CXMT dispara em bolsa na estreia em Xangai, mas XTB alerta para avaliação excessiva
A fabricante chinesa de memórias DRAM [memória dinâmica de acesso aleatório, usada em PCs, smartphones, servidores e data centers], a ChangXin Memory Technologies, ou CXMT, estreou-se na bolsa de Xangai com uma valorização explosiva, tendo as ações subido mais de 400% numa sessão e feito da empresa a maior cotada da China no espaço de um dia, segundo uma análise da XTB baseada em dados da Bloomberg Finance.
A XTB afirma que a avaliação atual da empresa já reflete um cenário muito otimista, ao ponto de a CXMT (ChangXin Memory Technologies) estar a ser tratada pelo mercado como uma futura líder incontornável de um setor em que ainda não entrou plenamente, apesar de a empresa ser hoje sobretudo um fabricante de DRAM e não de HBM.
Na análise, a XTB refere que a CXMT tinha cerca de 8% do mercado de DRAM e uma taxa de utilização da capacidade de cerca de 96% no momento da entrada em bolsa.
A oferta pública inicial foi fixada em cerca de 8,66 yuan por ação, equivalente a aproximadamente 1,3 dólares, um preço que a casa considera razoável face às previsões para o fim de 2026.
Depois da subida explosiva das ações da CXMT para cerca de 49 yuan no primeiro dia de cotação (subida de cerca de 466% face ao preço de IPO de 8,66 yuan), a XTB recalculou os múltiplos de valorização da empresa e concluiu que esta ficou muito mais cara do que os peers internacionais, em especial a Micron.
“Depois da subida para cerca de 49 yuan por ação, a XTB calcula que os rácios P/E (Price/Earnings) e P/S (Price/Sales) passaram para acima de 30 e perto de 10, respetivamente, enquanto o EV/EBITDA subiu para cerca de 18 e o rendimento do free cash flow caiu para 1,5%. Para comparação, a Micron surge com P/E de cerca de 20, EV/EBITDA de cerca de 10 e rendimento do FCF (free cash flow) acima de 5%, segundo a mesma análise”, refere a corretora.
O EV/EBITDA é o valor da empresa (incluindo dívida) dividido pelo EBITDA e mede a valorização operacional. Sendo que 18x (valor da CXMT) é significativamente mais caro que os 10x da Micron.
Ou seja, com a subida para 49 yuan, a CXMT passou a negociar a múltiplos claramente superiores aos da Micron (o peer mais direto entre os Big 3).
Em termos práticos: os investidores estão a pagar muito mais pelos lucros, pelas vendas e pelo EBITDA da CXMT do que pelos da Micron, e ainda recebem um rendimento de caixa (FCF yield) bastante inferior. Isto sugere que o mercado chinês está a atribuir um prémio de crescimento (e/ou de importância estratégica nacional) muito elevado à CXMT, enquanto a Micron (já consolidada e com tecnologia mais avançada, incluindo HBM) está a ser valorizada de forma mais conservadora.
A XTB conclui que a valorização implícita a 49 yuan exigiria a manutenção de um crescimento muito agressivo, com receitas a avançarem entre 330% e 400% e lucros entre 4.700% e 6.000% até ao final de 2026, algo que considera “extremamente improvável”. A casa alerta ainda para o caráter cíclico do setor das memórias e para o risco histórico de sobreprodução.
A CXMT continua a ser o 4.º maior produtor mundial de DRAM, atrás dos três gigantes tradicionais: Samsung, SK Hynix e Micron (que juntos controlam cerca de 90% do mercado).
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