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A economia das subscrições

A economia das subscrições

Convido o leitor a refletir no número de subscrições que possui neste momento. É assinante do Jornal Económico? Uma. Está inscrito num ginásio? Duas. É cliente de alguma plataforma de streaming? Três. E a contar.
Das mais tradicionais, como os jornais e revistas, às que se popularizaram mais recentemente, como as plataformas de streaming, as subscrições têm vindo a tornar-se cada vez mais comuns na vida dos consumidores.
Neste modelo de consumo, a propriedade é substituída pelo acesso. Por exemplo, um consumidor não compra um álbum, mas sim o acesso a este numa plataforma de streaming musical. Assim, o valor para o consumidor deixa de estar na propriedade e passa a estar no acesso ao bem, sem os respetivos custos de manutenção, armazenamento ou obsolescência que a propriedade acarreta.
Os modelos de subscrição são reconhecidos pelo seu potencial de promoção de um consumo mais sustentável. Ao subscreverem a compra de um serviço ou produto, os consumidores tendem a comprar quantidades mais reduzidas e estão menos expostos à compra por impulso. Os consumidores beneficiam, também, de uma maior acessibilidade e conveniência.
Já as empresas utilizam as subscrições para obter receitas recorrentes, fidelizar clientes e segmentá-los, adaptando o serviço ao perfil de consumo de cada um através da informação recolhida. As estratégias de preço devem ser adequadas a essa fidelização.
Diferentes tipos de subscrição exibem, contudo, diferentes elasticidades preço da procura. De acordo com estudos científicos existentes, as subscrições de produtos são, ainda, menos comuns do que as subscrições de serviços e, destas últimas, os ginásios e plataformas de música são as que exibem maior sensibilidade a variações do preço. A existência de múltiplos substitutos e a reduzida diferenciação nestes setores explica que assim seja. Por outro lado, a fidelização tende a ser maior quando os custos de mudança são elevados, o que se reflete também numa menor sensibilidade ao preço.
No caso das plataformas de streaming e dos canais desportivos, a concorrência pode não afetar a sensibilidade ao preço na medida em que os consumidores tendem a valorizar mais o acesso a conteúdos exclusivos. Neste caso, a dispersão de conteúdos, em vez da sua concentração numa única plataforma, leva à necessidade de subscrever mais do que um serviço para aceder a diferentes conteúdos. Para além do impacto financeiro que a acumulação de várias subscrições pode ter no orçamento, a “fadiga da subscrição” é real. Sim, existe um nome na comunidade científica para o sentimento de assoberbamento com o número de subscrições detidas ou com os custos a elas associados.
Voltemos, então, à reflexão inicial. Quantas subscrições tem neste momento? Se perdeu a conta, não está sozinho. Se também sofre da fadiga da subscrição, um exercício de escrutínio pode ser o primeiro passo para a curar.

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