Menos cápsulas, mais grãos: consumo de café em casa está a mudar, revela estudo
Os hábitos de consumos no café estão a mudar, de acordo com a publicação britânica Financial Times. De acordo com a empresa que faz produção e torrefação de café Lavazza, os consumidores estão a comprar “menos, mas melhor”, o que tem levado ao crescimento da procura de grãos, em vez de cápsulas, e de máquinas de café expresso automáticas para consumo doméstico.
Dados da Nielsen, transcritos pelo Financial Times, indicam uma subida de 20,3% nas vendas de café em grão integral até maio, em volume, enquanto que o consumo de café em casa subiu 2,8%. E registou-se também um crescimento de 36,8%, em valor, nos grãos [de café], e as vendas de máquinas de café expresso automáticas cresceram 33,5%. As vendas de cereais integrais aumentaram 35%, em valor, em França, cresceram 33% em Itália e 31,2% na Alemanha, até maio.
Isto surge num contexto em que os preços do arábica e do robusta [de café] atingiram níveis recorde, em 2025, devido ao mau tempo e às fracas colheitas, enquanto que os preços do café para consumo doméstico no Reino Unido aumentaram 6,3%, até maio, salienta a publicação britânica.
“As pessoas procuram melhores experiências, mesmo em casa”, referiu a Lavazza, citada pelo Financial Times.
A publicação britânica refere que as pessoas estão a reproduzir os hábitos de consumo vindos da pandemia da Covid-19, quando devido ao encerramento de cafés, e ao teletrabalho, levou a que os consumidores gastassem mais em equipamento para café.
A Lavazza disse ainda que acredita que “não há tempo” para pensar num possível corte de preços no café, acrescentando que a possibilidade de um novo aumento dos preços também “não está totalmente afastada”. A publicação britânica acrescentou que o setor precisa de pelo menos duas colheitas fortes no Brasil e no Vietname para recompor os stocks esgotados, sublinhando que as chuvas inesperadas atrasaram a atual colheita do Brasil, enquanto as geadas, o El Niño e outros riscos climáticos ainda podem interromper o fornecimento. Os agricultores também estão numa posição financeira mais forte depois de vários anos de preços elevados e por isso podem reter café em vez de o vender imediatamente, e as empresas que fazem a torrefação estão a comprar com cautela esperando uma descida nos preços do café.
Isso levou a que a Lavazza considere, citada pelo Financial Times, que o mercado do café sofreu uma “transformação fundamental” em termos de oferta e procura, com a volatilidade a ser a “nova constante” do ambiente empresarial do setor.
A mudança de hábito de consumo levou também a que a Lavazza lança-se no Reino Unido, o Tablì, um sistema que substitui a embalagem de plástico ou alumínio de uma cápsula convencional por um pequeno comprimido feito inteiramente de café prensado. “”A era das cápsulas acabou. Este é um novo padrão””, referiu a empresa citada pela publicação britânica.
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