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Reclamações no setor da habitação sobem 44,5% até agosto para 682, segundo o Portal da Queixa

Reclamações no setor da habitação sobem 44,5% até agosto para 682, segundo o Portal da Queixa

As reclamações no setor da habitação registadas no Portal da Queixa aumentaram 44,5% nos primeiros oito meses de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, impulsionadas pela gestão de condomínios e por suspeitas de fraude.
De acordo com um estudo divulgado esta terça-feira, 8 de setembro, pelo Portal da Queixa, foram contabilizadas 682 reclamações entre janeiro e agosto de 2026 nas categorias de Administração de Condomínios, Mediação Imobiliária e Classificados de Imobiliárias ou Particulares, valor que contrasta com as 472 registadas em igual período do ano passado e que se aproxima do total registado em todo o ano de 2025 (739).
A área de Administração de Condomínios foi a que concentrou a maior fatia das queixas, representando 58,65% do total nacional. Nesta categoria, o número de ocorrências disparou 66,67%, passando de 240 para 400 reclamações. Os motivos mais apontados pelos consumidores prendem-se com a qualidade do serviço, atendimento e comunicação (44,97%), bem como questões de segurança e partes comuns do edifício (42,71%).
Por seu lado, a categoria de Mediação Imobiliária (Agentes e Redes) registou 227 reclamações até agosto, um crescimento de 12,94% face ao período homólogo. Mais de metade destas queixas (51,55%) incidiu sobre problemas na concretização do negócio, designadamente conflitos com o sinal, o contrato-promessa de compra e venda (CPCV) ou a escritura.
Nos Classificados Imobiliários, apesar de representarem o menor volume absoluto (55 queixas), verificou-se uma subida de 77,42%. O estudo assinala um aumento significativo das referências a burla ou fraude nos anúncios, cujo peso praticamente duplicou, passando de 16,67% para 30,91% das reclamações da categoria.
Em termos geográficos, a pressão sobre o setor reflete-se maioritariamente nas grandes áreas urbanas: o distrito de Lisboa concentrou 32,21% do total de reclamações, seguido do Porto, com 27,06%, e de Setúbal, com 13,38%. Na gestão de condomínios, o Porto liderou com 31,66% dos casos, ultrapassando ligeiramente Lisboa (30,15%).
Apesar de um ligeiro aumento no índice médio de satisfação global do setor (de 2,20 para 2,30 em 5), a avaliação dos utilizadores continua em patamares reduzidos.
Citado em comunicado, o fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, Pedro Lourenço, sublinha que “o problema não termina quando se compra uma casa”, advertindo ainda para a necessidade de os consumidores redobrarem os cuidados “antes de transferir dinheiro, assinar documentos ou fornecer dados pessoais”, face ao crescimento das fraudes nos anúncios de arrendamento e venda.

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