Revolut desafia banca tradicional com nova unidade dedicada de Inteligência Artificial
A fintech global Revolut anunciou terça-feira, 25 agosto, o lançamento da Revolut Research, uma divisão especializada dentro da sua equipa de Inteligência Artificial para desenvolver arquiteturas de machine learning de nova geração aplicadas ao setor financeiro.
A nova unidade servirá como motor institucional para o desenvolvimento do Pragma, o modelo conceptual proprietário da empresa criado em parceria com a gigante tecnológica Nvidia. O sistema visa alimentar em tempo real a avaliação de risco, a prevenção de fraudes e a personalização de produtos para a sua base de mais de 80 milhões de clientes em 40 mercados.
“Projetado especificamente para descodificar comportamentos financeiros complexos e alimentar a avaliação de risco em tempo real, as operações da plataforma e as recomendações de produtos personalizadas, a Revolut está a reconstruir a sua arquitetura de IA em torno de uma fundação única com uma camada partilhada de inteligência comportamental”, lê-se no comunicado.
Segundo dados divulgados pela empresa, os primeiros testes do Pragma com dados históricos mostraram uma precisão 2,3 vezes maior na identificação de risco de incumprimento de crédito, um aumento de 65% na deteção de fraudes (com precisão 17% superior nos alertas) e um ganho de 41% na relevância de recomendações de produtos.
A estratégia da Revolut contrasta com a adoção de soluções genéricas de terceiros por parte da banca tradicional. “Para liderar o futuro da banca inteligente, não é possível depender de projetos de terceiros”, afirmou Pavel Nesterov, Head de AI na Revolut. “Lançámos a Revolut Research para institucionalizar a nossa filosofia de ‘construir de base, não colar por cima’”, acrescentou.
No comunicado a Revolut destaca que o setor bancário global está a esgotar a sua capacidade tecnológica, com os bancos tradicionais a tentar modernizar infraestruturas antigas recorrendo a programas de computador genéricos. “Esta abordagem cria um peso operacional crescente para as organizações e deixa os consumidores com aplicações e interfaces ultrapassadas, além de chatbots básicos em barras de pesquisa”, refere a fintech que acrescenta que “está a construir de forma diferente, integrando inteligência nativa, desenvolvida internamente, diretamente no seu motor financeiro central, transformando dados do mercado local numa vantagem global cumulativa”.
A empresa aposta no volume e na diversidade do seu ecossistema global — que processa milhares de milhões de transações transfronteiriças — para criar um ciclo de aprendizagem contínua nos seus modelos.
“Com o Pragma, estamos a desenvolver um modelo conceptual único e unificado capaz de compreender as verdadeiras nuances do comportamento financeiro em tempo real”, destacou Anton Repushko, Head da Revolut Research, que este ano apresentou resultados da investigação na conferência ICML, em Seul.
Além de suportar tecnologias existentes como o assistente virtual AIR (atualmente disponível no Reino Unido), a Revolut Research planeia publicar descobertas científicas, disponibilizar estruturas em open-source e marcar presença em eventos da indústria, como a Nvidia GTC Berlim e a ICAIF.
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