Porto de Leixões adota novo sistema de energia no Terminal de Cruzeiros
Os navios de cruzeiro que atracam no Porto de Leixões passam a poder operar sem recurso a geradores a diesel enquanto estão atracados, eliminando o consumo de combustível durante a estadia em porto. A mudança, refere comunicado das empresas envolvidas, será possível com a implementação de um sistema OPS (Onshore Power Supply), atualmente em desenvolvimento pela VINCI Energies em Portugal para o Terminal de Cruzeiros, no âmbito de um projeto estratégico conduzido pela APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo. “Esta solução permite reduzir significativamente as emissões de CO₂ durante as escalas dos navios, [entre 70% e 90% por escala], que se mantêm habitualmente em funcionamento durante várias horas”.
Desenvolvido, em Portugal, em consórcio pelas marcas Omexom e Actemium da VINCI Energies, mobilizando também a reconhecida experiência técnica da Actemium em França, o sistema vai permitir que os navios se liguem diretamente à rede elétrica em terra, o que garante a alimentação de todos os seus sistemas elétricos e operacionais durante a atracagem. Durante uma escala, um navio de cruzeiro pode consumir energia equivalente à de milhares de habitações, com necessidades que podem atingir 50 a 70 MWh por escala, pelo que essa necessidade passa a ser assegurada pela rede elétrica em terra, em substituição dos geradores a diesel.
“A solução disponibilizará até 16 MVA de potência, o suficiente para abastecer uma pequena cidade de cinco mim famílias, o que permite que estes gigantes dos mares desliguem os motores e se tornem mais silenciosos e com menor impacto ambiental no Porto de Leixões”. Numa abordagem faseada, o sistema assegura numa primeira fase uma capacidade de 8 MVA, evoluindo para a capacidade total instalada. O sistema será adaptado às diferentes características dos navios, através de fornecimento a 50 ou 60 Hz e tensões de 6,6 kV ou 11 kV, o que garante a compatibilidade com a diversidade de frotas que escalam o porto.
A infraestrutura inclui uma subestação shore-side, alimentada a partir da infraestrutura elétrica existente no terminal e equipada com sistemas de conversão de frequência e tensão, e um sistema móvel de gestão de cabos (CMS), que permite a ligação segura e eficiente dos navios à rede elétrica. O projeto integra ainda um sistema de controlo e monitorização automatizados, bem como uma plataforma SCADA, que assegura a supervisão em tempo real e a futura integração numa gestão centralizada do porto.
Para a VINCI Energies em Portugal, este projeto representa um contributo relevante para a modernização das infraestruturas portuárias e para a aceleração da transição energética: “esta solução traduz o que acreditamos ser o futuro dos portos: operações mais limpas, eficientes e tecnologicamente avançadas. A solução OPS no Porto de Leixões reduz emissões, melhora a qualidade ambiental local e reforça a competitividade do terminal perante as novas exigências das companhias de cruzeiros”, afirmou Gonçalo Sampaio, Managing Director da Omexom Portugal, citado pelo comunicado.
“A implementação do sistema OPS no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões representa um passo decisivo na estratégia de descarbonização do porto e na melhoria da relação entre a atividade portuária e a cidade. Ao permitir que os navios se liguem à rede elétrica em terra, reduz o ruído e o impacto ambiental durante as escalas, o que reforça também a posição de Leixões como um porto moderno e preparado para responder às novas exigências ambientais da indústria de cruzeiros e acelera a transição energética no setor marítimo-portuário”, referiu João Pedro Neves, presidente do Conselho de Administração da APDL, igualmente citado pelo comunicado.
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