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Luís Neves: decisão do atrelado “poupou dinheiro ao Estado” e não teve qualquer contrapartida

Luís Neves: decisão do atrelado “poupou dinheiro ao Estado” e não teve qualquer contrapartida

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, esclareceu, esta quarta-feira, as suspeitas que pairam sobre si. O ministro esclareceu que a decisão do atrelado ter sido guardado na Construbarcelos foi a “melhor” perante as circunstâncias que existiam.
O atrelado foi apreendido em 2024, depois da PJ ter desmantelado um armazém de pasta de cocaína. Contudo, a PJ não tinha lugar para o armazenar, uma vez que os dois armazéns estavam carregados com dois produtos, tabaco e azeite contrafeito, “foi por isso que não foi armazenado nos nossos armazéns”. “Esta decisão ganhou-nos tempo para poupar dinheiro ao Estado”, garante, salientando que “assumi essa decisão e assumo-a hoje”.
Luís Neves sublinha ainda que “não foi desviado qualquer bem, não foi comprometida qualquer prova, não foi beneficiado ninguém, e não há ligação ao trafego”.
Sobre a polémica do favorecimento à Construbarcelos, o ministro refere que entre 2019 e 2025 apenas 8% dos contratos celebrados foram com esta empresa e afirma que após ter conhecido o empreiteiro, João Carvalho, a empresa “representou 4% do valor das empreitadas contratadas pela PJ”.
O ministro contratou a mesma empresa para realizar obras numa propriedade sua, mas garantiu “não favoreci esta pessoa nem a empresa, nem recebi nenhum benefício. Foi um contrato feito com uma pessoa que trabalha bem e na qual tenho confiança. Não ouve ganho de um cêntimo nesta atividade”.
Na sua declaração, Luís Neves explicou que todos os imóveis comprados foram a “preço de mercado as obras também foram feitas por si e pelo seu filho e que a sua mulher “fez o pagamento em entregas pontuais ao fim de semana em dinheiro”.
As obras na sua casa incluíram um alpendre em madeira no exterior e um pavimento para estacionamento, e um tanque, que “acabou por se transformar numa piscina”, contudo revela que “não pediu licenciamento”.  Luís Neves garante que já solicitou uma reunião com a Câmara Municipal de Odemira para regularizar a sua situação.
Nos seus esclarecimentos, o ministro garantiu que João Carvalho já não faz obras na sua casa.
Já sobre a falha na entrega de declarações à Autoridade da Transparência, o ministro  explica que apresentou um parecer a expor que o revelar a sua morada poderia colocar em causa a sua segurança. Já a declaração para o Tribunal de Contas, o ministro salienta que não foi contactado pelo Tribunal de Contas para apresentar declarações de rendimentos durante os seus mandatos na PJ.
“Sei o que é o bem e o mal. Nem sempre acertei, mas estive sempre do lado do bem”, garante, salientando que “nunca usei cargos públicos para beneficiar quem quer que seja”. Luís Neves aponta que a “prioridade continua a ser a mesma do primeiro dia como ministro da administração interna”.
O ministro revela ainda que se sente “perfeitamente apoiado pelo primeiro-ministro”.
 
 

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