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Inovação e competitividade são o futuro da economia portuguesa

Inovação e competitividade são o futuro da economia portuguesa

Portugal registou em 2024 um novo máximo histórico na balança de bens e serviços, com as exportações a ultrapassarem as importações em cerca de 6,5 mil milhões de euros, reforçando o excedente alcançado no ano anterior. Em 2025, apesar de um contexto internacional mais exigente, a economia portuguesa manteve um saldo positivo de cerca de 3,7 mil milhões de euros, segundo dados do Banco de Portugal.
Estes resultados mostram uma economia mais aberta e mais competitiva, mas também reforçam a necessidade de continuar a evoluir. Portugal tem de apostar cada vez mais na criação de valor, no crescimento das exportações, na diversificação de mercados e na redução da dependência de importações em setores estratégicos.
Para isso, há vários fatores críticos: menos burocracia, um sistema fiscal mais eficiente, empresas mais capitalizadas, melhores qualificações e maior dimensão empresarial. Mas há um fator que se destaca acima de todos os outros: a inovação.
A inovação depende de pessoas e de conhecimento. Depende da capacidade de reter talento qualificado, de atrair jovens formados e de criar condições para o regresso de quem saiu do país. Depende também da ligação entre empresas, universidades e centros de investigação, que tem vindo a ganhar maturidade em Portugal e constitui hoje um verdadeiro ecossistema de inovação.
O sistema científico e tecnológico nacional é cada vez mais um parceiro essencial das empresas, não apenas na produção de conhecimento, mas sobretudo na sua aplicação à economia real.
Os dados do European Innovation Scoreboard 2025 mostram que Portugal continua no grupo dos “Inovadores Moderados”, mas subiu ao 16.º lugar entre os 27 Estados-Membros da União Europeia. O país já atinge cerca de 90,7% da média europeia, o que representa uma evolução positiva, embora ainda insuficiente face ao ritmo de convergência desejado.
Entre os pontos fortes destacam-se o apoio público à investigação e desenvolvimento empresarial, onde Portugal lidera na União Europeia, o crescimento de doutorandos estrangeiros, a colaboração entre ciência e empresas e a crescente adoção de tecnologias digitais.
No entanto, persistem desafios importantes: o investimento privado em I&D continua abaixo da média europeia, as exportações de tecnologia avançada ainda são limitadas, o capital de risco é escasso e a proteção da inovação através de patentes e propriedade intelectual continua a ser uma fragilidade.
Superar estes desafios é essencial para transformar conhecimento em valor económico, reforçar empresas tecnológicas e criar emprego mais qualificado e melhor remunerado.
Num contexto europeu marcado por grandes desafios globais, como a autonomia estratégica, a segurança coletiva e a necessidade de reforçar a competitividade industrial, torna-se essencial acelerar uma reindustrialização baseada na dupla transição: digital e climática.
É aqui que a inovação assume um papel central. Não apenas como motor de crescimento económico, mas também como fator decisivo para a sustentabilidade, a coesão social e a qualidade de vida.
É neste enquadramento que iniciativas como o innovation FORUM ganham particular relevância. Promovido pelo PIEP – Polo de Inovação em Engenharia de Polímeros, centro de tecnologia e inovação da Universidade do Minho, este fórum pretende criar um espaço de encontro entre academia, indústria e setor público, promovendo a colaboração e a criação de novas soluções para os desafios atuais.
O innovation FORUM realizou-se no dia 30 de junho, no Teatro Jordão, em Guimarães, e debateu temas como o futuro da mobilidade automóvel, os modelos circulares para a competitividade, a defesa enquanto oportunidade estratégica e os ecossistemas de inovação para uma economia mais forte.
Mais do que um evento, trata-se de um espaço de reflexão sobre o futuro da indústria e da economia europeia, num momento em que a inovação é determinante para garantir maior autonomia, resiliência e competitividade. Portugal tem conhecimento, talento e instituições capazes. O desafio é transformar esse potencial em impacto económico e social real, garantindo mais crescimento, melhores salários e maior qualidade de vida.

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