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Dominique Perrault no Porto para uma conferência e encontro com Souto de Moura

Dominique Perrault no Porto para uma conferência e encontro com Souto de Moura

O arquiteto francês Dominique Perrault encontra-se no Porto, no âmbito da Porto Academy, para uma conferência, às 19h00 de 21 de julho. A iniciativa enquadra-se na Summer School Porto, que decorre na Escola Superior Artística do Porto (ESAP) até 27 de julho e conta com o apoio do Institut Français du Portugal.
O leque de convidados aponta à diversidade de olhares em torno do tema central: o papel da arquitetura na abordagem a questões ambientais e ao futuro das cidades. Adrien Verschuere, Andrea Faraguna, Ane Arce, Didier Fiúza Faustino, Dominic Perrault, Hugo Barros, Laura Cristea ou Marc Leschelier, entre outros, assumem aqui o papel de professores. Objetivo? Transformar o conhecimento de cada interveniente, e a multiplicidade de ‘backgrounds’, numa experiência educativa multicultural.
Dominique Perrault participará nos encontros Pierre, Feuille, Ciseaux, um espaço de reflexão sobre as novas práticas da arquitetura contemporânea que reúne arquitetos, urbanistas, artistas e editores de vários países europeus. Em paralelo, está previsto um encontro entre Perrault e o arquiteto português, e prémio Pritzker, Eduardo Souto de Moura, quarta-feira, 22 de julho, para uma conversa sobre o tema da arquitetura como infraestrutura. Refira-se, ainda, que este diálogo dará origem a uma edição em vinil, com a chancela da Sounds of Architecture.
O Jornal Económico teve a oportunidade de falar com Dominique Perrault, à margem da Summer School. O seu nome ganhou maior projeção em 1989, quando projetou a Bibliothèque Nationale de France, projeto emblemático que ilustra a versão moderna de Perrault para a tradição parisiense milenar de arquitetura pública monumental. Desde então, seguiram-se uma série de importantes projetos em diversas geografias, como o velódromo e a piscina olímpica em Berlim, o Centro Universitário da Universidade Feminina Ewha em Seul, Coreia do Sul ou a ampliação do Tribunal de Justiça da União Europeia no Luxemburgo. Atualmente, está em curso a transformação do antigo terminal aéreo dos Invalides num museu, que irá acolher o acervo da Fundação Giacometti.
Para o arquiteto francês, a arquitetura é uma disciplina que tem uma relação estreita com o planeamento urbano. Foi a partir desta premissa que Dominique Perrault concebeu a Île de la Cité em Paris e desenhou a Aldeia Olímpica para os Jogos Olímpicos de Paris 2024 – um conjunto de 82 prédios, três mil apartamentos e 7200 quartos. O seu ateliê venceu, ainda, o concurso internacional para projetar o Gangnam International Transit Center (GITC), um novo centro multifuncional localizado no coração da capital sul-coreana, chamado Lightwalk.
Distinguido com o Praemium Imperiale 2015, um dos mais prestigiados prémios no Japão, atribuído anualmente pela Associação de Arte do Japão, e professor honorário na EPFL – École Polytechnique Fédérale de Lausanne, Perrault foi escolhido, em 2021, como diretor da Bienal de Arquitetura e Urbanismo de Seul. Entre 2025 e 2030, serão concluídos diversos projetos que levam a sua assinatura, como a ampliação da Caja Magica em Madrid, a ampliação do campus da EPFL em Lausanne, dois arranha-céus em Viena, Áustria, e vários edifícios residenciais e de escritórios em Seul, Coreia do Sul.
Ao JE, Perrault resume como podemos pensar a cidade para melhor lidar com os efeitos da alterações climáticas. “De uma maneira muito esquemática, eu distinguiria dois tipos de cidades”, começa por dizer. “Por um lado, as cidades europeias, moldadas por séculos de história, que foram gradualmente construídas pela sedimentação. Nestes casos, a resposta às alterações climáticas começa pela reabilitação, adaptação e uma multiplicidade de soluções locais, capazes de tirar partido do que já existe”, explica. “Por outro lado, as cidades contemporâneas, que surgiram principalmente no século XX e que continuam a desenvolver-se, em particular na Ásia, África e outras regiões do mundo. Nestas metrópoles em rápido crescimento, onde a construção nova é maioritária, é possível implementar abordagens mais sistémicas e impor novas regras que respondam diretamente às questões climáticas”, conclui.
E sintetiza a sua visão, dizendo que, “na Europa, temos de aprender a transformar o existente de forma inteligente. Nas outras geografias, onde as cidades continuam a ser construídas, devemos garantir que os novos edifícios integram os requisitos ambientais do futuro desde a sua conceção.” A entrevista será publicada na íntegra na edição impressa do Jornal Económico de 24 de julho.
Consulte aqui o programa completo da Summer School Porto.

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