PCP questiona Governo sobre a compra pelo Estado Português da participação na REN
O Partido Comunista Português (PCP) questionou o Governo, esta terça-feira, 18 de agosto, sobre a compra pelo Estado Português da participação de 13,7% na REN.
Num documento destinado à Ministra do Ambiente e Energia, os comunistas começam por dizer que a “REN nunca deveria ter sido privatizada. O processo de privatização da REN, conduzido a duas mãos por PS e PSD, sempre mereceu a contestação do PCP”.
“O PCP defende o controlo público pelo Estado Português da REN e das restantes infraestruturas e empresas estratégicas nacionais. O Relatório sobre as empresas públicas estratégicas, tornado público pelo Governo há menos de um mês, tem, entre outras falhas, a notória falha de não colocar a questão da renacionalização de um conjunto de empresas estratégicas, como é o caso da REN. O próprio Governo anuncia esta operação financeira sublinhando não querer renacionalizar a REN”, disse o partido.
Para o PCP “até agora a única coisa clara é que a Pontegadea vai realizar uma mais valia significativa na venda (o Governo esconde o valor que o país vai pagar, mas aponta-se para um preço bastante superior aos 189 milhões pagos pela Pontegadea há 5 anos) depois de ter beneficiado de dezenas de milhões de euros de dividendos nestes anos”.
“A Pontegadea duplicou o capital aplicado a comprar ações da REN, o que serve de ilustração sobre os efeitos financeiros das privatizações para a economia nacional. Outros fundos e grupos de capitalistas têm realizado extrações similares de rendas à custa de uma empresa onde simplesmente compraram e venderam ações”, referiu o partido.
Assim, o PCP pretende saber “em que medida o anúncio desta medida [compra da REN] num comício público do PSD protege mais a estabilidade acionista da REN que uma correta informação à Assembleia da República?”.
Além disso, os comunistas querem apurar se “a operação de compra de 13,7% do capital da REN vai ser considerada um investimento financeiro como artificialismo para não ter implicação no saldo das administrações públicas? Ou é uma operação financeira e não uma tomada de posição num ativo estratégico?”.
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