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Portugal ganha peso na estratégia ibérica da Lundbeck e afirma-se como hub de inovação clínica

Portugal ganha peso na estratégia ibérica da Lundbeck e afirma-se como hub de inovação clínica

“Dedicamo-nos incansavelmente a restaurar a saúde do cérebro, para que cada pessoa possa estar no seu melhor”. É com esta frase que a empresa farmacêutica Lundbeck se apresenta ao mercado. Com este objetivo investiga, desenvolve, fabrica e comercializa produtos farmacêuticos em todo o mundo.
A farmacêutica dinamarquesa Lundbeck está a reforçar o papel de Portugal na sua estratégia ibérica, num momento em que o grupo aposta na expansão da inovação em neurociência. Integrado numa lógica regional, o mercado português representa cerca de 18% da operação ibérica, evidenciando um peso significativo apesar da menor dimensão face a Espanha.
No conjunto, a Península Ibérica assume também relevância no contexto global da empresa, representando cerca de 6% do negócio mundial, sendo um dos principais mercados fora dos Estados Unidos. Dentro da região, Espanha concentra a maior fatia, enquanto Portugal se afirma como um mercado estratégico tanto do ponto de vista comercial como científico.
Com presença em mais de uma centena de países, a Lundbeck é um grupo internacional especializado em doenças do sistema nervoso central, mantendo há mais de 100 anos um foco exclusivo em áreas como depressão, esquizofrenia e doenças neurológicas.
Nos últimos anos, a empresa tem vindo a alargar o seu âmbito para patologias raras, numa evolução que classifica como “natural” e baseada nos avanços da ciência. A OMS projeta que a saúde mental será a principal causa de incapacidade até 2030. Perante esta estatística, Sara Montero, managing director da Lundbeck Iberia garante: “O objetivo da nossa empresa é continuar a contribuir e a fornecer soluções para as doenças cerebrais”, acrescentando que o desafio é duplo, nomeadamente continuar a inovar na saúde mental e ao mesmo tempo avançar em áreas onde os doentes não têm tratamentos.
A nível industrial, a produção está altamente centralizada fora da Península Ibérica. As principais unidades fabris localizam-se em Copenhaga, na Dinamarca, e nos Estados Unidos, existindo ainda presença industrial em França e Itália — embora esta última esteja em processo de encerramento. A investigação e desenvolvimento estão igualmente concentradas na capital dinamarquesa e no mercado norte-americano.
Em Portugal, a operação conta com cerca de 22 colaboradores, entre equipas comerciais, médicas e funções de suporte. Apesar da dimensão reduzida, o país tem um papel ativo na investigação clínica do grupo.
Atualmente, a Lundbeck tem mais de 10 centros de ensaios clínicos em fase 3 em Portugal, focados sobretudo em doenças neurológicas raras, além de mais de 20 estudos em fase 4 (pós-comercialização). “No total, são vários os medicamentos em desenvolvimento clínico com envolvimento nacional, refletindo uma aposta continuada na inovação terapêutica”, diz Sara Montero.
A responsável diz ainda que a aposta em Portugal é sustentada por um ambiente regulatório considerado favorável à inovação, com entidades como o Infarmed a desempenharem um papel ativo na avaliação e introdução de novos fármacos.
Num setor marcado por crescentes pressões sobre preços e acesso, a farmacêutica destaca a importância de mercados que reconhecem o valor da inovação. Ainda assim, o equilíbrio entre sustentabilidade dos sistemas de saúde e incentivo à investigação continua a ser um dos principais desafios da indústria.
Para a Lundbeck, Portugal deverá continuar a ganhar relevância dentro da estratégia ibérica, não apenas pelo contributo económico — cerca de 35 milhões de euros em faturação anual —, mas também pelo seu papel crescente na investigação clínica e na adoção de terapias inovadoras.

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