Infraestruturas dos mercados financeiros tiveram crescimento composto de 15% entre 2020 e 2025
As infraestruturas dos mercados financeiros registou uma taxa de crescimento anual composta de aproximadamente 15%, atingindo receitas próximas dos 131 mil milhões de dólares, entre 2020 e 2025. Até 2030. Até 2030, o setor deve ter as suas receitas a oscilar entre os 177 mil milhões e os 229 mil milhões de dólares, de acordo com o relatório Global Financial Market Infrastructure, divulgado pela consultora Oliver Wyman. A se confirmar estes números isso representaria no mínimo um crescimento de 35% e no máximo uma subida de 74%.
“O desempenho do setor entre 2020 e 2025 foi impulsionado pelo aumento da volatilidade dos mercados, pelo aprofundamento dos mercados de capitais, pela crescente participação dos investidores de retalho, pela integração de ativos físicos nos mercados financeiros e pela procura contínua de soluções de gestão de risco”, diz a consultora.
O estudo, projetando 2030, analisa três cenários possíveis com base na evolução prevista para o setor.
O cenário base prevê que o setor mantenha um crescimento anual próximo dos 8% até 2030. “No entanto, uma adoção mais rápida da inteligência artificial (IA), aliada à expansão da tokenização – processo que consiste na transformação de ativos financeiros em versões digitais registadas em blockchain – e ao desenvolvimento de novos mercados, poderá elevar esse ritmo para 12% ao ano, impulsionando as receitas globais das infraestruturas dos mercados financeiros para 229 mil milhões de dólares”, considera a OliverWyman.
Tokenização está entre as principais tendências
A tokenização está mesmo entre as principais tendências identificadas pelo estudo. “Cerca de 35% das receitas atuais do setor poderão ser transferidas para novas infraestruturas digitais, enquanto a expansão do universo de ativos poderá gerar um potencial adicional de 25 mil milhões de dólares em receitas brutas, compensando amplamente as perdas associadas à transformação dos modelos tradicionais”, prevê o relatório elaborado pela consultora.
O estudo coloca a IA como um fator de transformação com “impacto direto” no modelo de negócio do setor. O relatório estima que 9% das receitas do setor – cerca de 12 mil milhões de dólares – “estão diretamente expostas” ao impacto da IA, enquanto outros 16% “poderão estar em risco” caso as empresas não adotem medidas de adaptação.
“A prioridade para as infraestruturas dos mercados financeiros será integrar os componentes mais vulneráveis em soluções abrangentes que combinem funcionalidades padronizadas com dados exclusivos, fluxos de trabalho, redes e mecanismos de controlo que constituam vantagens competitivas difíceis de replicar”, refere o relatório.
A consultora diz ainda que a IA poderá reduzir os custos em mais de 20%, aumentando a margem EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) do setor de 54% para 63% até 2030.
“Paralelamente, poderá também gerar cerca de nove mil milhões de dólares em receitas adicionais através do desenvolvimento de novos produtos, da implementação de novos modelos de monetização e de uma maior utilização dos produtos impulsionada por agentes de IA”, considera a Oliver Wyman.
Mercados de previsão surgem com potencial significativo
Os mercados de previsão surgem no estudo como outra áreas com um potencial significativo. “Embora sejam atualmente utilizados sobretudo por investidores de retalho, a sua adoção por investidores institucionais em áreas como a macroeconomia, as políticas públicas, a meteorologia e eventos empresariais ou relacionados com mercados de ativos regulados poderá gerar receitas anuais entre 13 mil milhões e 19 mil milhões de dólares. O cenário de base prevê receitas entre três mil milhões e cinco mil milhões de dólares”, diz o relatório.
“O desenvolvimento destes mercados [de previsão] exigirá infraestruturas capazes de proporcionar regras de funcionamento claras, mecanismos de governação, dados fiáveis, sistemas de supervisão, bem como serviços de compensação e liquidação que permitam a sua adoção institucional”, diz a consultora.
A Oliver Wyman chama à atenção para a necessidade de as organizações reavaliarem as suas estratégias de crescimento. “Nos últimos cinco anos, o setor investiu 103 mil milhões de dólares em fusões e aquisições, dos quais 88 mil milhões foram destinados a empresas de dados e tecnologia. A rápida evolução da IA está agora a pôr à prova quais destas aquisições geram efetivamente vantagens competitivas sustentáveis e sinergias com a atividade principal”, diz a consultora.
A consultora defende que a próxima fase de crescimento do setor será “determinada não apenas pela evolução dos mercados financeiros, mas também pela capacidade das organizações para incorporar novas tecnologias, reforçar as suas vantagens competitivas e responder à crescente complexidade” do sistema financeiro global.
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