Emprego atinge máximos históricos, mas falta de trabalhadores ameaça crescimento
A EGOR, um grupo de capitais portugueses, que atua desde 1986 nas áreas da Consultoria de Gestão de Recursos Humanos, acaba de lançar o relatório “Mercado de Trabalho em Portugal – Os cinco verões 2021-2025”, uma análise detalhada e baseada em dados do INE, IEFP e Banco de Portugal. O mercado de trabalho português registou, no verão de 2025, o melhor desempenho dos últimos cinco anos, com a população empregada a ultrapassar os 5,3 milhões de pessoas, o valor mais elevado desde que existem registos comparáveis. A taxa de desemprego, por sua vez, recuou para 5,8%, o nível mais baixo desde 2020. Entre 2021 e 2025, foram criados cerca de 455 mil empregos adicionais, refletindo uma expansão efetiva do emprego e da atividade económica.
Contudo, o mesmo fenómeno que traduz a robustez do mercado de trabalho está a criar uma nova pressão sobre as organizações, relacionada com a dificuldade crescente em encontrar talento disponível para responder às necessidades de recrutamento. Segundo o relatório agora tornado público, Portugal está a entrar numa nova fase em que a escassez de candidatos poderá tornar-se estrutural, sobretudo em funções operacionais e sazonais.
“Portugal atingiu máximos históricos de emprego, mas esse sucesso traz um novo desafio, que já não é o de criar emprego, mas sim o de garantir que as empresas encontram as pessoas de que precisam para crescerem. Nos próximos anos, a capacidade para atrair, desenvolver e reter profissionais será um dos principais fatores de competitividade da economia portuguesa”, afirma Alexandre Antunes, CEO do Grupo EGOR.
Já as perspetivas para 2026 e 2027 apontam para um agravamento da escassez de trabalhadores disponíveis, consequência da combinação entre menor crescimento da imigração e envelhecimento demográfico. Este cenário poderá traduzir-se numa maior competição entre empregadores, aumento da pressão salarial e dificuldades acrescidas no preenchimento de vagas, sobretudo em funções operacionais.
“Os dados deste estudo mostram que a escassez de mão de obra está a deixar de ser um fenómeno sazonal para assumir um caráter estrutural. As empresas terão de adotar uma visão mais estratégica da gestão de pessoas, antecipando necessidades, reforçando a sua capacidade de atração e criando condições para reter os profissionais de que necessitam.” sublinha Alexandre Antunes, concluindo que “num mercado de trabalho cada vez mais exigente, as organizações que planearem hoje as suas necessidades de pessoas estarão mais bem preparadas para crescerem amanhã. Antecipar o recrutamento, investir no desenvolvimento e reforçar a retenção deixará de ser uma vantagem competitiva para passar a ser uma condição essencial para garantir um crescimento sustentável.”
Mercado absorveu mais trabalhadores e continuou a criar emprego
Um dos aspetos mais relevantes da evolução observada entre 2021 e 2025 é que a descida do desemprego ocorreu em simultâneo com o crescimento da população ativa. Durante este período, a população ativa aumentou cerca de 465 mil pessoas e o emprego cresceu aproximadamente 455 mil postos de trabalho, demonstrando a capacidade do mercado para absorver novos trabalhadores.
O verão de 2025 evidenciou igualmente a forte procura por perfis ligados aos serviços, em particular comércio, transportes, alojamento e restauração, setores diretamente relacionados com a atividade turística e que continuam a concentrar uma parte significativa das oportunidades de emprego.
Apesar dos resultados positivos, o relatório identifica sinais de pressão futura na oferta de mão de obra. Os dados do Banco de Portugal revelam que as saídas de trabalhadores estrangeiros aumentaram cerca de 40% em 2024 (cerca de 45 mil no total do ano), atingindo o valor mais elevado desde o início da série estatística em 2015. Em paralelo, as entradas de novos trabalhadores estrangeiros diminuíram de forma significativa na segunda metade do ano, passando de aproximadamente 20 mil para 12 mil entradas por mês. Como consequência, o saldo líquido migratório reduziu-se de cerca de 17 mil para 7 mil trabalhadores por mês, uma queda de aproximadamente 59%.
Esta tendência surge num contexto em que o crescimento recente da população ativa esteve fortemente apoiado pela imigração, particularmente em setores como hotelaria, restauração, construção, logística, agricultura e indústria alimentar.
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