Fed não mexe nos juros apesar do reacender das tensões em Ormuz
A Reserva Federal norte-americana deixou os juros de referência inalterados na reunião de julho, em linha com o esperado e tal como havia sucedido no mês anterior. Kevin Warsh, o novo presidente do banco central, vai assim cumprindo a sua promessa de que iria continuar a lutar contra a inflação elevada, afastando receios de subserviência à Casa Branca, e, tal como em junho, o comunicado não oferece quaisquer pistas quanto ao futuro.
As taxas diretoras para a maior economia do mundo permanecem assim entre 3,5% e 3,75% após cinco reuniões sem mexidas, as duas últimas já sob a liderança de Kevin Warsh, que garantiu que iria fazer regressar a estabilidade de preços após vários anos com o indicador acima do objetivo da Fed de 2%.
Tal como na reunião de junho, e em linha com o que havia argumentado o novo presidente, o comunicado foi consideravelmente mais curto e conciso do que nos tempos de Jerome Powell, não dando qualquer tipo de forward guidance – algo que, de resto, Warsh se mostrou veementemente contra.
Outro aspeto que Warsh traz e parece ser para manter é que o resultado da votação do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) é tornado explícito na nota que informa da decisão. Neste caso, houve três dissidentes que votaram a favor de uma subida de 25 pontos base (pb), contra nove governadores que queriam manter os juros inalterados.
Os dissidentes são todos governadores de bancos centrais regionais, mais especificamente da Fed de Cleveland, de Minneapolis e de Dallas, em linha com as suas declarações ao longo das últimas semanas, em que se vestiram as plumas de ‘falcão’ e alertavam para a necessidade, no seu ver, de tomar uma postura mais agressiva contra a inflação.
O comunicado falou ainda numa “incerteza elevada devida, em parte, ao conflito no Médio Oriente”, mas também num “forte crescimento da produtividade e investimento de capital”.
No entanto, há também o reconhecimento que a inflação continua elevada, algo explicado sobretudo por “choques na oferta que têm levado os preços a subir em certos sectores, incluindo a energia”.
Apesar da descida da inflação na mais recente leitura, quando caiu de 4,2% em maio para 3,5% em junho, o reacender das tensões no Médio Oriente e subsequente disparo na cotação internacional do petróleo ainda fez investidores e analistas inclinarem-se para a possibilidade de uma subida de 25pb. Nas horas que antecederam a decisão, as taxas implícitas de mercado apontavam para 35,8% de probabilidade de uma subida, um cenário que ganhou força nos últimos dias, considerando que a FedWatch Tool da CME Group reportava 29,9% de probabilidade há um mês.
Apesar da descida da inflação na mais recente leitura, quando caiu de 4,2% em maio para 3,5% em junho, o reacender das tensões no Médio Oriente e subsequente disparo na cotação internacional do petróleo ainda fez investidores e analistas inclinarem-se para a possibilidade de uma subida de 25 pontos base (pb). Nas horas que antecederam a decisão, as taxas implícitas de mercado apontavam para 35,8% de probabilidade de uma subida, um cenário que ganhou força nos últimos dias, considerando que a FedWatch Tool da CME Group reportava 29,9% de probabilidade há um mês.
[notícia atualizada às 19h08]
Share this content:


Publicar comentário