Lucros dos bancos europeus sobem 18% no segundo trimestre, com BCP e CGD entre os bancos analisados pela DBRS
Os lucros dos bancos europeus aumentaram, em média, cerca de 18% no segundo trimestre de 2026, face ao mesmo período do ano anterior, com a rentabilidade a atingir níveis recorde em vários casos, segundo uma análise da Morningstar DBRS que inclui dois bancos portugueses, o Banco Comercial Português (BCP) e a Caixa Geral de Depósitos (CGD).
A agência de notação financeira analisou uma amostra de 17 grupos bancários de grande e média dimensão da União Europeia e do Reino Unido, abrangendo diferentes modelos de negócio e mercados bancários europeus.
No conjunto da amostra, o lucro líquido trimestral cresceu aproximadamente 18% em termos homólogos, suportado pelo crescimento comercial, pela resiliência da margem financeira, pelo aumento das comissões e pela contenção dos custos de crédito, apesar da incerteza macroeconómica e geopolítica.
As receitas totais aumentaram cerca de 9% em termos homólogos, enquanto os custos operacionais cresceram aproximadamente 5%, permitindo uma melhoria do rácio médio de eficiência (cost-to-income) para 47,8%, face a 50,3% no segundo trimestre de 2025.
A evolução das receitas foi suportada por uma margem financeira resiliente, pelo crescimento do crédito, pela evolução favorável dos depósitos, pela redução dos custos de financiamento e pelas receitas de comissões.
A Morningstar DBRS destaca ainda o contributo da atividade dos mercados de capitais. Bancos como o Deutsche Bank, o UBS e o BNP Paribas registaram receitas mais fortes nesta área, beneficiando do aumento da volatilidade nos mercados, que impulsionou a atividade dos clientes e as receitas de negociação.
A melhoria da rentabilidade levou também vários bancos a rever em alta os seus objetivos financeiros para 2026. O ING aumentou as metas de receitas e rentabilidade para 2026 e 2027, o Intesa Sanpaolo elevou a previsão de lucro líquido para 2026 para mais de 10 mil milhões de euros, enquanto o BBVA aumentou o objetivo de ROTE para 2026 e a Société Générale reviu em alta a meta de ROTE e o objetivo de redução de custos.
Entre os bancos analisados pela DBRS estão o Banco Comercial Português (BCP) e a Caixa Geral de Depósitos (CGD), ambos com perspetiva de rating estável. O BCP surge com uma notação de longo prazo de A (low), enquanto a CGD apresenta uma notação de A (high).
A análise da agência não apresenta, no entanto, neste comentário, os resultados individuais do BCP ou da CGD, pelo que os dados agregados europeus não devem ser atribuídos diretamente a estes dois bancos.
Ao nível da qualidade dos ativos, o rácio médio de crédito malparado (NPL) bruto desceu para 1,9%, enquanto o rácio médio de capital CET1 permaneceu estável em cerca de 14,9%.
No conjunto da amostra, a qualidade dos ativos permaneceu robusta. A carteira de crédito malparado (NPL) aumentou cerca de 4% em termos homólogos, para aproximadamente 190 mil milhões de euros, mas o rácio médio de NPL bruto caiu cerca de 20 pontos base, para 1,9%, sobretudo devido ao crescimento do crédito. A Morningstar DBRS diz não ter encontrado sinais de uma deterioração significativa dos critérios de concessão de crédito.
Persistem, contudo, alguns focos de risco em setores e carteiras específicas, nomeadamente no financiamento automóvel no Reino Unido, nos créditos hipotecários em francos suíços na Polónia, no imobiliário comercial e em algumas exposições empresariais individuais. A agência considera estes riscos atualmente geríveis face à capacidade de geração de resultados, aos níveis de provisionamento e às reservas de capital dos bancos.
Também a capitalização permaneceu robusta. O rácio médio CET1 dos bancos analisados situou-se em cerca de 14,9%, praticamente inalterado face ao mesmo período de 2025, apesar das distribuições aos acionistas e do crescimento dos negócios.
Para a DBRS, estes níveis de capitalização e qualidade dos ativos dão aos bancos margem para financiar o crescimento e manter a remuneração dos acionistas, apesar da incerteza geopolítica.
“Os resultados do segundo trimestre de 2026 sustentam a nossa perspetiva de crédito favorável para os bancos europeus durante o resto de 2026”, afirmou Nicola De Caro, vice-presidente sénior e responsável pelo setor de European Financial Institution Ratings da Morningstar DBRS, citado no comentário.
“As tendências atuais sugerem que a maioria dos bancos está bem posicionada para cumprir ou superar os seus objetivos para 2026, ou para resistir a um ambiente operacional mais desafiante caso as condições se deteriorem”, acrescentou.
A análise da agência aponta assim para uma perspetiva favorável para o setor.
Vários bancos anunciaram ainda novas distribuições aos acionistas, sobretudo através de programas de recompra de ações. Entre eles estão o Deutsche Bank, o Barclays e a Société Générale, numa indicação, segundo a Morningstar DBRS, da confiança das administrações na sustentabilidade dos resultados e na capacidade de geração de capital.
A agência considera que os resultados do segundo trimestre sustentam uma perspetiva de crédito favorável para os bancos europeus durante o resto de 2026, embora mantenha alguma cautela relativamente à evolução futura da qualidade dos ativos devido à incerteza geopolítica e à pressão sobre os preços da energia e a inflação.
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