Supremo russo proíbe único partido contra a guerra de participar em eleições
O Supremo Tribunal da Rússia proibiu esta segunda-feira o Yabloko, único partido antiguerra de participar nas eleições legislativas de setembro no país.
“Os pedidos de anulação do registo” da lista de candidatos do Yabloko para a renovação da Duma (câmara baixa do parlamento russo) “foram aceites”, declarou o juiz que presidiu à audiência, Viatcheslav Kirillov.
Kirillov é o mesmo juiz que ilegalizou a organização de direitos humanos Memorial, Nobel da Paz em 2022.
Horas antes do veredicto, o líder do partido liberal, Nikolai Rybakov, depôs perante o Supremo Tribunal, em Moscovo, e disse que os líderes do regime presidido por Vladimir Putin, no poder desde 2000, “compreendem que as pessoas querem votar pela paz”.
“E têm medo. Por isso é que nos querem excluir das eleições”, afirmou, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
Rybakok disse que, nas últimas semanas, em toda a Rússia, os dirigentes do Yabloko receberam “milhões de mensagens com palavras de apoio”.
Muita gente “quer e está disposta a votar nas próximas eleições no Yabloko”, acrescentou.
Na mesma linha, o fundador do partido, Grigory Yavlinsky, afirmou numa mensagem que “o Yabloko propôs às pessoas votarem a favor da paz, da liberdade e da vida sem medo”.
“Isso é o mais importante agora e nenhum outro partido na Rússia propõe algo parecido”, disse Yavlinsky, que fundou o Yabloko em 1993, juntamente com Yury Boldyrev e Vladimir Lukin.
A ação judicial é semelhante à que o partido nacionalista Rodina apresentou, em julho, na região noroeste da Carélia, e que levou o Supremo local a excluir o Yabloko das eleições para a assembleia regional.
Entre outras questões, o Yabloko exige a cessação imediata dos combates e o início célere de negociações de paz com a Ucrânia, além da libertação dos mais de 1.750 presos políticos.
Políticos russos de renome manifestaram nos últimos dias que o Yabloko, cujas listas foram aprovadas no final de julho pela Comissão Eleitoral Central, devia ser excluído.
Vários candidatos mais populares do Yabloko, incluindo o líder, já foram excluídos por criticarem a guerra ou por extremismo, por terem publicado nas redes sociais imagens do falecido líder opositor Alexei Navalny.
As autoridades e outros partidos pró-Kremlin temem que o Yabloko agregue o voto de protesto contra a guerra na Ucrânia, que o Presidente russo, Vladimir Putin, decidiu invadir em fevereiro de 2022.
O Yabloko é o único partido que, desde a queda da antiga União Soviética, se opôs a todas as guerras em que a Rússia esteve envolvida, na Chechénia (1994), na Síria (2015) ou na Ucrânia (2022).
Formação liberal ao estilo ocidental, o Yabloko, que significa maçã em russo, tem defendido a economia de mercado, os direitos humanos e o Estado de direito, o que o colocou em confronto com os governos liderados por Boris Yeltsin e Putin.
A formação política foi fundada em 1993, menos de dois anos após a desintegração da União Soviética, como uma aliança de democratas de diversas tendências, desde democratas-cristãos a social-democratas, verdes e feministas.
Grigori Yavlinski, líder histórico do Yabloko, é um economista nascido na Ucrânia que fundou o partido juntamente com outros reformistas de renome da época: Vladimir Lukin e Yuri Boldirev.
O partido desempenhou um papel preponderante na política russa durante a sua primeira década, período em que sempre teve representação parlamentar na Duma, embora atrás dos nacionalistas e dos comunistas.
O Yabloko perdeu peso político a partir da chegada de Putin à Presidência, em 2000.
Deixou de ter um grupo parlamentar em 2003 e ficou sem assentos quatro anos mais tarde.
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