Associação empresarial REDI duplica no primeiro ano
O tema da diversidade e da inclusão, parece ter saído da agenda no último ano e meio, mas, pelo menos no país, o crescimento da REDI Portugal mostra o contrário. Criada em 2025, para promover a inclusão de pessoas LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo) no contexto laboral português, a associação conta já com 45 empresas, revela João Mattamouros Resende, presidente da REDI Portugal, e sócio da Cuatrecasas, ao Jornal Económico.
“A REDI Portugal nasceu com 24 empresas fundadoras, permitindo construir um ecossistema de organizações e profissionais notavelmente diverso em termos de setor e dimensão, que incluía desde grandes grupos multinacionais, até escritórios de advogados e empresas portuguesas de média e pequena dimensão. Esse leque era intencional: queríamos demonstrar, desde o primeiro momento, que a diversidade e inclusão LGBTI não é um tema reservado às grandes empresas. Pelo contrário, é relevante para qualquer organização que opere no mercado português e que queira gerir bem o seu talento”.
“Mais do que duplicámos em doze meses, num período em que, paradoxalmente, a retórica anti-DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) aparentemente ganhou força a nível global”. As 45 associadas representam um universo superior a 30 mil pessoas e um volume de negócio agregado estimado em mais de 7,4 mil milhões de euros em Portugal, adianta João Mattamouros Resende.
Porque se juntam as empresas à REDI?
“Não o fazem por moda ou por pressão de comunicação. Fazem-no porque perceberam que ambientes de trabalho inclusivos têm impacto direto na sua competitividade. Quando as pessoas LGBTI podem trabalhar sem esconder quem são, o seu nível de produtividade e de envolvimento aumenta de forma mensurável. Há evidências internacionais robustas de que profissionais LGBTI em ambientes inclusivos são mais produtivos. Para as empresas, isto traduz-se em menos rotatividade, menor custo de recrutamento e maior capacidade de inovação. As empresas que chegam à REDI percebem que a questão já não é se devem investir em diversidade e inclusão, mas como melhor fazê-lo, com metodologia e impacto real”.
João Mattamouros Resende diz que a pressão que desde janeiro de 2025, a administração Trump tem exercido pressão diretamente sobre empresas que celebraram ou querem celebrar contratos com o governo norte-americano para abandonarem programas DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão), também chegou a Portugal e outros países europeus. No entanto, adianta, a Europa respondeu “de forma bastante assertiva, unida e consistente”, e até passou por classificar estas cartas como uma inaceitável ingerência nos seus assuntos internos.
Mesmo nos Estados Unidos e em algumas grandes multinacionais, refere, o que saiu da agenda foi “a DEI enquanto exercício de comunicação, desligada de qualquer impacto organizacional real”. É verdade que também houve empresas “a recuar nos seus programas de DEI ou, pelo menos, a revesti-los com outra linguagem”. No entanto, salienta o advogado, “o desafio que lhe está subjacente não saiu da agenda”.
Esse desafio passa por “garantir que as organizações atraem e retêm os melhores talentos, independentemente da sua orientação sexual, identidade de género, ou qualquer outra dimensão da sua identidade”. Tal como está, na suas palavras, a acontecer com as associadas da REDI: “O investimento não parou e até acelerou. Temos vários exemplos de empresas que investem na diversidade e inclusão LGBTI de forma séria e estruturada, ao longo de todo o ano, procurando criar ambientes onde as pessoas se sintam seguras e respeitadas”.
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