todos os cidadãos possam votar “livremente, sem obstrução ou interferência de Donald Trump”.
Nos minutos finais do discurso, Trump voltou a defender a aprovação da SAVE Act, uma proposta legislativa que pretende reforçar os requisitos de identificação dos eleitores e restringir algumas formas de votação por correspondência. A iniciativa enfrenta obstáculos no Senado, onde os republicanos não dispõem dos 60 votos normalmente necessários para ultrapassar um bloqueio da oposição democrata.
Donald Trump tem a convicção de que o sistema de votação é demasiado permissivo e de que a oposição democrata às exigências de identificação dos eleitores e às restrições ao voto por correspondência resulta do facto de essas regras beneficiarem politicamente os seus adversários.
No entanto, a legislação necessitaria de 60 votos favoráveis no Senado. Os republicanos dispõem atualmente de 53 lugares, o que significa que precisariam do apoio de sete democratas, algo considerado altamente improvável.
Trump tem pressionado os republicanos para aprovarem legislação prioritária recorrendo, se necessário, à eliminação da regra dos 60 votos ou utilizando mecanismos legislativos semelhantes aos que permitiram aprovar o seu pacote orçamental conhecido como One Big Beautiful Bill. Enquanto isso não acontecer, o Presidente tem mostrado pouco interesse em promover outras iniciativas legislativas, chegando a permitir que uma das poucas leis aprovadas este ano com apoio bipartidário — destinada a enfrentar a crise da habitação — entrasse em vigor sem a sua assinatura.
O discurso ocorreu no mesmo dia em que foi divulgada uma sondagem do Washington Post e da Ipsos que atribui a Trump uma taxa de aprovação de 37%, refletindo preocupações dos eleitores com o custo de vida e com o conflito envolvendo o Irão. Aumentam persistentes preocupações dos eleitores com o custo de vida, a intensificação dos ataques das forças norte-americanas contra o Irão.
Desde as eleições de 2020, Trump tem reiterado alegações de fraude eleitoral e de interferência estrangeira, sem que tribunais, autoridades eleitorais ou investigações oficiais tenham encontrado provas de irregularidades em escala suficiente para alterar o resultado da eleição vencida por Joe Biden.

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