Goldman Sachs está mais pessimista com abrandamento e juros mais altos
O Goldman Sachs espera um abrandamento económico tanto nos Estados Unidos como na China. E na União Europeia (UE) reforça a sua previsão de uma subida da taxa de juros na reunião do Banco Central Europeu (BCE) marcada para setembro.
O banco norte-americano prevê um abrandamento no segundo semestre na economia norte-americana, “à medida que a desaceleração do cash-flow (fluxo de caixa) disponível real impacta os gastos” do consumidor. A inflação é outro foco. “Esperamos que a recente melhoria se mantenha, embora a reescalada da guerra com o Irão represente um renovado risco de subida para a inflação e para as probabilidades de aumento da taxa de juro por parte da Reserva Federal norte-americana (Fed)”, referiu.
A instituição financeira vai também seguir as várias task forces que foram criadas na Fed quando Kevin Warsh assumiu a liderança do banco central norte-americano, referindo que “vê espaço” para mudanças nas comunicações e nos dados, mas “alterações mais limitadas” em relação ao balanço.
Quanto ao mercado de trabalho norte-americano considera que este “está mais resiliente” do que esperava no início do ano, mas “um pouco mais fraco do que o habitual”. Isto acabou por ficar evidente com a divulgação pelo instituto do emprego norte-americano de que se perderam 23 mil postos de trabalho nos setores não agrícolas em julho, que foi o pior mês para o emprego desde 2010. Mas a taxa de desemprego desceu de 4,2% para 4,1%.
UE com juros mais altos
Sobre a União Europeia é referido que a recente recuperação dos preços da energia “aumentou a confiança” de que o BCE voltará a aumentar as taxas em setembro. O banco espera que várias das prioridades políticas do recém-nomeado primeiro-ministro, Andy Burnham, “sejam úteis, mas não transformadoras” para o crescimento do Reino Unido.
E ainda aborda a política comercial da União Europeia em relação à China, que diz que “provavelmente se tornará mais assertiva” à medida que a União Europeia “continua a perder” quota de mercado para a China.
China cresce menos
Nos mercados emergentes foi reduzida a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China para 2026 para 4,6% (face aos anteriores 4,7%) após a “desaceleração do crescimento” no segundo trimestre de 2026, superior ao esperado. Esta previsão vem de encontro às previsões do governo chinês que espera um crescimento do PIB, em 2026, entre os 4,5% e os 5% em 2026.
O banco estará atento ao crescimento da China onde “espera uma retórica de flexibilização monetária mais forte” na reunião do Politburo em julho e a utilização das restantes reservas fiscais para “estabilizar o crescimento, que continua a ser impulsionado” apenas pelas exportações, tornando a China “vulnerável a novos choques de crescimento global provenientes” do Médio Oriente ou de outras regiões.
“A perspetiva de a Hungria aderir à zona euro, que consideramos realista e que poderá acontecer em janeiro de 2031”, é outros dos focos nos mercados emergentes.
Banco eleva previsão de inflação para Japão
Foi ainda elevada a previsão da inflação core do Japão para o ano fiscal de 2027 para 2,3% (face aos anteriores 2%) “para refletir uma provável desvalorização do iene e o aumento” dos preços dos chips de memória e dos alimentos. Trata-se de uma perspetiva mais positiva face ao Banco Central do Japão que prevê uma inflação core, para o ano fiscal de 2027, de 2,4%.
É ainda esperado que o próximo aumento da taxa de juro aconteça em janeiro de 2027, pelo Banco Central japonês, “embora a incerteza sobre o momento exato se mantenha elevada”.
São ainda citados os dados finais da Shunto, que “mostraram um aumento salarial base acordado de 3,5%, ligeiramente abaixo do nível de 3,7% do ano passado, mas marcando o terceiro ano consecutivo de crescimento acima” dos 3%. Além disso o índice de confiança dos consumidores japonês “apresentou uma ligeira melhoria” em Junho, embora se “mantenha muito abaixo” dos níveis pré-guerra com o Irão.
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