All out em Alvalade coloca Liga nas Big5 das vendas de verão
A Liga portuguesa está (e vai continuar a estar) muito longe da realidade financeira e desportiva das Big5 europeias (Ligue 1, Bundesliga, La Liga, Serie A e Premier League) mas o mercado de transferências de verão revelou um detalhe interessante e que poderá marcar uma tendência nas próximas janelas. Com o relógio a ditar os últimos acertos nos plantéis, Portugal supera Espanha nas receitas com transferências e entra no restrito grupo dos campeonatos mundiais que mais dinheiro geram com a venda de passes de jogadores. Às primeiras horas desta quinta-feira, 3 de setembro, a Liga portuguesa superava a espanhola La Liga nas verbas garantidas com transferências de futebolistas, uma situação que não se registava desde a época 2022/23 (temporada em que Portugal superou Espanha em 127 milhões). De acordo com o portal Transfermarkt, que mede o pulso aos valores de mercado dos futebolistas profissionais, a Liga portuguesa já atingiu 543,1 milhões de euros em receitas com transferências, um valor que suplanta os 503,6 milhões de euros que os clubes da La Liga garantiram nesta janela. Os 543,1 milhões em vendas em 2026/27 representam um salto de 60,4 milhões face à época anterior, um montante impulsionado sobretudo pelas vendas do Sporting que bateu o recorde de receitas ao superar 200 milhões de euros (mais de um terço de todas as vendas da Liga). Os três grandes em conjunto com o SC Braga foram responsáveis por 440 milhões de euros nas vendas de verão. Todos fecharam no verde. Outro fator que contribuiu para que Portugal superasse Espanha está relacionado com uma quebra abrupta das vendas por parte dos emblemas da La Liga. Face a 2025/26, os clubes da Liga espanhola perderam 298 milhões em receitas com transferências, atingindo o valor mais baixo desde a época 2021/22. Ao nível das compras, Portugal revelou-se muito comedido relativamente à época anterior, com uma quebra de 100 milhões para 294 milhões de euros, sendo que os três grandes foram responsáveis por 240 milhões em aquisições. De regresso às vendas, a Premier League liderou as receitas com transferências a nível mundial ao atingir 2,5 mil milhões de euros, numa janela em que a Ligue 1 continuou numa trajetória de crescimento nas vendas ao suplantar 1,3 mil milhões em transferências. Como referido, a Liga portuguesa continua muito distante das Big5 e isso é possível constatar nos valores de mercado dos maiores campeonatos, também definidos pelo Transfermarkt. Se a principal Liga em Portugal está avaliada em 1,8 mil milhões (acima dos valores de mercado da Bélgica e Países Baixos), é possível constatar que a La Liga e a Serie A têm uma avaliação de 5,8 mil milhões, com a Premier League a liderar com um valor de mercado superior a 13 mil milhões.
Leão revolucionário
Um autêntico “all out” e uma mudança que é pouco comum nos clubes portugueses. Em Alvalade, fez-se sentir uma autêntica revolução com a Liga dos Campeões a render para já uma verba de 48,4 milhões de euros. O emblema que mais títulos ganhou esta década vendeu os passes de atletas que foram essenciais nesse percurso de sucesso: do timoneiro Hjulmand ao criativo Trincão passando pelo xerife Diomande e o mágico Pedro Gonçalves. O resultado foi um autêntico recorde de vendas, com o saldo final a ultrapassar ligeiramente os 200,8 milhões de euros. Para compensar, o Sporting foi ao mercado e gastou 123,2 milhões de euros, batendo o recorde de transferências com a compra do passe de Zalazar ao SC Braga por 30 milhões.
Com um plantel avaliado em 467,3 milhões de euros, o FC Porto, atual campeão nacional, optou por uma postura conservadora neste mercado de transferências. No Dragão, o mercado só começou verdadeiramente a aquecer a partir da transferência do jovem criativo Rodrigo Mora para a Roma. A partir daí, o FC Porto viu chegar reforços para todos os setores e ainda garantir a permanência de valores essenciais neste plantel, com Diogo Costa à cabeça. Saldo final (a poucas horas do fecho): os dragões fizeram 44 milhões de euros em vendas e gastaram 32,5 milhões de euros.
A Luz disse adeus a José Mourinho e abriu um novo capítulo com Marco Silva. Do ponto de vista financeiro, o Benfica disse um “até já” à Liga dos Campeões e abraçou a Liga Europa, competição que não lhe vai garantir o fôlego que a “Champions” dá às contas dos clubes (pode ganhar até 20 milhões antes da bola começar a rolar mas os prémios não se comparam à principal competição da UEFA). A juntar a isso, as águias tiveram que suprir saídas importantes na defesa e assumir compromissos da época passada como a compra do passe de Sudakov e Barrenechea. O médio português João Palhinha é o rosto da mudança que o novo treinador quer imprimir no Benfica. A SAD da Luz obteve receitas de 128,4 milhões de euros, com a venda de Dedic a assumir grande importância no equilíbrio das contas, e gastou 85,2 milhões de euros na contratação de novos jogadores. O Benfica apresenta a segunda equipa mais valiosa em Portugal: 377 milhões de euros.
O SC Braga também vai terminar este mercado no verde e com um recorde de vendas de 66,1 milhões impulsionado pela venda de dois jogadores na casa dos 30 milhões de euros: Hornicek e Ba. Nas compras, os bracarenses chegaram aos 36,2 milhões de euros com uma aposta em jogadores do mercado interno mas também com alcance na liga suíça e na Bundesliga. A contratação mais dispendiosa foi a do jovem médio Tommy Marqués ao Barcelona por 11 milhões de euros. O plantel à ordem do espanhol Carlos Vicens está avaliado em 151,8 milhões de euros.
Um português de 100 milhões
O top10 das transferências mais avultadas desta janela de mercado é dominado por clubes ingleses e só o Real Madrid se conseguiu intrometer no reino dos milhões em que está transformada a Premier League. Curiosamente, há um médio português a colocar-se nesta lista de bilionários com uma transferência de quase 100 milhões entre clubes ingleses e um médio argentino que já passou por Portugal a bater todos os recordes de movimentações na Liga Inglesa. O português é Mateus Fernandes: o médio de 22 anos formado no Sporting saiu de Alvalade por 18 milhões de euros em 2024 e apenas dois depois quintuplicou o valor ao ser transferido por 99 milhões do West Ham para o Tottenham. Assim, o médio ocupou a sétima posição entre as dez transferências mais valiosas deste defeso. A tabela é liderada por um médio que esteve no Benfica: o argentino Enzo Fernández trocou o Chelsea pelo City a troco de 145 milhões e ditou uma tendência nesta lista já que sete das dez maiores vendas deste verão aconteceram entre clubes ingleses. Entre aquelas que envolveram outras ligas, há outro português envolvido: José Mourinho, que regressou ao Real Madrid, pediu aos merengues que avançassem para a contratação do extremo costa-marfinense Yan Diomande ao RB Leipzig. O resultado cifrou-se numa das contratações mais caras da história dos madrilenos: 125 milhões.
Share this content:



Publicar comentário