Galp diz que é um “bom momento” para conversas com Angola
A Galp considera que é um “bom momento” para conversar com Angola sobre o setor petrolífero do país, mas não se compromete, nesta altura, com um investimento no país.
“Há de facto também uma postura por parte, tanto do Governo [angolano], com quem tivemos a oportunidade de reunir e com a Sonangol, de incentivar e de alargar a exploração. É um bom momento para que estas conversas aconteçam, nada mais do que isso”, disse ao JE o co-CEO João Diogo Marques da Silva, que esteve presente na visita recente da petrolífera portuguesa ao país lusófono.
O gestor recordou que a Galp mantém uma “operação importante” de distribuição de combustível no país em conjunto com a Sonangol: “Estamos confortáveis com o parceiro, são acionistas próximos, conhecemos bem os ativos”.
Por sua vez, a co-CEO Maria João Carioca sublinhou que a companhia está sempre a avaliar novas oportunidades. “A nossa atividade de upstream requer que estejamos permanentemente a avaliar oportunidades em ativos, alguns mais maduros, outros que estão em fase ainda mais inicial de exploração”, dando o exemplo de São Tomé e Príncipe.
“Encaramos sempre este conjunto de conversas com alguma naturalidade”, mas as “coisas acontecem quando estão fechadas, não acontecem antes”.
O presidente do conselho de administração da Sonangol revelou recentemente a visita da Galp a Angola.
“Ainda recentemente tivemos uma delegação da Galp, que depois de ter saído, voltou e quer investir connosco nas áreas de exploração e produção”, disse o presidente da Sonangol Sebastião Gaspar Martins a 10 de julho na conferência Doing Business Angola organizada pelo Jornal Económico/Forbes.
A Galp saiu da produção de petróleo em Angola em 2024 tendo vendido os seus projetos à petrolífera privada angolana Etu Energias por 830 milhões de dólares, terminando uma ligação ao setor de produção do país de várias décadas.
Os mais de 70 blocos petrolíferos licitados nos últimos anos em Angola vão gerar mais de 70 mil milhões de dólares de investimentos no país lusófono que pretende continuar a lançar novas concessões até ao final da década.
Neste momento, a Galp mantém apenas a sua presença no setor de distribuição de combustíveis num consórcio com a Sonangol, a Sonangalp.
“Angola continua a ser um bom local para se poder investir”, afirmou o gestor, considerando que existem “oportunidades de investimento ao nível de todo o portfólio” da Sonangol.
O executivo convidou os interessados em ativos a conversarem com a Sonangol, enderençando o convite a empresas portuguesas.
“Angola é estável em termos de estabilidade contratual”, garantiu, apontando para as suas 41 concessões petrolíferas. “Estamos envolvidos com todos os principais investidores estrangeiros.
Sobre a Galp, considera que é uma “empresa irmã” por estar também na exploração e produção, mas também nas energias renováveis, considerando a parceria positiva, apesar de ter havido “momentos bons e maus” ao longo dos anos.
Sebastião Gaspar Martins ainda abordou a participação da Sonangol no BCP. “Adquirimos a participação no BCP, tivemos um momento em que fruto da desvalorização no próprio mercado, as ações foram caindo, se tivéssemos sido precipitados, não estaríamos a ver o bom momento de ter atingido acima de um euro por ação. Não vamos sair desta oportunidade com o BCP”.
Resumindo, a Sonangol considera ter uma “presença muito valiosa em Portugal” com a participação indireta de 17% na Galp e de quase 20% no BCP.
O presidente da petrolífera estatal também revelou que a Mota-Engil e a Sonangol querem “reavivar um estaleiro naval para apoio e manutenção da indústria petrolífera”.
“Sentimos uma grande possibilidade de transformar a região sul de Angola, o Kwanza Sul. Vamos investir com possibilidade de levarmos para este estaleiro a construção de componentes de navios em Angola, que estamos a fazer agora na Coreia do Sul”, explicou.
A Sonangol conta com 10 navios Suez Max e dois estão a ser renovados agora na Coreia do Sul. A ideia será fazer este trabalho em Angola com a Mota-Engil. O objetivo é “alguns desses componentes serem construídos nesse estaleiro”.
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