Mercados arrancam setembro com turbulência nas ações e escalada dos juros soberanos e do petróleo
Setembro começou como manda a tradição: com turbulência. Wall Street teve um arranque em queda, as yields dispararam para máximos históricos e o petróleo voltou a ser o termómetro da geopolítica. Esta quarta-feira, 2 de setembro, será dominada pelos dados de emprego nos EUA e pelo Livro Bege da Fed.
O índice S&P 500 fechou a sessão com quebra de 0,71% para 7.631,47 pontos, ao mesmo tempo que o Dow Jones recuou 0,79% para 52.766,88 pontos e o Nasdaq Composite caiu 1,03% para 26.099,77 pontos.
Com novos ataques americanos, o crude WTI fechou a subir 5,2% a 90,22 dólares, o fecho mais alto desde 23 de julho. A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em novembro terminou esta terça-feira no mercado de futuros de Londres em alta de 4,59%, para os 94,65 dólares, depois de se conhecer um novo ataque dos EUA ao Irão.
Petróleo acima dos 90 dólares pressiona margens e inflação. O contexto geopolítico não dá tréguas. O Irão iniciou a resposta militar aos últimos ataques norte-americanos, visando bases e interesses dos Estados Unidos no Médio Oriente, informou a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária. Isto depois de os Estados Unidos terem lançado esta terça-feira uma nova vaga de ataques contra alvos no Irão, fazendo o petróleo disparar, numa altura em que os juros da dívida soberana a nível global estão no valor mais alto desde 2008. Estamos num bear market de obrigações em toda a linha.
Para esta quarta-feira, sai o relatório semanal de inventários da EIA. Qualquer número abaixo do esperado pode levar o Brent de volta aos 95 dólares.
Nos EUA, a yield a 10 anos subiu até 4,798%, o nível mais alto desde 14 de janeiro de 2025, fechando a subir 1,2 pb em 4,77% depois de tocar nos 4,798%. Outras referências apontam 4,789%, também máximo desde meados de janeiro de 2025.
No curto prazo, a yield a 2 anos subiu 0,8 pb para 4,356%, tendo tocado 4,365% mais cedo no dia, o máximo desde final de julho. A 30 anos chegou a 5,27%, a apenas 6 pontos base dos níveis que forçaram a intervenção do Tesouro em agosto.
O mercado já precifica 68,2% de probabilidade de uma subida de 25 pb pela Fed no final de setembro, acima dos 39,6% há uma semana, depois do discurso hawkish de Kevin Warsh em Jackson Hole.
Para hoje, o foco são as empresas de emprego e consumo. Os investidores vão olhar para os resultados de indicadores que antecedem o payroll de sexta-feira.
Na Europa, a história é igual: a yield alemã a 10 anos está em 3,35%, máximo desde 2011, depois de dados mostrarem que a inflação da zona euro voltou a subir acima dos 3% em agosto, cementando apostas numa subida de juros do BCE em setembro. O Japão viu a sua yield a 10 anos bater nos 3% pela primeira vez desde 1996.
Se o ADP vier fraco (<30 mil) alivia yields e ajuda Nasdaq. Se vier forte (>70 mil) e com petróleo a 94 dólares, teremos um novo teste à resiliência de Wall Street e novo sell-off em Bunds e Treasuries.
Esta terça-feira foi um dia negativo o que se viveu na globalidade das bolsas europeias, onde o PSI foi a exceção. O reacendimento de tensões no Médio Oriente voltou a fazer subir os preços do petróleo e aumentou a probabilidade de subida de taxas de juro tanto da Fed como do BCE já em setembro. O efeito fez-se sentir na subida das yields de dívida soberana, que num medidor global da Bloomberg estão a atingir o nível mais elevado desde 2008, num mês em que BCE e Fed podem voltar a subir taxas.
Ainda assim, a revelação de que a atividade industrial nos EUA desacelerou mais que o previsto do ritmo de expansão em agosto e que a abertura de vagas de emprego em solo norte-americano foi inferior à esperada em julho, trouxeram algum alívio, por fazer acreditar que com menor força da economia será mais fácil fazer recuar a inflação para os níveis pretendidos pelo Banco Central dos EUA.
Esta quarta-feira as bolsas devem abrir entre o flat e o ligeiramente negativas, a seguir os futuros americanos.
Atenção que a banca beneficia de yields altas, ao mesmo tempo que as utilities sofrem.
Na geopolítica houve um novo agravar da relação entre a Europa que, através da Ucrânia, está em conflito com a Rússia. Zelensky ameaçou atacar companhias aéreas que sobrevoem a Rússia com drones, o que o presidente Russo apelidou de “terrorismo de Estado”. Putin anunciou ainda que em agosto a Rússia anexou 270 quilómetros quadrados de terra e 15 povoações em Donetsk, além de 9 povoações em Zaporizhzhia.
A Alemanha anunciou o encerramento do consulado russo em Bona e do centro cultural russo em Berlim, após ter responsabilizado Moscovo pelos incidentes com drones no aeroporto de Leipzig em agosto. A Rússia reagiu dizendo que se trata de uma “false flag” e prometeu uma “resposta adequada” à Alemanha.
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