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Exportações ajudam economia japonesa a crescer 0,3% no segundo trimestre

Exportações ajudam economia japonesa a crescer 0,3% no segundo trimestre

A economia japonesa cresceu, mas menos do que o esperado, no segundo trimestre de 2026, com medidas de apoio de Tóquio e exportações sólidas a atenuarem o impacto da guerra no Médio Oriente.
O Produto Interno Bruto (PIB) da quarta maior economia mundial aumentou 0,3% entre abril e junho face ao trimestre anterior, segundo dados oficiais divulgados esta segunda-feira 17 de agosto.
Trata-se, contudo, de uma desaceleração face ao crescimento de 0,5% registado no primeiro trimestre e às previsões dos analistas consultados pela agência Bloomberg, que apontavam para uma expansão estável de 0,5%.
“A subida dos salários reais e a redução dos impostos sobre os combustíveis terão provavelmente sustentado o consumo das famílias”, observou o especialista da Bloomberg Economics Taro Kimura, antes da publicação dos novos dados económicos.
A economia nipónica “resistiu bem, mesmo com o peso das perturbações no abastecimento de petróleo bruto ligadas ao conflito envolvendo o Irão”, acrescentou.
A inflação, excluindo produtos frescos, acelerou ainda para 1,6% em junho, em termos homólogos, impulsionada pela escalada dos preços da energia, numa economia fortemente dependente das importações de hidrocarbonetos.
A queda do iene, que atingiu mínimos de 40 anos face ao dólar antes da recente intervenção conjunta dos Estados Unidos e do Japão para o reforçar, aumentou também o custo das importações.
Mas esta fraqueza da moeda nipónica constituiu uma vantagem para os grupos exportadores japoneses, ajudando-os a ser mais competitivos no mercado internacional e a beneficiar da explosão da procura de componentes eletrónicos ligados à inteligência artificial.
As exportações do país registaram em junho o crescimento mais rápido desde novembro de 2022, com uma subida de 19,3% em termos homólogos, impulsionadas tanto pelas vendas de equipamentos para semicondutores como pela desvalorização do iene.
No plano interno, Tóquio procurou contrariar as pressões inflacionistas. Após um vasto plano de relançamento aprovado no final de 2025 e reduções fiscais significativas na energia, novas ajudas foram adotadas na primavera pelo Governo da primeira-ministra, Sanae Takaichi, para apoiar o consumo das famílias.
Takaichi anunciou ainda no final de julho que o executivo iria reduzir drasticamente a taxa de consumo sobre produtos alimentares, dos atuais 8% para 1% a partir de abril próximo, para combater mais eficazmente a inflação.
Outro fator favorável no segundo trimestre foi a manutenção do crescimento dos salários, sustentado por bons resultados empresariais e por um mercado de trabalho apertado.
Os salários nominais aumentaram 3,4% em junho em termos homólogos, após um crescimento de 3,3% em maio, muito acima da inflação.
“Os efeitos desfavoráveis dos preços elevados do petróleo bruto deverão esbater-se e o círculo positivo que liga rendimentos e despesas deverá intensificar-se progressivamente”, previu no final de julho o Banco do Japão (BoJ).
Para Taro Kimura, “este número sólido” de crescimento “vai reforçar as expectativas de que o BoJ possa antecipar a próxima subida das taxas para setembro ou outubro”, sublinha Taro Kimura.
A autoridade monetária tinha decidido no final de julho manter os juros inalterados, após ter elevado em junho a taxa de juro diretora para 1%, o nível mais alto em mais de três décadas.
Mas os especialistas antecipam novas subidas no outono, num contexto de inflação persistente e de forte divergência face às taxas muito mais elevadas da Reserva Federal norte-americana (Fed), que penaliza o iene face ao dólar.
A moeda japonesa sofre também com as crescentes preocupações em torno da política orçamental expansiva de Tóquio, assente em planos de relançamento e reduções fiscais, enquanto a dívida pública ultrapassa o dobro do PIB.
“Com a despesa em Defesa a ser definido até ao final do ano, as preocupações com um novo aumento das despesas deverão intensificar-se”, assinalam especialistas do banco UBS.
“A ausência de identificação clara das fontes de financiamento para a redução da taxa de consumo, prevista para abril de 2027, poderá igualmente suscitar inquietações”, acrescentaram.

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