A carregar agora

Donald Trump terá acumulado rendimentos de 2,2 mil milhões de dólares em 2025

Donald Trump terá acumulado rendimentos de 2,2 mil milhões de dólares em 2025

O uso que Donald Trump faz do seu segundo mandato presidencial para aumentar a fortuna pessoal alarmou especialistas em direito e ética, congressistas democratas, alguns membros do seu próprio partido e os norte-americanos em geral. Trump terá amealhado em 2025 uma receita “sem precedentes” de 2,2 mil milhões de dólares (cerca de 1,91 mil milhões de euros), segundo contabilidade referida por uma reportagem do jornal britânico ‘The Guardian’. Pelo menos 1,4 mil milhões resultam de investimento em criptomoedas, de acordo com as declarações financeiras que apresentou em junho.
A empresa de criptomoedas World Liberty Financial, que Trump e os seus filhos lançaram no outono de 2024 com a família de Steve Witkoff (o enviado especial de Trump para o Médio Oriente, que não tem nenhum conhecimento de diplomacia) rendeu quase 800 milhões de dólares em 2025, de acordo com documentos públicos. A plataforma de criptomoedas solicitou uma licença bancária nacional (national trust bank charter) logo após o regresso de Trump à presidência. O negócio permitiu aos parceiros canalizar fundos e patrocínios para a órbita do presidente.
Pouco antes da tomada de posse, foram lançados os tokens virtuais $TRUMP e $MELANIA. O valor destes ativos disparou após decisões políticas e ordens executivas que beneficiaram o setor das criptomoedas, gerando lucros diretos estimados em centenas de milhões de dólares à família do presidente.
A diversificação parece ser uma das suas palavras de ordem: a empresa de redes sociais de Trump, a Truth Social, está a promover um novo esquema que oferece a compradores ricos acesso antecipado exclusivo aos seus posts por uma taxa de 100 mil dólares por mês, o que, segundo importantes democratas e grupos de interesse público, representa um sério de conflito de interesses, se não mesmo corrupção.
Em julho, Mark Warner, senador democrata da Virgínia, escreveu a seis importantes associações financeiras de Wall Street, exigindo que rejeitassem o novo produto da Truth Social, o Truth API, que enriqueceria Trump ao dar a grandes investidores acesso antecipado às suas publicações. Warner argumentava que as informações seriam “informação privilegiada com capacidade para influenciar o mercado para benefício financeiro pessoal do presidente e de quem estivesse disposto a pagar os 100 mil dólares”.
A reportagem recorda como Trump recorreu ao Departamento de Justiça para forjar um acordo potencialmente lucrativo, mas duvidoso para encerrar um processo de 10 mil milhões de dólares movido por Trump contra a Receita Federal (IRS) por causa da exposição das suas declarações de imposto sobre o rendimento. O acordo concede ao presidente e à sua família imunidade contra auditorias da Receita Federal em declarações de imposto anteriores e pode economizar uns 100 milhões ao presidente.
O acordo resulta do facto de o juiz responsável pelo caso ter concluído posteriormente que, como Trump controlava ambos os lados da ação, não havia contradição entre as partes que justificasse a jurisdição do tribunal.
Da mesma forma, alguns analistas estão preocupados com a forma como Trump contornou a proibição constitucional de aceitar emolumentos estrangeiros ao ficar com um avião avaliado em 400 milhões de dólares como presente do Qatar. No pipeline estão também alguns negócios da família Trump relacionados com hotéis e campos de golfe no exterior do país – como foi o caso mais recente da Albânia, onde sucederam diversos desacatos quando a população percebeu que um projeto de Trump iria mexer profundamente com a paisagem. Algo de semelhante tinha acontecido meses antes no Vietname.
O licenciamento de marcas parece de facto ser uma atividade recorrente. Segundo uma investigação da organização CREW (Citizens for Responsibility and Ethics in Washington), a Trump Organization faturou dezenas de milhões de dólares através de parcerias no estrangeiro. Países como os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar e Roménia licenciaram o nome Trump para novos projetos imobiliários, contornando as normas constitucionais sobre a receção de benefícios estrangeiros.
Os críticos recordam que, para além dele próprio, filhos, alguns dos seus principais assessores, amigos bilionários, grandes doadores e outros aliados também parecem estar a usufruir deste tipo novo de administração que Trump levou para a Casa Branca.
Desde o início do seu segundo mandato, Trump deixou de lado as preocupações sobre conflitos de interesse. E insiste, tal como fez no primeiro mandato, que nem sequer recebe o salário presidencial a que tem direito. Mas, ao contrário de presidentes anteriores, Trump recusou colocar os seus bens num fundo fiduciário totalmente ‘cego’ (blind trust) ou a desfazer-se dos negócios, embora especialistas em ética o tenham aconselhado a fazê-lo.
Diversos jornais revelam ainda que, genericamente, doadores de fundos da campanha e de comités de tomada de posse foram nomeados para cargos de relevo na administração ou em embaixadas. Finalmente, acontece ainda, como o grupo CREW também chama a atenção, que, devido às constantes visitas de Trump aos seus próprios resorts e campos de golfe (como Mar-a-Lago ou Doral), as agências governamentais e os serviços secretos são forçados a gastar centenas de milhares de dólares do erário público em alojamento e logística diretamente nas empresas do presidente.
Em fevereiro deste ano, a revista Forbes avaliou a riqueza do presidente em cerca de 6,5 mil milhões de dólares. Este montante coloca Trump na 645.ª posição do ranking mundial de multimilionários da Forbes, subindo face a avaliações anteriores. Para servir de comparação, refira-se que a fortuna do antigo presidente John F. Kennedy está avaliada (a preços atualizados) em 1,1 a 1,3 mil milhões de dólares.

Share this content:

Publicar comentário