“Governo está a procurar clima favorável à privatização de partes importantes da Segurança Social”, diz PS
O PS considerou, esta terça-feira, 18 de agosto, que o Governo liderado por Luís Montenegro está a procurar um “clima favorável à privatização de partes importantes da Segurança Social”
“Em primeiro lugar, aquilo que foi hoje apresentado confirma os piores receios que existiam sobre este exercício que o Governo encomendou: o Governo está a procurar criar condições, está a procurar criar um clima favorável à privatização de partes importantes da Segurança Social”, disse o deputado Miguel Cabrita do PS ao Jornal Económico.
“Sem surpresa o relatório aponta, insiste, numa ideia errada de que a Segurança Social tem, não os excedentes que o próprio Governo se tem gabado para transferir verbas para o fundo de estabilização financeira da Segurança Social. O Governo tem, anualmente, como o Governo do PS já fazia, transferir milhares de milhões de euros de excedente do sistema providencial contributivo para o fundo de estabilização. Agora, este relatório veem insistir num erro que já estava presente que é esta ideia de misturar a Segurança social com a Caixa Geral de Aposentações” continuou por explicar.
Para o PS “são dois sistemas que não podem ser misturados”. “Nada nestes valores que são agora revelados são novos. As contas da Caixa Geral de Aposentações são públicas, são transparentes, estão todos os anos no Orçamento do Estado. Há muitas décadas que se sabe que este é um sistema deficitário porque não foi construído numa base providencial”, sublinhou.
“Portanto, é falso que se tenha descoberto qualquer défice, o que temos são dois sistemas que não podem ser misturados”, afirmou Miguel Cabrita, acrescentando que “esta tentativa de juntar a Caixa Geral de Aposentações ao sistema de Segurança Social para criar a imagem falsa de que há uma insustentabilidade do sistema é grave”.
O PS disse ainda que o que o relatório revelado esta terça-feira procura fazer “por encomenda do Governo, é tentar abrir caminho para privatizar partes da Segurança Social”. “Não há nada escondido, nem há défice, as contas são públicas”, afirmou.
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