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Fracas perspectivas de médio prazo

Fracas perspectivas de médio prazo

O PIB do 2º trimestre foi melhor do que o esperado e deverá ajudar a que o crescimento final de 2026 seja pouco abaixo dos 2%. No entanto, a sua qualidade deverá ser tão baixa como a dos últimos anos: sobretudo alicerçada na criação de emprego pouco qualificado e com ganhos muito modestos da produtividade.
Um dos aspectos mais inquietantes da generalidade das previsões sobre a economia portuguesa é que praticamente não deverá haver uma recuperação do crescimento nem 2027 nem nos anos seguintes. Após as dificuldades de 2026, não se antecipa qualquer recuperação posterior.
Entre 2019 e 2025, o PIB cresceu em média 1,8% ao ano, com um aumento de 1,3% do emprego e apenas 0,5% de produtividade. Para 2026, são exactamente esses os valores previstos, segundo a média das principais instituições.
Para os anos seguintes, espera-se um crescimento semelhante, mas com uma composição em melhoria sucessiva, cada vez menos dependente do emprego e cada vez mais da produtividade. Em particular, para 2030, a média das duas únicas instituições que se atrevem a prever para essa data (Conselho de Finanças Públicas e FMI), espera-se um PIB a subir 1,7%, com apenas 0,2% de aumento do emprego e 1,5% da produtividade.
Em relação ao facto de o nosso crescimento passar a estar cada vez menos dependente da criação do emprego, isso parece muito razoável porque a imigração deverá abrandar, quer devido aos limites das nossas infra-estruturas para receber ainda mais trabalhadores estrangeiros, quer devido a pressões dos eleitores. Dentro do próprio PS, já há quem reconheça a imprudência das suas políticas de imigração.
Já a expectativa de que a produtividade passe a ser o principal motor do crescimento é que gera fundadas dúvidas. Em primeiro lugar, porque há um quarto de século que isso não se tem verificado. Mas, sobretudo, porque o actual governo, que se auto-intitula de “reformista”, continua a adiar a aplicação de reformas com impactos visíveis no terreno e no imediato. Até agora, a dúvida que persiste é se a reforma do Estado pariu um rato ou uma formiga (ou até mesmo uma cigarra).
Em contrapartida, se não passarmos a crescer com base na produtividade, há algumas previsões de médio prazo que será seguro fazer. O PIB deverá crescer claramente abaixo dos 2%, um valor que já é insuficiente. Continuaremos a ter uma estagnação dos salários médios, com a correspondente insatisfação política, que alimenta os extremismos. A compressão salarial entre o salário mínimo e o salário médio deverá aumentar, expandindo a frustração de milhões de trabalhadores que, após décadas de trabalho, vêem que ganham pouco mais dos que se iniciaram há pouco. As contas públicas deverão ficar pressionadas, ainda por cima com as despesas militares suplementares, o que deverá forçar medidas muito impopulares, de cortes de outras despesas e aumento de impostos.
Com a actual configuração parlamentar, de três grupos de dimensão similar que não se entendem, teme-se o pior. Em resumo, se o actual governo falhar nas reformas, esperam-nos tempos muito difíceis.

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