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RAM: Jefferies aponta para disparo nos chips de memória superior a 40% por trimestre até 2027

RAM: Jefferies aponta para disparo nos chips de memória superior a 40% por trimestre até 2027

Os preços dos chips de memória estão a disparar a um ritmo alucinante como ilustra um relatório divulgado, em junho, pela Ersa Eletronics. As subidas podem variar entre os 80% e os 500% dependendo do tipo de memória. A subida tem sido de tal ordem que há quem se refira ao fenómeno como o RAMpocalypse ou RAMaggedon. O banco de investimento Jefferies diz que até 2027 as subidas devem ser superiores a 40% por trimestre.
“A memória DRAM [ou RAM são a memória principal de computadores, telemóveis, e consolas] para servidores teve um aumento de cerca de 90% no primeiro trimestre, prevendo-se que o preço médio suba 326% face ao ano anterior para todo o ano. Espera-se que o preço da DRAM para dispositivos móveis aumente cerca de 80% durante o primeiro e segundo trimestres. Os preços dos chips de memória de nível automóvel subiram cerca de 180% nos últimos três meses”, refere o documento.
“Temos um aumento cumulativo de 280% num ano para a tecnologia MLC NAND [têm aplicação em computadores, dispositivos móveis e hardware empresarial]. A tecnologia NAND SLC [podem ser encontradas em servidores empresariais e sistemas industriais] deverá registar um aumento adicional de 120% este ano. Os preços dos módulos de memória para o consumidor aumentaram quase 500% em seis meses”, acrescentou.
Dados divulgados pelo portal Computerbase apontam para um aumento médio de 345% nas memórias RAM, em setembro, face ao período homólogo, quando no mês anterior a subida tinha sido de 311%. Já nas HDD (disco rígido para armazenamento) a subida média é de 129%, face ao ano anterior, em comparação com a subida de 125% do mês anterior, e nas SSD (substituem os discos rígidos) o incremento médio é de 126%, face ao ano passado, quando no mês anterior a subida foi de 118%.
Em fevereiro, dados divulgados pela empresa de estudos de mercado Counterpoint, davam conta de uma subida entre 80% e 90% nos preços da memória, no primeiro trimestre, face ao ano anterior, com a DRAM, a NAND e a HBM [usadas em hardware de computação de alto desempenho] a atingirem máximos históricos.
Analistas da Jefferies Equity Research, numa nota transcrita pela Mashable, estão a prever um aumento entre os 40% e os 50% para os chips de memória, no terceiro trimestre, uma subida entre 30% e 40% no quarto trimestre, e um incremento entre 40% e 45% em 2027. “Os fornecedores de serviços de cloud (CSPs) estão a garantir 50% da capacidade total (com potencial para atingir os 70%) ao assinarem contratos de longo prazo (LTAs) de dois anos que exigem um pagamento antecipado de 40%. A China não deverá ameaçar o atual mercado altista de memória em 2026 ou 2027 devido a uma crescente disparidade tecnológica”, acrescentaram.
O que justifica o aumento do preço?
Os motivos para este forte incremento no preço deve-se a três fatores. “Crescimento exponencial da procura, restrições rigorosas de oferta e níveis de stock [ou inventários] historicamente baixos. Muitas instituições identificam esta como a mais grave escassez de memória dos últimos 15 anos”, aponta o documento da Ersa Eletronics.
Começando pela procura. “A utilização de DRAM num único servidor de IA é 8 a 10 vezes superior à de um servidor tradicional, enquanto a utilização de NAND é mais de três vezes superior. Prevê-se que as remessas globais de servidores de IA atinjam 1,5 milhões de unidades em 2026, representando um crescimento anual de 180%. A memória de alta largura de banda (HBM) é o principal suporte para o poder de computação da IA. A SK Hynix detinha 58% do mercado global de HBM no primeiro trimestre”, descreve.
E indo à oferta. “Os três principais fabricantes de memória alocaram mais de 80% da capacidade de processamento avançado aos servidores de IA, reduzindo significativamente a oferta para os mercados tradicionais. A construção de uma nova fábrica de wafers demora 18 a 24 meses, o que significa que a nova capacidade poderá ser libertada apenas em 2028. Em 2026, a capacidade global de produção de NAND MLC deverá cair drasticamente 41,7% em termos homólogos, enquanto vários dos principais fabricantes anunciaram a descontinuação de produtos relacionados. O fosso entre a oferta e a procura de DRAM, NAND e HBM em 2026 deverá atingir 4,9%, 4,2% e 5,1%, respetivamente, os níveis mais elevados desde 2011. Mesmo que 70% da nova capacidade seja direcionada para HBM, a escassez de HBM poderá ainda manter-se entre os 50% e os 60%”, salienta.
E finalizando nos inventários: “Os níveis de inventário caíram para 2 a 4 semanas, enquanto a gama de segurança normal é normalmente de 8 a 12 semanas. Os produtos estão a ser enviados imediatamente após a produção. A capacidade de 2026 dos três principais fabricantes já foi totalmente reservada com antecedência. A capacidade dos principais fornecedores foi reservada até ao final de 2027. Os gigantes da Internet assinaram contratos de longo prazo de 3 a 5 anos para garantir antecipadamente 40% a 50% da capacidade de produção de wafers”, referiu.
A Counterpoint coloca como o principal fator para a subida dos preços das memórias, no primeiro trimestre, a “forte subida” dos preços da memória DRAM para servidores de uso geral. “Além disso, o mercado de NAND, que apresentou uma relativa estabilidade no quarto trimestre, está também a registar um aumento paralelo de 80% a 90% no primeiro trimestre. Somado ao aumento dos preços de alguns produtos HBM3e, o mercado está a assistir a uma forte tendência de alta em todos os segmentos. Na memória para servidores, por exemplo, o preço de um módulo RDIMM de 64 GB subiu de um valor fixo de contrato de 450 dólares no quarto trimestre para mais de 900 dólares no primeiro trimestre, e tudo indica que ultrapassará a marca dos mil dólares no segundo trimestre”, acrescentou.
“Para os fabricantes de dispositivos, isto representa um duplo golpe: o aumento dos custos dos componentes e a redução do poder de compra do consumidor provavelmente diminuirão a procura ao longo do trimestre. Isto exige que os fabricantes de equipamento original (OEMs) alterem os seus padrões de aquisição ou se concentrem em modelos premium para justificar o preço mais elevado, oferecendo mais valor aos consumidores”, disse o analista Jeongku Choi, citado pela Counterpoint. “Espera-se que a rentabilidade da memória atinja níveis sem precedentes. As margens operacionais da DRAM já atingiram a faixa dos 60% no quarto trimestre de 2025, marcando a primeira vez que as margens da DRAM de utilização geral superaram as da HBM. O primeiro trimestre de 2026 deverá ser o período em que as margens da DRAM excederão os seus picos históricos pela primeira vez. Dito isto, isto estabelecerá um novo padrão ou uma meta muito elevada, que parece sólida agora, mas que poderá tornar o próximo ciclo de baixa (se existir) ainda mais sombrio”, acrescentou.
Empresas sobem resultados e apresentam forte valorização em bolsa
Existem basicamente três grandes empresas que operam no setor dos chips de memória, que se encontram no top 20 das cotadas mais valiosas do mundo. As sul-coreanas Samsung e SK Hynix e a norte-americana Micron. Esta subida no preços dos chips de memória tem não só beneficiado as contas como gerado fortes valorizações em bolsa.
No caso da SK Hynix atingiu recordes no segundo trimestre, em várias áreas como as receitas, lucro operacional, e lucro líquido, justificado pelas “vendas de produtos de alto valor com a forte procura” por inteligência artificial (IA).
“Impulsionados pelo crescimento sustentado da procura resultante da expansão dos investimentos em infraestruturas de IA, os produtos de alto desempenho para servidores de IA levaram a aumentos de preços, permitindo à empresa superar o seu recorde anterior, estabelecido no trimestre anterior. Consequentemente, a receita acumulada no primeiro semestre do ano ultrapassou a marca dos 100 triliões de won (60,4 mil milhões de euros) pela primeira vez na história da empresa”, acrescentou a SK Hynix.
“À medida que a IA evolui para formas autónomas que executam tarefas complexas em nome dos utilizadores e se expande por diversos serviços, a procura subjacente de memória alarga-se. Consequentemente, está a ocorrer uma mudança estrutural em que a procura de memória tanto para a IA como para a memória convencional cresce em paralelo. Com as principais empresas tecnológicas a aumentar os seus investimentos em infraestruturas de IA, a procura de memória continua a crescer. Uma vez que estes investimentos são suportados pela receita gerada pelos serviços de IA, espera-se que o ritmo de crescimento da procura de memória persista”, acrescentou a organização.
As receitas e o lucro operacional aumentaram 51% e 61% para os 79,3 triliões de won (47,9 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) e 60,5 triliões de won (36,5 mil milhões de euros), face ao trimestre anterior. O lucro líquido subiu 133% para os 93,9 triliões de won (56,7 mil milhões de euros), face ao trimestre anterior. Face ao período homólogo as receitas, lucro operacional e lucro líquido, da SK Hynix, aumentaram 257%, 557%, e 1,242%.
A Samsung apresentou receitas recorde de 171,5 triliões de won (103,7 mil milhões de euros), no segundo trimestre, uma subida de 28% face ao último trimestre e de 130% face ao ano anterior. O lucro operacional foi também um recorde ao atingir os 89,5 triliões de won (54,1 mil milhões de euros), um crescimento de 56% face ao último trimestre e de 1,814% face ao período homólogo.
“O segmento de memória alcançou mais um trimestre recorde, atendendo proactivamente à procura de IA, apesar da capacidade limitada, com um foco principal nos produtos para servidores. A tendência contínua de subida dos preços em todo o setor também contribuiu para os lucros recorde”, disse a Samsung.
“No segundo semestre de 2026, o segmento de memória prevê uma procura robusta, centrada em servidores, resultante do investimento contínuo em infraestruturas de IA e da adoção mais ampla de IA ativa. Ao mesmo tempo, espera-se uma aceleração no crescimento da procura de DRAM para servidores, eSSDs e HBM. Esta tendência deverá manter o mercado com oferta insuficiente, apesar da moderação parcial da procura em dispositivos móveis e PCs”, acrescentou a Samsung.
A Micron no terceiro trimestre do ano fiscal (referente ao desempenho no segundo trimestre do ano civil) viu as receitas aumentarem de 9,3 mil milhões de dólares (oito mil milhões de euros) para os 41,4 mil milhões de dólares (35,7 mil milhões de euros), mais 345%, o lucro operacional passou de 2,1 mil milhões de dólares (1,8 mil milhões de euros) para os 33,3 mil milhões de dólares (28,7 mil milhões de euros), mais 1.485%, e o lucro líquido aumentou de 1,8 mil milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros) para os 28,2 mil milhões de dólares (24,3 mil milhões de euros), mais 1.466%.
A expansão dos resultados destas três empresas estão também a ser refletidos no seu desempenho em bolsa. A Samsung já valorizou mais de 92% desde o início do ano [dados retirados durante a sessão de 19 de agosto] e no último ano avançou 253%, a SK Hynix sobe mais de 130% e no último ano disparou mais de 470%. A Micron já valorizou mais de 198% desde o início do ano e no último ano já subiu mais de 670%.

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