A experiência como novo motor da competitividade do Algarve
Durante muitos anos, a competitividade turística foi medida sobretudo através de indicadores de volume, tais como o número de visitantes, as dormidas, as taxas de ocupação ou as ligações aéreas. Todos estes fatores continuam a ser importantes. Mas, à medida que o turismo português entra numa fase de maior maturidade, torna-se evidente que o próximo ciclo de crescimento não poderá depender apenas de trazer mais pessoas durante os mesmos meses do ano.
Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) ajudam a perceber esta mudança de contexto. Em junho de 2026, o alojamento turístico registou 3,1 milhões de hóspedes e 8,1 milhões de dormidas, com crescimentos homólogos de apenas 1% e 0,7%, respetivamente. As dormidas de não residentes diminuíram 0,6%, enquanto os proveitos totais cresceram 4,7%, para mais de 785 milhões de euros.
Estes números ajudam-nos a olhar para uma questão que será cada vez mais importante: como continuará o Algarve a reforçar a sua competitividade num mercado turístico cada vez mais exigente?
Acredito que uma parte importante da resposta estará na capacidade de evoluirmos de uma lógica predominantemente assente na quantidade para uma lógica em que a qualidade e o valor da experiência assumem um peso cada vez maior.
Numa era em que os destinos são facilmente comparáveis, a diferença já não se faz apenas pela qualidade dos serviços, dos acessos ou dos recursos naturais. Faz-se pela forma como cada momento consegue ser vivido, experienciado e recordado por quem nos visita.
A experiência tornou-se uma verdadeira “infraestrutura” dos destinos. É ela que liga o alojamento à restauração, a natureza à cultura, a sustentabilidade ao lazer, e, sobretudo, o visitante ao destino.
Para o Algarve, esta evolução é particularmente importante. A região construiu, ao longo de décadas, uma posição sólida no turismo nacional e internacional. No entanto, esta posição não deve ser considerada definitiva. A liderança de um destino depende da capacidade de acompanhar as mudanças nas expectativas de quem o visita.
O sol e praia continuarão a ser ativos fundamentais, mas a oportunidade está em acrescentar-lhes tudo aquilo que pode enriquecer uma estadia, nomeadamente a natureza, gastronomia, cultura, património, desporto, bem-estar, entretenimento, ciência ou educação ambiental.
Quem trabalha diariamente numa atividade que recebe milhares de visitantes sabe que a qualidade não é um objetivo estanque. É um processo permanente de melhoria. É necessário observar, ouvir, medir e adaptar, procurando continuamente formas de tornar a experiência mais fluida, confortável e satisfatória.
É uma realidade que conhecemos bem e que considero aplicável ao setor: quanto mais exigente se torna o visitante, maior tem de ser a nossa capacidade de melhorar.
E esta qualidade depende também das nossas pessoas.
A tecnologia pode melhorar processos, personalizar serviços e aumentar a eficiência. Mas a hospitalidade continua a depender da interação humana. São os profissionais que acolhem, explicam, orientam e, muitas vezes, transformam um serviço numa experiência memorável. Não pode existir uma experiência de excelência sem equipas qualificadas, motivadas e conhecedoras da região.
O turismo algarvio não deverá, portanto, ser avaliado apenas pelo número de pessoas que consegue atrair. Será também necessário perceber a experiência que proporciona e que ligação as pessoas levam consigo quando regressam a casa.
O Algarve já demonstrou que consegue ser escolhido. O próximo desafio será garantir que continua a ser valorizado e recordado. E, num mercado turístico cada vez mais competitivo, será a qualidade da experiência que fará a diferença.
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