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Colômbia prossegue remoção de escombros após sismo que causou 294 mortos

Colômbia prossegue remoção de escombros após sismo que causou 294 mortos

Uma semana após o sismo de magnitude 7,4 que abalou a Colômbia, as operações de emergência entraram numa nova fase, com as equipas de resgate focadas na recuperação dos corpos das vítimas que permanecem sob os escombros.
O sismo de magnitude 7,4, ocorrido na madrugada de 10 de agosto na costa pacífica, destruiu milhares de edifícios e provocou a morte de cerca de 294 pessoas, segundo os últimos dados oficiais. Pelo menos 320 continuam desaparecidas e 3.935 ficaram feridas.
O último balanço da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD) contabiliza este domingo 289 mortos, menos cinco do que no sábado, além de 4.187 feridos e 143 desaparecidos, enquanto 354 pessoas foram resgatadas.
A UNGRD justificou a redução no número de vítimas mortais com o facto de “se estarem a confirmar os relatórios iniciais, maioritariamente verbais, com os registos oficiais da Procuradoria, Medicina Legal e organismos de socorro, para evitar duplicações”.
O sismo deixou ainda 127.557 habitações danificadas, 26.945 destruídas e 66 edifícios colapsados, afetando 450 municípios em 15 regiões.
As hipóteses de sobrevivência diminuem drasticamente após 72 horas, mas em Cali, uma das cidades mais atingidas, as equipas de emergência continuavam esforços de recuperação das vítimas localizadas sob os escombros. No complexo residencial Torres del Limonar foram recuperados 25 corpos e outros três permanecem identificados, cuja extração estava prevista para este domingo.
Bombeiros de Cali, Bogotá e Jamundí, grupos de resgate da Marinha e da Polícia e especialistas das Forças de Defesa de Israel estavam ainda a conduzir operações de resgate em diferentes pontos da cidade.
As equipas israelitas recuperaram quatro corpos nas últimas 24 horas e alertaram que a janela de esperança para encontrar sobreviventes se está a fechar, após vários dias sem resgates de pessoas com vida.
Após mais de 140 horas de operações, as autoridades de Cali consideraram que a emergência entrou progressivamente numa etapa de recuperação de vítimas mortais e remoção de escombros, embora continuem os trabalhos de engenharia e avaliação de edifícios colapsados.
O presidente da câmara de Cali, Alejandro Eder, estimou que a cidade precisará de 10 biliões de pesos (2,7 mil milhões de euros) e três anos para estabilizar-se e avançar com uma reconstrução resiliente, propondo a criação de um mecanismo excecional de financiamento semelhante ao utilizado após o sismo de 1999, que devastou Arménia e outras cidades da zona cafeeira do centro do país.
Enquanto as grandes cidades avançam para a recuperação, agricultores de áreas rurais de Ansermanuevo e El Cairo, em Valle del Cauca, denunciaram à EFE que ainda aguardam a chegada das autoridades para avaliar as suas casas, algumas praticamente destruídas.
Algumas famílias colocaram bandeiras com mensagens de “Ajuda, SOS” em frente às habitações e pedem materiais para reconstruir telhados, enquanto o presidente da câmara interino de El Cairo, Carlos Alberto Correa, reconhece que o censo das zonas rurais ainda não foi concluído devido à concentração da assistência no centro urbano.
Em Cali, a Cidadeela Alberto Galindo, onde este fim de semana deveria realizar-se o Festival de Música do Pacífico Petronio Álvarez, transformou-se em centro de recolha com mais de 1.200 voluntários.
Entretanto, o ex-futebolista Mario Yepes, anunciou para sexta-feira, no estádio El Campín de Bogotá, o jogo solidário “Levantemos a Colômbia”, com a participação de lendas do futebol nacional, embora ainda não tenham sido divulgados os nomes.
A família Gilinski, a mais rica do país, anunciou uma doação de 150 mil milhões de pesos (41,3 milhões de euros) para reparar hospitais e escolas de Cali.
A doação soma-se à mobilização do setor empresarial para apoiar a reconstrução das áreas afetadas. Na sexta-feira foi anunciado que tinha sido arrecadado mais de 200 mil milhões de pesos (55 milhões de euros) para fazer face às consequências da tragédia.
O Governo apelou ao setor privado para participar na reconstrução de habitações e infraestruturas, enquanto várias empresas e associações comerciais lançaram campanhas de doação e ajuda humanitária.

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