Conflitos geopolíticos impuseram “sérios desafios operacionais” às companhias aéreas
Os conflitos geopolíticos, como a a “Guerra dos 12 Dias” em junho de 2025 e a recente escalada no Médio Oriente envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão, aliados ao “complexo” panorama económico global, impuseram “sérios desafios operacionais” às companhias aéreas, apesar do apetite por viajar se manter elevado, considera a corretora XTB numa análise divulgada esta quinta-feira 20 de agosto.
“Com milhões de passageiros a viajar para férias, os aviões descolam com lotação quase esgotada. Contudo, ao comparar a época alta deste ano com o mesmo período do ano passado, torna-se evidente que a forte procura de viagens já não garante, por si só, um percurso tranquilo nos mercados financeiros”, assinala.
Entre os desafios operacionais identificados estão: Tensões e fechos de espaço aéreo em regiões-chave (como o Médio Oriente e o Leste Europeu) obrigaram à alteração de trajetos, resultando em voos mais longos e maior gasto de combustível; As flutuações nos preços do petróleo encareceram o jet fuel, um dos maiores custos operacionais das companhias aéreas; As revisões salariais das equipas de bordo e o aumento das taxas aeroportuárias continuaram a pressionar as margens de lucro.
“No que diz respeito ao número de voos, o impacto do jet fuel verificou-se, mas com impacto provavelmente limitado. Os dados de 2026 mostram que as companhias reagiram ao choque de preços (abril-maio 2026) com cortes de capacidade de entre 2% a 6%, mas o crescimento anual ainda se mantém positivo (+1% a +3%)”, sublinha a análise.
Estes fatores estão a se “refletir diretamente” no valor das ações das companhias cotadas em bolsa. “Mesmo com receitas elevadas, a margem por passageiro foi pressionada, originando desempenhos distintos entre mercados”, acrescentou.
No caso da companhias europeias, sendo dados como exemplos a Lufthansa e a Ryanair, “beneficiaram de um verão muito forte” no turismo do Sul da Europa e no mercado transatlântico, mas enfrentam “maior exposição” a condicionalismos do espaço aéreo e greves no controlo de tráfego. “Ambas as companhias estão em território de perdas desde o início do ano de 2026, com perdas de 7% e 22%, respetivamente”, acrescentou.
No caso das companhias americanas, sendo dados como exemplos a Delta Air Lines, United, e American Airlines, “mantiveram resiliência” no mercado doméstico e nas tarifas premium, contudo, “sentiram a pressão dos novos acordos laborais e de um consumidor mais atento” ao orçamento. “A performance desde o início do ano da American Airlines e da Delta Air Lines andam em torno de -9%, já quando falamos da United Airlines, a mesma conta com uma performance em torno de 5% relativamente aos seus concorrentes”, acrescentou.
“Dar nota que desde o início de 2025, só uma empresa americana (das principais empresas de aviação) apresenta uma performance negativa, que é a American Airlines, com uma performance negativa desde o início de 2025 de cerca de 21%, e desde o presente ano em torno de 9%”, referiu a análise.
Apesar dos desafios, o setor tem “demonstrado capacidade” de adaptação, compensando custos com eficiências operacionais e taxas de ocupação recorde. “Para o consumidor e para o mercado, a mensagem é simples: o desejo de voar permanece intacto, mas a saúde financeira das companhias depende cada vez mais da sua capacidade de navegar na turbulência geopolítica e económica mundial”, concluiu a XTB.
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