Empresas querem que risco deixe de travar o crescimento
Num contexto marcado por incerteza geopolítica, volatilidade económica e transformação tecnológica acelerada, as empresas estão a redefinir o papel das equipas de risco e finanças. O novo Risk Management Survey 2026 da Coface, baseado em 1.250 decisores globais, revela uma mudança estrutural: o risco deixa de ser visto apenas como proteção e passa a ser encarado como motor de crescimento.
Segundo o estudo, 62% das organizações ainda sentem tensão entre ambição comercial e disciplina de risco, mas esta perceção está a mudar rapidamente. Nos próximos 3 a 5 anos, 44% dos decisores esperam que as equipas de risco se tornem parceiros estratégicos de crescimento, ultrapassando a visão tradicional de “guardião” focado apenas na prevenção de perdas.
Portugal apresenta um perfil de risco alinhado com o padrão de menor exposição característico do sul da Europa, beneficiando de estruturas empresariais menos vulneráveis à volatilidade tecnológica e ao risco corporativo mais acentuado noutros mercados.
As tendências observadas em Espanha — onde as equipas de risco são cada vez mais vistas como parceiros estratégicos de crescimento — refletem a evolução também visível em Portugal, onde as empresas procuram maior previsibilidade, envolvem o risco mais cedo e valorizam decisões de “sim seguro”.
Portugal está bem posicionado para beneficiar do novo paradigma de risco, com oportunidades claras na melhoria da qualidade dos dados, na adoção de ferramentas preditivas e no reforço do papel das equipas de risco como facilitadores de expansão, especialmente em setores exportadores e PME com ambição internacional
O relatório identifica um grupo avançado de empresas — os Open Advantage Leaders — que já tratam o risco como fonte de valor. Estas organizações envolvem as equipas de risco mais cedo, promovem debate construtivo e utilizam dados consistentes para acelerar decisões. Entre estas empresas, 70% envolvem risco na fase inicial das decisões de crescimento (vs 58% no total); 38% têm uma cultura de debate aberto (vs 23%) e 29% veem o risco como vantagem competitiva (vs 19%).
Este modelo permite transformar incerteza em ação informada, mantendo opções de crescimento abertas sem perder controlo.
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