CGD com lucros de 913 milhões no primeiro semestre a crescerem 2,2% com subida do crédito e recursos
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou um resultado líquido consolidado de 913 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um aumento de 2,2% face ao mesmo período do ano passado, impulsionado pelo crescimento da atividade comercial em Portugal, onde o volume de negócios aumentou sete mil milhões de euros.
O ROE (rentabilidade dos capitais próprios recorrente ascendeu a 31,5%.
A margem financeira caiu 3% para 1.241 milhões de euros; as comissões subiram 6% para 308 milhões de euros, projetando o produto bancário para uma queda de 4% para 1.597 milhões. O banco destaca que a subida da receita das comissões acompanha o aumento do volume de negócios.
Os custos de estrutura subiram 1% para 562 milhões de euros.
O banco reporta um aumento das provisões e imparidades, face a junho de 2025, de 57 milhões de euros, entre recuperações de crédito (5 milhões) e eliminação de riscos e garantias (4 milhões) e um aumento da imparidade para crédito (66 milhões de euros). As outras provisões e imparidades aumentaram 18 milhões.
Os impostos pagos pela CGD caíram 32 milhões de euros.
O resultado bruto de exploração ascendeu a 1.035 milhões de euros.
Na apresentação dos resultados, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, destacou que o banco registou “o maior crescimento de sempre” do volume de negócios, que aumentou 11,5 mil milhões de euros face ao período homólogo (+7%) para 162 mil milhões de euros, sustentado pela expansão do crédito e dos recursos de clientes.
Em Portugal, os recursos totais ascenderam a 107 mil milhões de euros no final de junho, mais 3,4 mil milhões de euros (+3,3%) do que no final de 2025, impulsionados pelo reforço dos depósitos e dos produtos de investimento. Os depósitos aumentaram 4% num ano para 80,2 mil milhões de euros. Os fundos, seguros, e outros recursos cresceram 11% para 26,4 mil milhões.
A carteira de crédito a clientes atingiu 55 mil milhões de euros, crescendo 3,6 mil milhões (+7%) no semestre. A produção de crédito à habitação alcançou cerca de 3,7 mil milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, um aumento de 42% em termos homólogos, ultrapassando os 740 milhões de euros em junho, o valor mensal mais elevado de sempre.
A subida anual do crédito à habitação foi de 13% para 30,2 mil milhões de euros.
A CGD indicou ainda que financiou uma em cada três operações realizadas por jovens ao abrigo da linha de crédito à habitação com garantia pública do Estado, tendo elevado para 2,5 mil milhões de euros o montante concedido através desta medida.
O crédito ao consumo cresceu 15% para 1,5 mil milhões de euros.
No segmento empresarial, o financiamento de médio e longo prazo ascendeu igualmente a 3,7 mil milhões de euros no semestre, um crescimento de 44% face ao período homólogo para 23,4 mil milhões. Segundo o banco, este desempenho permitiu reforçar a quota de mercado em setores como a economia nacional, imobiliário e construção, indústria transformadora e comércio.
Na área digital, a Caixa refere que conta com cerca de 2,6 milhões de clientes digitais em Portugal, dos quais 2,8 milhões realizam transações financeiras diariamente. O banco afirma que 99% das operações são efetuadas através de canais digitais e apenas 1% nas agências. A plataforma Caixadirecta Empresas ultrapassou os 200 mil clientes, um crescimento de 19% em termos homólogos.
A instituição manteve ainda a maior rede comercial da banca nacional, com 484 agências e 45 balcões especializados para pequenas e médias empresas.
Ao nível da solidez financeira, a CGD apresentou rácios CET1 e de capital total de 21,3%, já após o pagamento do dividendo de 1.250 milhões de euros, o maior da história da banca portuguesa. Desde a recapitalização de 2017, o banco gerou organicamente 8,8 mil milhões de euros de capital, dos quais 4,2 mil milhões permanecem retidos na instituição.
A Caixa já entregou ao Estado 1,33 mil milhões em dividendos e IRC este ano e a CGD espera que no fim do ano esse valor suba para 1,66 mil milhões de euros.
Em 2024 e 2025 a CGD pagou mais de 3,4 mil milhões de euros em dividendos e IRC (entre 1,66 mil milhões em 2024 e 1,78 mil milhões em 2025).
Até junho o banco reporta 30 milhões de euros de contribuições sobre o setor bancário bancário e adicional de solidariedade.
Na qualidade dos ativos, o rácio de crédito malparado (NPL) em base ‘proforma’ desceu para 1,36%, reforçando a melhoria da carteira de crédito.
A exposição a ativos não core – NPL, imóveis, fundos de reestruturação – reduz 7% face ao período homólogo em base prpforma. O que, explicou o CEO da CGD, provoca a melhoria do ROA – Return on Assets.
A CGD destacou ainda a evolução da sua reputação e notação financeira, referindo que continua a ser a marca bancária mais reputada em Portugal. Em 2026, a agência S&P reviu o ‘outlook’ do rating para “positivo”, enquanto a DBRS atribuiu à Caixa a notação A (high), a mais elevada entre os bancos portugueses.
O banco do Estado destaca ainda o facto de ter sido selecionado pelo BCE para integrar o projeto-piloto do euro digital.
Share this content:



Publicar comentário