Lucros dos cinco maiores bancos caem 2,7% no primeiro semestre, mas mantêm-se acima dos 2,5 mil milhões
Os cinco maiores bancos a operar em Portugal — CGD, BCP, Novobanco, Santander e BPI — registaram lucros agregados de cerca de 2.537,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, num período marcado pela descida das taxas de juro e por uma pressão crescente sobre a margem financeira, compensada em parte pelo aumento das comissões e pela manutenção de níveis elevados de rentabilidade. Este valor compara com os 2.608,1 milhões registado pelos mesmos banco no primeiro semestre de 2025.
O BCP acelera com um crescimento de quase 13%, o Novobanco e o BPI desaceleram fortemente (-15,6% e -13%), e o Santander regista uma quebra de quase 5%.
O Novobanco explicou que numa base trimestral, o resultado líquido do segundo trimestre apresenta um decréscimo de -34,1 milhões face ao resultado do 1º trimestre do ano, justificado pelos custos relacionados com o processo de venda do banco ao Grupo BPCE. Ainda assim, o banco reivindica uma rendibilidade “robusta”, com o RoTE (rendibilidade dos capitais próprios tangíveis) a fixar-se em 17,1%, valor que compara com os 22,2% do primeiro semestre de 2025.
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) voltou a liderar o setor, com um resultado líquido de 913 milhões de euros, registando uma subida homóloga de 2,2%. O banco público apresentou um retorno sobre capitais próprios (ROE) de 16,6%.
O BCP é o grande destaque positivo, com 566 milhões de lucros é o único com um crescimento expressivo dos lucros e é o único que regista uma subida da receita de juros. Já que a margem financeira cresce 3,40%.
O Santander Totta registou um lucro de 452,8 milhões de euros, menos 4,9% em termos homólogos. Ainda assim, apresentou a rentabilidade mais elevada entre os cinco bancos, com um ROE de 29,3%.
Já o Novobanco entra em 4º lugar com 367 milhões, mas com a maior queda anual do grupo, de 15,6% face ao primeiro semestre de 2025. Apesar da descida dos lucros, o banco manteve um ROE de 17,1%.
O BPI encerrou o semestre com um lucro de 239 milhões de euros, menos 13% do que no período homólogo, e um ROE de 14,8%.
A evolução dos resultados refletiu o impacto da descida das taxas de juro na margem financeira, principal fonte de receitas da banca. Entre os cinco bancos, apenas o BCP conseguiu aumentar esta rubrica, registando uma subida de 3,4%, para 1.493,8 milhões de euros.
A CGD viu a margem financeira recuar 3%, para 1.241 milhões de euros, enquanto as quedas foram de 2,6% no Santander e de 1% no BPI. No Novobanco, a margem financeira cresceu ligeiramente, 0,8%, para 563,3 milhões de euros.
Segundo uma análise da DBRS. A Caixa viu os resultados no primeiro semestre de 2026, serem sustentados por significativas libertações de imparidades de crédito, fruto da melhoria da qualidade subjacente dos ativos. A receita operacional recuou em termos homólogos, refletindo a diminuição da margem financeira líquida (NII) e ganhos mais fracos da carteira de trading.
A CGD viu o produto bancário cair 4%. Fonte oficial da CGD ressalva, no entanto, que “a margem financeira caiu 3% em termos homólogos, sobretudo devido à descida das taxas de juro e ao efeito cambial nas filiais internacionais. Mas também porque o aumento significativo do volume de crédito concedido não foi suficiente para compensar a redução das taxas de juro, quer dos depósitos aplicado no BCE, quer das taxas Euribor”.
“No crédito, a redução das Euribor teve um impacto negativo de 99 milhões de euros, mas já estamos a assistir a uma recuperação da margem financeira e esperamos que essa tendência se mantenha no segundo semestre, impulsionada pelo crescimento do crédito e pela evolução das taxas do BCE e da Euribor”, acrescenta fonte da CGD.
No conjunto das receitas, o BCP liderou em produto bancário, com 1.950,3 milhões de euros, seguido da CGD, com 1.597 milhões. O produto bancário aumentou 5,5% no banco liderado por Miguel Maya e 5% no Novobanco, mas recuou 4% na CGD, 2% no BPI e 1,2% no Santander.
As comissões continuaram a dar um contributo positivo para as receitas dos bancos. O BCP arrecadou 361,7 milhões de euros, mais 4,2% do que um ano antes, enquanto a CGD aumentou as receitas com comissões em 6%, para 308 milhões.
No Santander, as comissões cresceram 5,5%, para 259,2 milhões de euros, e no BPI avançaram 8%, para 162,3 milhões. O Novobanco foi o único dos cinco bancos a registar uma ligeira redução nesta rubrica, de 0,5%, para 178,1 milhões de euros.
O BCP e o Novobanco são os únicos onde se verifica uma subida do produto bancário, de 5,5% e 5%, respectivamente. Os outros têm as receita em queda apesar do aumento do volume de negócios.
Os custos operacionais aumentaram na maioria dos bancos, acompanhando a inflação e o investimento em tecnologia. O BPI registou a maior subida (6%), seguido do BCP (5,4%), Novobanco (7,7%) e CGD (1,1%), enquanto o Santander foi a única instituição a reduzir os custos, em 0,7%. Ainda assim, manteve o rácio de eficiência mais baixo do grupo (28,5%), à frente da CGD (31,5%), BCP (37%), Novobanco (39,4%) e BPI (43%).
Apesar da pressão sobre a margem financeira decorrente da normalização das taxas de juro, os resultados do primeiro semestre mostram que os maiores bancos continuam a beneficiar de níveis de rentabilidade historicamente elevados.
A CGD e Novobanco beneficiaram de reversões de provisões (custos negativos), sem este efeito não recorrente, ambos teriam resultados operacionais mais fracos.
A qualidade dos ativos permaneceu elevada. Os rácios de crédito malparado continuaram em níveis historicamente baixos, situando-se entre 1,3% no Santander e no BPI e 2,8% no Novobanco. O Novobanco tem o dobro do malparado dos seus pares.
O BCP registou um rácio de NPL de 1,4% e a CGD de 1,63%. A cobertura por imparidades variou entre 84% no BPI e 97,2% no BCP, com a CGD a apresentar 94%, o Novobanco 90,2% e o Santander 88,3%.
O custo do risco manteve-se reduzido em praticamente todas as instituições. O BCP apresentou o maior custo do risco de crédito de 32 pontos base, ou 0,32%, sendo este o ponto fraco do banco liderado por Miguel Maya; seguido do BPI com oito pontos base e do Santander com um custo do risco de sete pontos base.
Já a CGD e o Novobanco registaram valores negativos (-0,50% e -0,11%, respectivamente), refletindo recuperações líquidas de imparidades e libertações de provisões num contexto de boa qualidade da carteira de crédito.
No balanço, o Santander Totta lidera o crescimento do crédito (+9,4%), seguido do BCP (+8,6%) e Novo Banco (+8,3%). Curiosamente, o Santander é quem mais cresce em crédito mas viu os lucros caírem
Do lado da atividade comercial, todos os bancos apresentaram crescimento da carteira de crédito. O Santander liderou, com uma subida homóloga de 9,4%, seguido do BCP (8,6%), Novobanco (8,3%), BPI (8%) e CGD (6,8%). Também os depósitos aumentaram em todas as instituições, destacando-se o BCP, com um crescimento de 8,5%, seguido do Novobanco (7,7%), Santander (5,6%), BPI (4%) e CGD (2,5%).
Em termos de solvabilidade, todos os bancos mantiveram rácios de capital CET1 confortavelmente acima dos requisitos regulamentares. A CGD apresentou o rácio mais elevado, de 21,3%, seguida do Novobanco (19,2%), Santander (15,8%), BCP (15,1%) e BPI (13,9%), confirmando uma posição de capital robusta em todo o setor.
Share this content:


Publicar comentário