MAP Group: “A construção continuará a ser profundamente humana”
O que mudou no setor da construção nos últimos cinco anos?
Durante muito tempo, falou-se da construção quase exclusivamente através dos preços, da escassez de mão de obra ou dos prazos. Mas o que verdadeiramente mudou foi a forma como gerimos a complexidade. Hoje, uma obra começa muito antes do primeiro equipamento entrar em estaleiro. Existe mais preparação e maior integração entre a conceção do projeto, o estudo comercial e a produção. A capacidade de planear tornou-se tão importante como a capacidade de executar.
Também o ritmo de decisão acelerou. As equipas precisam de informação em tempo real e de respostas rápidas. Ferramentas digitais, inteligência artificial (IA), modelos BIM e sistemas de controlo e reporting permitem-nos tomar decisões mais rápidas e informadas. Mas continua a ser a experiência e o know-how das pessoas que fazem a diferença quando surgem imprevistos.
Porque é que algumas obras correm bem e outras derrapam?
Os projetos que decorrem de forma mais eficiente são aqueles em que existe alinhamento entre todos os intervenientes desde o início: promotor, projetistas, fiscalização e empreiteiro geral. Pelo contrário, muitas derrapagens começam ainda na fase de conceção. Projetos pouco desenvolvidos, estudos prévios pouco aprofundados, alterações constantes durante a execução ou decisões adiadas acabam por gerar impacto no prazo, no custo e, por vezes, na qualidade final. Mais do que gerir betão, gerimos pessoas, expectativas e milhares de decisões interdependentes.
© Eduardo Sousa Ribeiro
Que erros continuam os promotores a cometer quando iniciam um projeto?
Pela minha experiência no setor, agora também enquanto promotor imobiliário em alguns projetos, o maior erro continua a surgir na fase de conceção, quando não é feito o investimento necessário para desenvolver um bom projeto de execução e realizar todos os estudos prévios. Alguns promotores continuam a acreditar que estão a poupar nessa fase e que é possível resolver os imprevistos e recuperar tempo mais à frente sem consequências. Quando um projeto avança para construção antes de estar suficientemente maturado, aumenta a probabilidade de incompatibilidades e alterações durante a execução. Cada alteração cria desperdício, reduz a eficiência e aumenta o custo e o prazo.
Outra questão frequente é analisar apenas o preço final da proposta na fase de concurso, sem avaliar a valia técnica, o know-how e a capacidade financeira do empreiteiro. Na construção, o custo total de um projeto depende muito mais das decisões tomadas ao longo do processo do que apenas da diferença entre duas propostas. É nesta lógica de antecipação, parceria e redução de risco que o MAP Group procura trabalhar com os seus clientes.
Em que momento percebe que um projeto vai correr bem?
Muito antes de começar a construção. Percebe-se nas primeiras reuniões, logo desde a fase comercial: na forma como as equipas colaboram, na qualidade do projeto, na abertura para discutir os problemas antecipadamente e na rapidez com que se tomam decisões.
Os projetos que correm melhor não são necessariamente aqueles em que surgem menos dificuldades. São aqueles em que existe confiança suficiente entre todos para resolver essas dificuldades rapidamente e com espírito de equipa. Quando essa cultura de colaboração existe desde o primeiro dia, normalmente o resto do percurso torna-se muito mais fácil.
© Eduardo Sousa Ribeiro
Como será o perfil de um diretor de obra daqui a dez anos?
Será certamente muito diferente na forma como trabalha e nos meios que terá ao seu dispor, mas continuará a ser essencial naquilo que gere e lidera. Terá acesso a mais informação, IA, monitorização em tempo real, drones, robótica, sensores e modelos digitais. Grande parte das atividades de controlo tornar-se-á automatizada. Também nos métodos construtivos deverá existir uma evolução no sentido da industrialização da construção, que reduz o erro humano na execução. Mas nenhuma tecnologia substituirá a capacidade de liderar equipas, procurar soluções, gerir imprevistos ou tomar decisões quando a realidade não corresponde ao que estava previsto. A construção continuará a ser uma atividade profundamente humana.
O que continua a ser impossível substituir numa obra?
A capacidade de decidir. Por muito sofisticadas que sejam as ferramentas, chega sempre um momento em que alguém tem de assumir uma decisão perante os dados de que dispõe, diferentes interesses e a pressão do prazo.
Também continua a ser impossível substituir a confiança e a relação que se constrói entre equipas. Uma obra é um organismo vivo, onde dezenas de empresas e centenas de profissionais trabalham diariamente para um objetivo comum. Essa coordenação depende de liderança, comunicação e credibilidade.
O que nunca aparece nas fotografias finais de um edifício?
As pessoas que o criaram e executaram. Quando vemos um edifício concluído, vemos a arquitetura, os materiais, os acabamentos e a sua funcionalidade. Mas aquilo que verdadeiramente deu origem ao projeto fica invisível. Não vemos as centenas de profissionais que ali trabalharam durante meses ou anos, as reuniões onde se resolveram problemas, as decisões tomadas em minutos para evitar atrasos, nem a coordenação necessária para que dezenas de especialidades funcionassem como uma só. No final vê-se o edifício, mas raramente se percebe a dimensão humana e o trabalho que esteve por trás dele.
Qual foi a decisão mais difícil que teve de tomar numa obra?
A engenharia acaba quase sempre por encontrar uma solução. As decisões verdadeiramente difíceis são aquelas que envolvem pessoas. Escolher as equipas e decidir se determinada pessoa é a adequada para liderar uma equipa ou projeto são decisões que vão muito além das competências técnicas, exigindo também a avaliação de questões humanas e comportamentais. Da mesma forma, quando percebemos que determinada solução adotada em obra não vai funcionar, é preferível assumir essa realidade o mais cedo possível. Na construção, adiar uma decisão costuma ser muito mais caro do que tomar uma decisão exigente e difícil no momento certo.
© Eduardo Sousa Ribeiro
Qual foi a lição mais importante que aprendeu em mais de 25 anos na construção?
Aprendi, em primeiro lugar, que não existem dois projetos iguais. Cada obra é única e tem a sua história. Por muito que planeemos, nenhuma obra decorre exatamente como foi imaginada. Existem imprevistos, fatores externos e alterações, e é precisamente o modo como lidamos com todas essas variáveis que faz a diferença no sucesso final do projeto. Outra lição importante foi perceber que ninguém constrói sozinho. Os melhores projetos são sempre resultado da competência coletiva.
Se pudesse dar apenas um conselho a quem vai promover a sua primeira grande obra, qual seria?
Diria para dedicar mais tempo, numa fase inicial, ao estudo e à viabilidade do negócio, ao planeamento e à conceção. Seguramente, a execução correrá melhor e com menos contingências. É muito tentador querer começar rapidamente, mas a experiência demonstra que as decisões tomadas nas fases iniciais condicionam praticamente tudo o que acontece depois. Escolher os parceiros certos, desenvolver um projeto sólido, planear, definir objetivos claros e criar um ambiente de colaboração entre todos os intervenientes vale muito mais do que tentar recuperar tempo durante a execução.
Este conteúdo foi produzido em parceria com a MAP Group.
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